A indefinição permeia as principais ligas europeias, e Noël Le Graët quer por um fim a isso. O presidente da Federação Francesa quer que a Ligue 1 termine, no máximo, em 15 ou 20 de julho – e irá propor à Uefa que outros campeonatos sigam o mesmo prazo.

Em entrevista ao L’Équipe, Le Graët falou de sua ideia, sugerindo ainda um período fiscal estendido, para mitigar os danos financeiros causados aos clubes pela pandemia do coronavírus.

“Não vejo como terminaríamos o campeonato no final de junho, com as partidas da seleção francesa e a Liga dos Campeões. A proposta que a Federação Francesa quer fazer aos clubes e à UEFA é que temos absolutamente que ir, pelo menos, até 15 de julho, com um período fiscal que terminaria em 31 de julho. Não há outra solução”, argumentou.

Le Graët observa a situação de países como Itália, Espanha e a própria França, cada um em seu próprio nível de confinamento forçado, e crava que não será possível retornar aos treinamentos no início de abril. E que, portanto, é preciso chegar logo a um acordo sobre o que fazer com o calendário, de modo a aliviar a pressão sobre os tomadores de decisão nas diversas ligas europeias.

“Temos de declarar oficialmente hoje que jogaremos o maior número possível de partidas, atentos à saúde dos jogadores, e terminaremos a temporada no dia 15 ou 20 de julho. Se deixarmos passar mais quinze ou vinte dias, está tudo bem, sem qualquer problema. É a única maneira de fazer algo coerente.”

Le Graët acredita que, dada a situação atual, as autoridades também concederiam aos clubes e ligas isenções fiscais sem dificuldades. “Quanto aos balanços, do ponto de vista fiscal, fazemos ao longo de 13 meses, em vez de 12. Isso evitaria desastres financeiros no final de junho em quase todos os lugares. (…) Os clubes poderão apresentar balanços mais saudáveis”, projetou.

Por fim, resta aparar as arestas sobre os contratos de jogadores com vínculo que se encerram antes do novo prazo previsto para o fim dos campeonatos. Le Graët, neste sentido, confia no bom senso dos atletas e não cogita tentar impor uma decisão: “Acho que os jogadores são suficientemente sábios para jogar mais duas semanas. E aqueles que não querem jogar não irão jogar”.

Estas são apenas as proposições do presidente da Federação Francesa, que acredita que, independentemente do que seja decidido, essas escolhas precisam acontecer logo.

“Vou escrever à Uefa para fazer esta proposta oficialmente. Além disso, a Uefa já considerou isso em um de seus cenários. Tenho certeza que a Itália vai fazer a mesma proposta. Olha o que está acontecendo com eles. É melhor deixar os jogadores voltarem ao normal e ter mais duas ou três semanas em julho. As férias serão em agosto. E retomaremos na próxima temporada, no final de agosto ou início de setembro. Qual é a diferença? Teremos tempo para ajustar o calendário para a próxima temporada.”