O declínio do futebol italiano é falado há alguns anos, mas o presidente da Juventus, Andrea Agnelli, proferiu palavras fortes para tratar do assunto. Disse que nenhum país europeu vive um colapso tão grande e pediu que as mudanças sejam drásticas e estruturais no futebol italiano para recuperar o poder dos clubes no cenário europeu.

Apesar da Itália ter sido vice-campeã da Eurocopa de 2012, perdendo a final para a Espanha, os clubes do país têm tido problemas nas competições europeias nas duas últimas temporadas, o que levou inclusive à perda do terceiro lugar para Alemanha no coeficiente de países e, assim, perdeu uma vaga à Liga dos Campeões. Nos dois anos, a Udinese foi para a fase preliminar e não conseguiu chegar à fase de grupos.

“Nós temos que perguntar a nós mesmos como o futebol italiano estará em alguns anos”, afirmou Agnelli, em reunião com os acionistas do clube, em Turim. “Muitos países passaram por períodos de declínio, mas nenhum teve um colapso tão súbito. Nós estamos vendo um colapso estrutural completo e isso não pode ser explicado apenas como sendo parte da crise financeira”, analisou o presidente da Velha Senhora. “O futebol está evoluindo e não esperará pela Itália. Essa é uma presunção fatal”.

Com apenas dois times na fase de grupos da Liga dos Campeões, o futebol italiano corre o risco de não ter nenhum representante entre os classificados às oitavas de final da competição. Juventus e Milan tem situações complicadas e ainda lutam para tentar avançar. Na Liga Europa, Napoli e Udinese foram derrotados, a Lazio empatou e só a Internazionale venceu – e mesmo assim, com um gol no final do jogo, mesmo jogando em casa.

“Os presidentes de clubes, a imprensa e os observadores em geral nos perguntam se nós apoiamos esse ou aquele candidato para liderar a Serie A ou a federação de futebol italiana (FIGC). Infelizmente, ninguém nos pergunta o que precisa ser feito para preencher esses importantes cargos”, declarou Agnelli.

“O que a Juventus apoia? Nós apoiamos uma reforma estrutural do futebol profissional. Aqueles que não condenam a Itália a ser marginalizada na Europa e no mundo. Reformar a Liga, o número de clubes profissionais e as categorias de base. Reformar o status dos esportes profissionais, que é atualmente gerida por uma lei de 1981, proteção de marca, regulação de estádios”, explicou o presidente bianconero.

“Precisamos de uma reforma significativa da nossa justiça esportiva, que não pode lidar com os investimentos que valem milhões de euros como se fosse uma disputa entre clubes esportivos locais”, criticou Agnelli.

Atual campeã italiana, a Juventus é a única que já joga em um estádio próprio entre os clubes da liga italiana. Internazionale e Roma já têm planos de construção e mudança para um novo estádio, mas a maioria ainda depende de estádios defasados e que são públicos. Os clubes possuem problemas financeiros e o presidente da Juventus mostrou preocupação sobre a situação dos clubes já com o Fair Play Financeiro da Uefa no horizonte – em dois anos, clubes que não cumprirem as regras serão excluídos das competições europeias.

“Nosso primeiro objetivo é mudar o clube e o time. Em dois anos, nós seguimos em frente, mas a conquista do título significa que não devemos esquecer o nosso mandato, que é para ganhar enquanto mantemos uma posição financeira equilibrada, a fim de nos dar uma perspectiva de futuro”, disse.

“A Juventus sempre promoveu o princípio de mudança no mundo do futebol. Há uma necessidade para mudança no futebol italiano para colocá-lo no nível do resto da Europa”, disse o presidente da Juventus.