Este ano o torcedor brasileiro não vai mais poder reclamar que “hoje não tem futebol”. Isso porque a CBF anunciou ontem, na festa de lançamento do Campeonato Brasileiro, que haverá jogos da primeira divisão às oito da noite de segunda-feira. Isto é, todos os dias da semana serão ocupados por jogos: às segundas ficaremos com partidas da série A, às terças, da B, quartas com A e C, quintas com A, sextas com B, sábados com A e B e domingos com A, C e D. Nada mais justo do que dar ao país do futebol muito futebol.

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Inspirado por campeonatos europeus e ligas como a NFL, o novo modelo começa a valer a partir da 12ª rodada, lá para o final de junho. O horário é ótimo para o torcedor que vai ao estádio, que não ficará dependende da hora em que o transporte público de sua cidade para de funcionar, e poderia, também, servir para os outros dias da semana. E não só isso. Com esse desdobramento da rodada, a distribuição de jogos da série A em cinco dias distintos trará mais visibilidade aos times que, por questões políticas e econômicas dos que ditam as regras do futebol brasileiro, como bem sabemos, não estão sempre em destaque.

Em contramão aos pontos a favor da novidade anunciada, os confrontos às segundas não devem ser transmitidos em canal aberto, visto que a Globo não abriria mão da sua programação habitual em função dessa nova medida. Tampouco na TV fechada. O SporTV, ano passado, não transmitiu os jogos das 11 horas de domingo (que estavam em teste, mas serão definitivos nesta temporada). Só o Premiere FC, canal por assinatura. O certo – e justo – seria se outro canal comprasse os direitos de transmissão do Brasileirão, mesmo que fosse um canal da TV fechada, e exibisse os jogos.

Além da adição do novo horário, outro tema que necessita entrar em pauta é a questão do calendário nacional. Não tem cabimento que cinco times sejam prejudicados na competição por conta do serviço que alguns jogadores prestarão à seleção brasileira. Se os dirigentes da CBF dizem estar se espelhando na Europa com relação a horários, deveriam, também, usar os calendários europeus como exemplo para reajustar o nosso e não lesar alguns clubes em torneios internos. Atlético Mineiro, Santos e São Paulo podem ter desfalques por até 18 rodadas do Brasileirão, já que o lateral esquerdo Douglas Santos, do Galo, o atacante Gabriel, do Peixe, e o zagueiro tricolor Rodrigo Caio foram convocados para a Copa América Centenário e devem estar na lista dos Jogos Olímpicos. Isso precisa mudar.

Parece que, aos poucos, a entidade máxima do futebol no país está acertando em suas decisões. Mas, é lógico que ainda falta muito, mas muito, mesmo, para podermos dizer que o cenário do esporte no Brasil, de fato, começou a melhorar. O calendário continua sendo o principal problema e apesar de medidas como essa, de mais faixas de horário, serem positivas, esse ainda é o ponto que precisa ser resolvido. Calendário, CBF. Calendário. Tem a ver com estaduais, viu? Vai ter que diminuir. Não tem mágica.


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