Os amistosos de pré-temporada não passam de grandes caça-niqueis que não representam necessariamente o que acontecerá quando as competições realmente começarem. Servem para os clubes encherem os bolsos em mercados diferentes, botarem o elenco para rodar e, é claro, observar os detalhes na formação da equipe. Porém, há uma margem entre aquilo que é permitido e o que extrapola a normalidade. Nesta sexta-feira, o Atlético de Madrid foi brutal. Mais insaciável do que nunca, o time de Diego Simeone humilhou o Real Madrid no clássico realizado em East Rutherford. Os colchoneros golearam os merengues por 7 a 3. Sim, senhoras e senhores, SETE GOLS, numa surra sem qualquer desculpa pelo caráter amistoso da ocasião.

Zinedine Zidane não pode nem botar a culpa na escalação. O Real Madrid entrou em campo com boa parte de seus titulares. Estavam presentes desde o apito inicial vários medalhões, como Sergio Ramos, Marcelo, Luka Modric, Thibaut Courtois, Toni Kroos e Isco. Também os novos contratados Eden Hazard e Luka Jovic participaram da vergonha. Vinícius Júnior foi outro que não conseguiu se salvar, presente no 11 inicial. Já o Atleti apostou em um time que, principalmente na defesa, tinha vários jogadores em fase de adaptação. Kieran Trippier, Mario Hermoso e Renan Lodi ganhavam sequência atrás. Já na ligação, João Félix mostrou a que veio.

Com fome de jogo, o Atlético de Madrid não demorou a iniciar o baile. No primeiro minuto, Diego Costa abriu o placar, contando com um desvio na marcação. João Félix ampliou aos oito, em assistência de Saúl. E, mesmo com Álvaro Morata precisando sair por lesão, Ángel Correa entrou para marcar o terceiro aos 19, após passe açucarado de Koke. Diego Costa não quis dar trégua e assinalou o quarto aos 27, punindo um erro de Sergio Ramos na saída de bola, antes de completar sua tripleta aos 45, em cobrança de pênalti. Parecia inacreditável, mas os colchoneros foram para os vestiários enfiando 5 a 0 nos rivais.

Pior de tudo, a impressão era de que o placar estava barato. Vinícius Júnior chegou a carimbar a trave, mas o Atlético criou outras tantas ocasiões além dos cinco gols. Que fosse um time tratando o clássico a sério contra outro totalmente indolente, impressionava a maneira como as jogadas ofensivas dos colchoneros esfarelavam a defesa merengue. A certa altura, o time de Zidane precisava se esforçar para evitar a humilhação. Era incapaz. Como se não bastasse, Jovic ainda se lesionou, dando lugar a Benzema.

Durante o segundo tempo, o Atlético de Madrid foi mais “econômico”, mas nem por isso deixou de infligir a hecatombe ao Real Madrid. Diego Costa tinha sangue nos olhos e fez o sexto gol aos seis minutos. João Félix enfiou e o matador deu um leve toque para encobrir Keylor Navas, que saíra do banco. Nacho até descontou aos 15, num rebote. Só que Diego Costa realmente chamava os holofotes para si. Para variar, o centroavante arrumaria confusão e seria expulso ao lado de Dani Carvajal. O lateral fez uma falta dura em Thomas Lemar, com um chute no joelho do francês. O sergipano tomou as dores do colega e revidou o golpe no rival, pegando-o sem a bola. Depois, os dois passaram a se empurrar, até que tomassem o vermelho direto.

A poeira logo baixou, também pelas muitas substituições. E Vitolo foi o carrasco a colocar o emblemático 7 a 1 no placar, aos 25. O atacante arrancou como bem entendeu, sob os olhares complacentes dos oponentes, e bateu da entrada da área para estufar as redes. Na sequência, Keylor Navas realizou dois milagres para evitar o oitavo de um Atlético de Madrid vislumbrando a ocasião histórica. E a situação só não ficou tão feia porque o Real Madrid anotou dois gols nos cinco minutos finais, graças a um pênalti convertido por Benzema e a Adrián de la Fuente pegando uma sobra em cima da linha. De qualquer maneira, o estrago já estava feito. Os madridistas não esperaram nem a temporada começar para ver a névoa da crise tomar o Bernabéu. O time fica pressionado para dar uma resposta rapidamente.

O personagem óbvio da partida é Diego Costa, por seus quatro gols. Contudo, outro protagonista que acabou com o jogo foi João Félix. O garoto já começa a justificar a montanha de dinheiro paga em sua transferência. O gol que marcou, numa finalização de primeira, foi o de menos. Ele ainda participou de outros três tentos dos colchoneros, contribuindo com velocidade, qualidade nos passes e muita habilidade nos dribles. Certamente os defensores merengues terão pesadelos com o novo rival. E ele deu motivos para, de cara, cair nas graças da torcida do Atleti. Um placar desses não se esquece, mesmo que seja na pré-temporada.