O presidente de La Liga, Javier Tebas, é uma figura bastante controversa do futebol espanhol. Ele briga na justiça para poder levar jogos do Campeonato Espanhol para os Estados Unidos, algo que é muito criticado dentro e fora do país. Só que para o dirigente, ir jogar na Arábia Saudita é algo que passa do limite do aceitável. Foi o que a Federação Espanhola de Futebol (RFEF) fez com a Supercopa, disputada por quatro times no país do Oriente Médio.

“O governo saudita tem uma política onde eles melhoram a imagem do governo pelo esporte e nós todos temos uma responsabilidade ali”, afirmou Tebas aos repórteres na inauguração de um canal de televisão no Reino unido dedicado à liga espanhola. O torneio aconteceu, o Real Madrid venceu e a liga não tem qualquer influência nisso. A Supercopa é organizada pela federação.

É importante pontuar que federação e liga espanhola não se bicam há algum tempo. Os dois dirigentes que encabeçam estas entidades, Javier Tebas por La Liga, e Luis Rubiales, presidente da RFEF. A rivalidade é grande e há sempre uma disputa entre os dois. A RFEF, por exemplo, é contra que os jogos de La Liga sejam realizados nos Estados Unidos e é uma das entidades que faz força para evitar que isso aconteça.

Tebas considera que jogar na Arábia Saudita passa o limite, porque a federação permite que ela mesma e os seus clubes sejam usados em uma lavanderia de reputação na Arábia Saudita. O dirigente inclusive lembrou que os jogos da Supercopa foram disputados cerca de um ano depois que representantes do governo saudita foram até Istambul e assassinaram um jornalista que era crítica do regime, Jamal Khashoggi, que estava dentro da embaixada do país na cidade turca.

“Nós não deveríamos esquecer o que aconteceu”, continuou Javier Tebas. “Isto é muito sério. O dinheiro não é a única coisa que importa”. Houve repercussão dentro da Espanha. A TVE, emissora estatal que normalmente transmite a Supercopa da Espanha, declinou de fazê-lo este ano por preocupações com os direitos humanos. Poucos torcedores espanhóis se prontificaram a ir para a Arábia Saudita acompanharem os jogos.

Rubiales defendeu que os jogos na Arábia Saudita serviriam como “uma ferramenta de mudança social”. O governo saudita tem feito esforços para melhorar a sua imagem com diversos eventos esportivos, como a Fórmula E, jogos de futebol, boxe, evento da WWE, além de um acordo para um torneio de sinuca.

Já que Tebas tem falado que dinheiro não é a única coisa que importa, que ele lembre disso quando continuar com as ideias de levar jogos para os Estados Unidos ou outras que ele venha a ter. É verdade que levar para a Arábia Saudita é bem ruim por conta do país ser um claro violador de direitos humanos. Só que é preciso lembrar que o dinheiro não deveria ser a prioridade de uma entidade que tem como missão cuidar da liga espanhola.