O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, tem adotado uma postura reformista neste primeiro ano no comando da entidade europeia. Em entrevistas, sugeriu diversas mudanças na estrutura do futebol europeu, algumas boas, outras nem tanto. Esta semana, em entrevista à revista eslovena Mladina, deu uma que pode ser a mais polêmica de todas: introduzir um teto salarial para limitar os gastos dos clubes do continente.

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Não é a primeira vez que Ceferin cogita uma solução para reduzir a distância cada vez maior entre um grupo de elite da Europa em relação ao restante dos clubes. No último mês de março, disse que não poderia deixar que “a grandeza de alguns ofuscasse o resto” e que permitir que a diferença ficasse grande demais seria “negligenciar aqueles que têm poucas oportunidades”.

Na ocasião, sugeriu impostos, limitação de elencos e reformular o sistema de transferências. Agora, fala em teto salarial para evitar que os clubes mais ricos “empilhem” jogadores que não precisam e que acabam “jogando em lugar nenhum”.

“Os clubes mais ricos estão ficando mais ricos e a distância entre eles e o resto está ficando maior”, afirmou, segundo a Reuters. “No futuro, teremos que considerar seriamente a possibilidade de limitar os orçamentos dos clubes para os salários dos jogadores. A introdução de um teto salarial forçaria os clubes a serem mais racionais. Será uma grande batalha e vencê-la seria, na minha opinião, uma mudança histórica”.

Quando deu suas outras ideias para nivelar o futebol europeu, Ceferin também citou a necessidade de usar a diplomacia com os grandes clubes porque “não podemos ignorar que os cinco maiores países são responsáveis por 86% das receitas”. Um teto salarial seria uma medida drástica de controle institucional e dificilmente seria introduzido sem uma grande briga, como disse o presidente da Uefa.