O presidente da Argentina, Alberto Fernández, deixou no ar a possibilidade de volta do futebol, com o uso de intensivo de testes para evitar problemas. Fernández quer também negociar com as detentoras dos direitos de transmissão do Campeonato Argentino para que ao menos alguns jogos sejam disponíveis na TV aberta, já que as partidas, quando retomadas, não terão público.

A temporada no país já foi encerrada – iria até junho – e só será retomada em julho, se houver condições. Como o Campeonato Argentino 2019/20 já tinha terminado e o que faltava para completar o calendário era a Copa da Superliga, um torneio complementar que valeria para definir vagas para os torneios sul-americanos e também contaria para o rebaixamento, os dirigentes da AFA decidiram encerrar a temporada com as posições atuais para os torneios continentais, mas sem rebaixamento.

O presidente falou à TV argentina C5N que a realização de testes rápidos seria a única maneira da volta do futebol, que resolveria o temor que hoje os jogadores têm de se contaminarem com o coronavírus. “Me explicaram ontem que o mundo do futebol não teme que o jogador se infecte. Os que chegam à primeira divisão são rapazes muito jovens. Muitos deles vivem com seus pais. Muitos não vivem nas melhores condições”, afirmou o presidente.

“E o temor é levar a infecção para suas casas. Devemos ver se conseguimos algum sistema de testes rápidos, para que um clube teste 30 jogadores em um dia e talvez assim podemos voltar a treinar e voltar o futebol”, continuou Fernández.

Como a volta do futebol passa por não ter público nos estádios, Alberto Fernández quer que as emissoras que transmitem a liga possam transmitir mais jogos de graça para as pessoas. Atualmente, os direitos de transmissão no país estão nas mãos da Fox Sports Premium e TNT Sports, que são por assinatura. “Depois, quando voltar o campeonato, eu gostaria que se falasse com a empresa que tem os contratos de televisão para que as pessoas possam ver várias partidas, além dos mais importantes”, disse o político.

“O direito de assistir algumas partidas de graça nós vamos conseguir. As empresas e a AFA estão de acordo. Essa é a minha preocupação. Sou dos que querem que o futebol funcione melhor”, afirmou ainda o presidente. Atualmente, para assistir ao futebol na TV na Argentina é preciso ser usuário de TV por assinatura e ainda pagar um pacote. É isso que o governo quer mexer quando o futebol voltar: ter mais jogos disponíveis para as pessoas. Em um cenário onde não há sequer público no estádio, faz sentido. Mas não quer dizer que não haja algum temor também e isso se dá pelo histórico do presidente.

Alberto Fernández foi chefe de gabinete no governo de Cristina Kirchner em 2008. No ano seguinte, o governo criou o Fútbol Para Todos, algo que é muito controverso e questionado no país até hoje. Quase todos os jogos da Argentina eram transmitidos na TV aberta, de graça para as pessoas, com custos bancados pelo Estado.

Isso, a longo prazo, acabou prejudicando a competição por direitos no país e, claro, os valores ficaram defasados. Os clubes, especialmente os maiores, reclamavam por receberem pouco. Com a volta das TVs por assinatura à disputa, os valores aumentaram consideravelmente.

Apaixonado por futebol, Alberto Fernández é torcedor do Argentinos Juniors e relatou qual foi o momento de maior glória que viveu como torcedor: uma vitória por 1 a 0 sobre o San Lorenzo em 1981, que salvou o time do rebaixamento e ainda rebaixou o rival. A vitória fez o Argentinos Juniors terminar aquela temporada em 16º no campeonato metropolitano, empurrando o San Lorenzo para 17º.

“Os torcedores do San Lorenzo não vão gostar, mas foi um momento glorioso. É um momento que recordo com maior alegria do Argentinos Juniors. Foi a única vez que pulei no gramado e fui festejar. Eu acredito que era um dos poucos torcedores dos Argentinos Juniors no campo, porque todos eram do San Lorenzo”, contou Alberto Fernández ao TNT Sports.

“Eu gosto dos torcedores do San Lorenzo, mas esse dia éramos muito poucos em um campo de ferro, que sempre nos deu sorte, e parecia impossível que nos salvaríamos, porque nunca um time grande tinha caído. Quero dizer aos torcedores do San Lorenzo que gosto muito deles. Que minha alegria foi que ganhamos de um grande. Nunca quis ofendê-los”, lembrou ainda o presidente.