Com qual camisa aquele novo jogador contratado vai jogar? Pode parecer só uma pergunta irrelevante, mas não é. E não é só porque o departamento de marketing acha que é importante um jogador vestir determinado número na camisa. É uma escolha que traz um caráter histórico, que traz um peso de jogadores que vestiram aquela camisa antes. O presidente da Juventus, Andrea Agnelli, mostrou que entende essa importância para o torcedor. Depois da saída de Carlos Tevez, que vestia a camisa 10, que já foi de Roberto Baggio, Alessandro Del Piero e Michel Platini, o dirigente acredita que só um “fenômeno” pode vestir o número.

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A numeração fixa passou a vigorar na temporada 1994/95, quando os jogadores passaram a vestir sempre o mesmo número durante toda a temporada. Até então, todos os jogos os dois times entravam com numeração de 1 a 11 para os titulares – como ocorre em alguns lugares, como no Brasil, onde não há uma regra nesse sentido e os clubes optam como preferirem. Muitos times usam numeração fixa, como Flamengo, Corinthians, mas outros preferem a numeração de 1 a 11, como o Vasco.

Na Espanha, por exemplo, os clubes são obrigados a registrar os jogadores do elenco principal com numeração sequencial de 1 a 25 – jogadores das categorias de base ficam com números acima disso. É o mesmo que acontece nas competições sul-americanas, como a Copa Libertadores ou a Copa Sul-Americana: os clubes são obrigados a registrar os 30 inscritos em numeração sequencial, de 1 a 30. Repare que não há camisa 99 na Libertadores, justamente por isso. Na Itália, na Inglaterra, na França e na Alemanha, a numeração fixa é obrigatória, mas não há limitação sobre os números. Os jogadores podem ser registrados com 88, 99 ou 77, se assim quiserem.

Os números das camisas podem não definir o quanto o jogador vai render em campo, mas os próprios jogadores e os torcedores gostam de saber sobre os números, porque eles carregam mística. “O mais importante para conseguir resultados é a força do elenco”, afirmou o dirigente ao jornal Tuttoesport, que é de Turim. “Os números nas costas das camisas são mais um esforço do que o que eles valem”, disse ainda Andrea Agnelli.

“Os números da camisa são importantes do ponto de vista comercial – o número 10 sempre fez as pessoas sonharem, é a camisa que as crianças querem”, contou. “Contudo, é um número que nós temos que encontrar um jogador com certas características, um fenômeno. Especialmente quando nós estamos falando do número 10 da Juventus. No momento certo, nós avaliaremos isso”, continuou. “Mas algumas vezes a camisa não é designada a ninguém e se isso acontecer este ano, não será uma tragédia”, afirmou ainda o presidente dos bianconeri.

Antes de Tevez, o número ficou vago desde a saída de Del Piero. Com os novos contratados, parece improvável que algum deles receba a mística camisa 10. Sami Khedira é volante, certamente não usará o número. Mario Mandzukic é atacante, mas não passa nem perto de ser um fenômeno. Paulo Dybala é um jogador com potencial e até poderia vestir a camisa 10 pelas suas características, mas ainda não tem um peso de uma estrela, como tinha Tevez. Roberto Pereyra, que é um bom meia e que fez ótima temporada, também não parece ter esse peso esperado para receber a 10 – na temporada passada, vestiu a 37. A não ser que a Juventus contrate um novo jogador, uma estrela, a camisa 10 deverá ficar vaga nesta temporada.