Por causa da pandemia, a temporada do futebol argentino será encerrada antecipadamente. O Boca Juniors havia se consagrado como vencedor do Campeonato Argentino, mas a Copa da Superliga seguia em disputa e aguardava-se também a definição dos últimos classificados aos torneios continentais, bem como dos rebaixados. No entanto, o cancelamento das competições prevalecerá – e permitirá uma virada de mesa. Presidente da AFA, Chiqui Tapia anunciou o ponto final nas disputas, com a suspensão dos descensos em todas as categorias e a espera para definir os acessos em campo. A decisão será oficializada nesta terça, em reunião da federação.

“Vamos dar por finalizados os torneios, para poder designar os classificados às competições sul-americanas para o próximo ano. Os classificados para a Libertadores e para a Copa Sul-Americana serão definidos pela tabela geral. Vamos respeitar as colocações vigentes da Superliga e da Copa Argentina. Assim, se resolve a situação até podermos voltar aos gramados. Depois, os acessos de todas as categorias serão definidos jogando em campo, quando as autoridades nos permitirem”, afirmou Tapia, à TNT Sports.

Segundo Tapia, também a próxima temporada da Superliga não terá rebaixamentos – usando como justificativa a questão do promédio. Assim, os cálculos para determinar as piores campanhas serão zerados e só voltarão a ser apontados visando o campeonato de 2021/22. O Comitê Executivo da AFA ainda precisará aprovar a posição orientada pelo dirigente. “Para alguns, pode ser uma medida antipática, mas também há realidades econômicas. No futebol, a recuperação econômica será lenta e as lideranças terão que procurar medidas, como estas que estão praticamente tomadas para gerar novos recursos e sair da crise”, afirmou o cartola.

Boca Juniors, River Plate, Racing e Argentinos Juniors estão confirmados na Libertadores de 2021. Já as vagas na Copa Sul-Americana ficarão com Vélez, San Lorenzo, Newell’s Old Boys, Talleres, Defensa y Justicia e Lanús. Na parte inferior da tabela, o grande beneficiado foi o Gimnasia de La Plata, principal ameaçado pelo descenso. A equipe de Diego Maradona continuará na elite. Todavia, a decisão de recalcular o promédio também salva outros times tradicionais que seguravam a calculadora, a exemplo do Colón e do Estudiantes.

O calendário da Argentina permite aos dirigentes manterem certa calma sobre a retomada das atividades. A previsão no momento é que os jogos oficiais aconteçam a partir de setembro. A maior dúvida se concentra sobre os acessos, já que as divisões inferiores estavam em suas retas finais – e, diante da dependência dos clubes menores por suas bilheterias, torna-se mais complicado realizar os compromissos sem torcida.

“Hoje, não podemos dizer quando jogaremos novamente. Não é nossa decisão. Assim que pudermos, falaremos sobre isso. E se tivermos que jogar em janeiro, jogaremos em janeiro. Necessitamos de uma segurança para saber que não vamos retroceder. Somos muito respeitosos com as medidas sanitárias e todos os argentinos devem cumprir. Ficou claro que o primeiro é preservar a vida acima do lado econômico”, comentou Tapia.

Com 24 clubes, o Campeonato Argentino previa uma redução no número de participantes durante as próximas temporadas. Diante da mudança no regulamento, a competição terá 26 equipes em 2020/21 e 28 em 2021/22. Segundo Tapia, “cerca de 90% dos dirigentes” aceitariam o aumento no número de integrantes na primeira divisão durante os próximos anos. Os presidentes de Boca Juniors e River Plate, porém, foram os primeiros a vociferar contra a ideia. Uma oposição que pode crescer após a reunião desta terça.