A Premier League fará uma doação de £ 125 milhões à Football League à National League, o que abrange clubes da segunda à sexta divisão da Inglaterra que sofrem para pagar as contas durante a paralisação do futebol inglês por causa da pandemia de coronavírus.

A liga mais rica do mundo também prometeu doar £ 20 milhões ao Serviço Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido e para comunidades carentes e fará uma proposta de redução de salário de 30% aos jogadores, que se reunirão com o Sindicato dos Jogadores (PFA) e representantes da liga e de treinadores no próximo sábado.

“A liga votou de forma unanime para avançar fundos à Football League e à National League porque está ciente das severas dificuldades que os clubes ao longo da pirâmide estão sofrendo neste momento”, afirmou a Premier League, em comunicado no qual também confirmou a doação ao Serviço Nacional de Saúde.

“A liga, clubes, jogadores e treinadores expressam imensa gratidão pelos esforços heroicos dos funcionários do NHS e outros trabalhadores chaves que estão executando trabalhos essenciais em circunstâncias tão difíceis”, disse. “Em consulta com o departamento de Digital, Cultura, Imprensa e Esporte, a Premier League está imediatamente comprometendo £ 20 milhões apara apoiar o NSH, comunidades, famílias e grupos vulneráveis durante a pandemia de COVID-19”.

As críticas de políticos e do público se intensificaram ao longo desta semana, especialmente porque alguns clubes – Norwich, Tottenham, Newcastle e Bournemouth – anunciaram que utilizarão o programa governamental de retenção de emprego, que cobre 80% dos salários de funcionários que recebem até £ 2,5 mil por mês, antes de cortarem na própria carne, fazendo, por exemplo, acordos com seus jogadores, técnicos e executivos.

O deputado conservador Julian Knight, presidente do comitê de Digital, Cultura, Esportes e Imprensa da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, afirmou que há um “vácuo moral” na Premier League e que o programa do governo não foi designado para que clubes deixassem de pagar seus menores salários e mantivessem altos vencimentos aos jogadores. O secretário de Saúde, Matt Hancock, afirmou que os jogadores da elite precisarão “fazer sua parte” e aceitar reduções salariais.

Uma pesquisa da YouGov descobriu que 92% do povo britânico acredita que as super-estrelas do futebol deveriam cortar seus vencimentos, 67% avaliando que deveria ser pela metade. Por enquanto, o conselho do Sindicato dos Jogadores aos seus membros tem sido de não aceitar nenhum acordo antes que o órgão possa analisar as finanças dos clubes.

Em comunicado, a PFA afirmou que o uso de programas governamentais sem necessidade é prejudicial à sociedade, e que entende que o público quer que os jogadores paguem os salários dos funcionários, mas, se os clubes puderem bancar ambos, deveriam fazê-lo.

“Quando os clubes têm recursos para pagar todos seus funcionários, o benefício de que jogadores paguem os funcionários serve apenas aos interesses dos acionistas”, disse a entidade. “Aceitamos completamente que jogadores terão que ser flexíveis e compartilhar o fardo financeiro da pandemia da COVID-19 para assegurar o futuro em longo prazo do seu próprio clube e do jogo em si”.

Andros Townsend reclamou que os jogadores são “alvos fáceis” para críticas neste momento, e Jordan Henderson, do Liverpool, lidera uma discussão entre capitães da Premier League para estabelecer um fundo com o potencial de doar milhões de libras ao Serviço Nacional de Saúde e/ou outras instituições de caridade, segundo reportagem do The Times, depois confirmada pela BBC e pelo Guardian.

Eddie Howe, treinador do Bournemouth, foi a primeira figura importante da Premier League a se voluntariar a aceitar um corte de salário, embora clubes da Championship, como o Leeds, já tenham colocado essa medida em prática.

Terminar os campeonatos

A Premier League também afirmou que, no momento, o objetivo é disputar as ligas e as copas domésticas até o fim, mas apenas quando for “seguro e apropriado”, e que isso não acontecerá no começo de maio.

“Há um objetivo conjunto de que todos os jogos restantes das ligas domésticas e das copas sejam disputados, permitindo a manutenção da integridade de cada competição. No entanto, a volta dos jogos será feita apenas com apoio total do governo e quando as orientações médicas permitirem”, encerrou.