Uma discussão que vira e mexe aparece em grandes ligas pelo mundo é a redução do número de clubes dentro da uma liga. A ideia tem surgido forte na Itália, que já teve uma liga com 18 clubes em um momento que era muito mais forte, o que aumenta, claro, a sensação de nostalgia de muitos que pedem o retorno disso. Segundo Gaetano Micciche, presidente da Lega Seria A, a possibilidade é avaliada para os próximos anos, embora não seja certo que isso vá acontecer.

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De 1988 a 2004, a Serie A teve 18 clubes na sua primeira divisão. Coincide com um período de ouro do futebol italiano, tanto na primeira quanto na segunda divisão. Lá no início, de 1956 a 1952, a liga teve 20 clubes (sendo que teve 21 clubes em 1947/48). Teve até menos que 18 clubes: entre 1967 e 1988 teve apenas 16 clubes na primeira divisão.

A expansão de clubes no primeiro escalão traz mais divisão de receitas entre os clubes menores, mas ao mesmo tempo, a distância entre os principais times e os menores aumentou significativamente. A discussão, portanto, volta à tona.

Falta de competitividade

Além da questão da redução do número de clubes, há outro ponto importante sobre a Serie A é a falta de competitividade. A Juventus conquistou oito títulos consecutivos no Campeonato Italiano, estabelecendo uma hegemonia, e não dá sinais que deixará de exercer isso. Para mudar isso, Gaetano Micciche acredita que os times de Milão precisam voltar a ter força.

“Há um grande interesse na Champions League e Liga Europa, com muitos times muito próximos juntos”, afirmou Micciche à rádio Anch’io Sport. “O que irá permitir um alto nível de interesse dos torcedores e comentaristas. Que interesse há em uma competição dominada por um único time?”, comentou o dirigente.

“Alternação é sempre uma qualidade e um elemento de força em qualquer setor, não apenas no futebol. Eu estou convencido que os dois clubes de Milão terão que ser líderes. A presença deles [na disputa pelo título] historicamente resulta em mais times vencendo o Scudetto, sem tirar nada de Napoli e Roma, que tem feito a vida da Juventus mais difícil nos últimos anos”, afirmou Micciche.

Redução para 18 clubes

“Todas as maiores ligas europeias, exceto pela Bundesliga, têm 20 times. O último conselho federal aprovou a iniciativa que permite à liga uma ‘cota de ouro’ para decidir, se quiser, reduzir o número de times de 20 para 18. Nós iremos tomar uma decisão na assembléia uma vez que analisarmos as vantagens e desvantagens, mas é ótimo que a FIGC [Federazione Italiana Giuoco Calcio] permita que cada liga decida por si qual é o formato que melhor se adequa”, disse ainda o presidente da Lega Serie A.

Micciche comentou a ideia de Aurelio Di Laurentiis, presidente do Napoli, que acredita que seria bom um formato como o dos esportes americanos, sem rebaixamento. A ideia não repercutiu bem com o dirigente da liga. “Obviamente eu não concordo com os sentimentos de De Laurentiis”, disse. “Isso porque o charme da nossa liga também vem da participação de clubes menores. Isso acontece em todos esportes, mesmo nos 100 metros rasos nas Olimpíadas, o último colocado está a uma grande distância e é menos competitivo”.