Na maior parte do mundo, dirigentes do futebol estão buscando formas de fazer o futebol retomar suas atividades o mais rápido possível. A economia do futebol, como de tantas outras áreas, não estava preparada para uma pandemia como a do novo coronavírus. Na África, porém, o presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), Ahmad Ahmad, diz que a prioridade é saúde e não tem pressa para retomar as competições.

“Pela proporção de testes realizados nesses países, é sempre alarmante, porque não temos visibilidade na gestão da pandemia”, disse Ahmad Ahmad, presidente da CAF, que é de Madagascar, ao site alemão DW. A entidade se mantém cautelosa em relação ao que fará no futebol, deixando claro que há outras prioridades no momento para as pessoas do continente.

“Há uma falta de visibilidade. Nós temos que esperar. Como presidente, eu convido a todos a serem mais cautelosos e esperarem a situação se normalizar. Mas além disso, eu não quero que o futebol seja uma fonte de desestabilização para as medidas preventivas tomadas por vários governos para lidar com a pandemia”, continuou Ahmad Ahmad.

“O mundo todo está enfrentando uma crise de saúde muito importante e todos países no continente da África têm seu próprio modo de lidar com isso”, continuou o presidente da CAF. “Decidimos parar completamente as atividades do futebol. Nossa prioridade é, acima de tudo, a saúde, proteger jogadores, funcionários e o público”.

Ahmad Ahmad confirmou que a CAF só irá retomar as suas competições quando a situação do COVID-19 estiver sob controle na África. As ligas e torneios têm até o dia 5 de maio para dizer à entidade como irão proceder. A maioria dos países decidiu encerrar suas ligas locais sem campeões ou mesmo rebaixamentos.

De forma a ajudar os clubes em uma crise pela pandemia, a CAF liberou todas as premiações para os clubes em competições continentais de forma rápida, sem precisar esperar o fim da temporada. Além disso, a CAF está trabalhando com cada país para dar mais apoio aos clubes.

Segundo o presidente da CAF, alguns jogadores importantes da história do futebol africano, como Samuel Eto’o, Didier Drogba, Sadio Mané e Mohamed Salah contribuíram significativamente para o combate à pandemia no continente e participaram de campanhas de conscientização, como o uso de máscaras e lavar as mãos.

Por tudo isso, Ahmad Ahmad declarou que o futebol não será prioridade para o continente africano. Para o presidente, “a prioridade é saúde. Se a crise persistir, é como qualquer fenômeno da vida humana. Nós não podemos mandar nossos jovens para o matadouro”, continuou o dirigente.

A postura de Ahmad Ahmad é exemplar nesse sentido, tratando o futebol com respeito e importância, mas com a prioridade no lugar certo: na saúde. A África é um continente gigantesco, com países dos mais diferentes, nas situações mais diversas. É preciso tratar com cuidado cada caso e é importante que a prioridade agora não seja a volta do futebol a qualquer custo.