O presidente da Associação Italiana de Árbitros (AIA), Marcello Nicchi, quer que o VAR tenha mais transparência no seu uso e falou também em uma mudança que seria inovadora: árbitros poderem dar entrevistas depois do jogo. O ex-árbitro esteve presente em uma reunião com o chefe de arbitragem da Serie A, outro ex-árbitro, Nicola Rizzoli, além de jogadores e técnicos.

“Nós queremos rapidamente ajustar as ferramentas para que haja relatórios diários e semanais”, afirmou o chefe de arbitragem italiano. “Toda semana, nós queremos estabelecer alguma coisa onde nós explicamos por que algo aconteceu. Com a sala de controle do VAR, nós iremos abrir um ponto de contato, então os incidentes críticos nos domingos podem ser comunicados imediatamente”.

Além de melhorar o protocolo do VAR, Nicchi acredita que é possível que os árbitros possam quebrar um tabu histórico, não só na Itália, mas no mundo todo do futebol: que eles deem entrevistas.

“Se o ambiente ficar calmo, eu não vejo razões por que os árbitros não possam falar depois dos jogos. Uma vez que a tecnologia está à nossa disposição, nós podemos falar sobre o que aconteceu um pouco antes”, explicou.

“Nós ainda precisamos avaliar as coisas. Houve também alguns incidentes que o comitê de arbitragem deve avaliar e discutir se a situação foi arbitrada de um jeito certo ou errado. Nós estamos trabalhando no VAR em um grande ritmo em Coverciano [sede da Federação Italiana de Futebol, FIGC]”.

O responsável por indicar os árbitros na Serie A, Nicola Rizzoli, também comentou sobre o papel do VAR. “O VAR não nasceu para eliminar os erros, mas para restaurar a credibilidade do esporte mais amado do mundo”, afirmou nesta terça-feira.

“Nós estamos apenas na terceira temporada e certamente irá melhorar. Nesta temporada, o VAR interveio 52 vezes, o que é demais. Isso significa que nós não estamos apitando bem, contudo isso é também porque as regras mudaram. Havia uma conversa sobre intenção nas regras de mão na bola, agora se trata de toque. Hoje, ou resetamos essa palavra [bola na mão, tradução de “handball], ou iremos criar problemas para nós. Isso não significa que as bolas na mão não devam ser tratadas individualmente, mas como muitas pessoas conhecem as regras?”.

“Muitas pessoas não entenderam o que nós falamos em Coverciano no começo da temporada. Talvez nós deveríamos ir a cada um dos clubes para podermos explicar as regras disso, esse é um mea culpa”, continuou Rizzoli. “Nós não podemos esclarecer a aplicação das regras se não sabemos quais elas são, ou então criaremos uma controvérsia sem sentido”.

Seria muito interessante vermos árbitros dando entrevistas, como comentou Marcello Nicchi. Isso ajudaria a esclarecer pontos duvidosos e criaria mais um mecanismo de controle para que o próprio público tenha clareza sobre tudo que acontece, até mesmo para explicar detalhadamente a regra.