Sem emoção, nem parece ser Atlético Mineiro. O clube se acostumou a disputar jogos cardíacos nos mata-matas durante os últimos anos. E não foi diferente na volta das semifinais da Copa do Brasil, ainda que sem os requintes de crueldade – e milagre – das várias ocasiões anteriores. O time misto não foi desculpa para o Internacional, que lutou e colocou o Galo nas cordas durante boa parte do tempo. No entanto, os alvinegros se recuperaram para buscar o empate por 2 a 2 e voltar à final após dois anos, desta vez para encarar o Grêmio. A taquicardia, de qualquer maneira, foi um tanto quanto desnecessária. Pelo elenco que tem, os atleticanos não precisavam sofrer da maneira que sofreram.

Obviamente, o Inter merece os seus créditos. Apesar da eliminação, a equipe não deixou de lutar. Saiu em vantagem com Aylon e depois retomou a dianteira com Anderson, aproveitando o erro bisonho de Victor. Aliás, o empenho do meio-campista impressionou. Talento nunca foi o seu problema, mas era difícil ver tamanha consistência em uma atuação sua. Ajudou a manter as expectativas dos colorados vivas, mais até do que muitos esperavam.

O Atlético, entretanto, buscou o prejuízo. E graças às vastas opções no ataque. Foi uma noite de Lucas Pratto e Robinho. A combinação entre os dois acabou sendo letal. Com 25 gols no ano, mesmo sem decidir sempre, o brasileiro se mostra um grande acerto dos mineiros, dissipando boa parte das desconfianças sobre si. Por outro lado, o argentino ressaltou a capacidade de um centroavante que se faz muito mais importante do que somente na hora de finalizar. No primeiro tento, méritos de Pratto na arrancada, rolando para o camisa 7 bater com categoria. Já no segundo, saltou aos olhos o excelente toque de primeira de Robinho, deixando o companheiro na cara do gol.

Poderia até ter sido mais, não fossem as ótimas defesas de Danilo Fernandes na sequência do segundo tempo, quando o Inter também se encolheu. O problema foi o risco desnecessário que o Galo precisou passar. É um time muito bom, com um dos elencos mais qualificados do futebol brasileiro – talvez o mais. Só que, ainda assim, não dá para depender apenas da qualidade individual, como vem acontecendo. O futebol coletivo dos atleticanos deixa a desejar, sobretudo na exposta defesa, como ficou claro diante dos colorados. A responsabilidade recai nas costas dos talentos, que, ao menos desta vez, não deixaram os torcedores na mão.

A crítica vem se tornando recorrente aos trabalhos de Marcelo Oliveira – como em sua passagem pelo Palmeiras. Mesmo com ótimos jogadores à disposição, o encaixe é raro. Os resultados partem da inteligência de quem está em campo. Não deveria ser assim. Contra o Juventude, diante da noite inspirada do goleiro Elias, esta falta de solidez quase complicou o Galo. O mesmo nesta quarta, com o Inter dando calor. Sobra intensidade, falta organização coletiva. Ao menos, Robinho e Pratto evitaram o pior. Abrilhantaram a belíssima festa feita pela torcida nas arquibancadas do Independência, antes e durante a partida.

Na decisão, a princípio, o Atlético terá um desafio maior, ainda mais pela maneira como o Grêmio se impôs sobre o Cruzeiro. Capacidade não falta aos alvinegros para voltar a levantar o caneco após dois anos. Só não dá para ficar apenas dependendo da inspiração de seus protagonistas. Às vezes, pode não funcionar. E, diante dos problemas como equipe, o risco é inegável, como foi contra o Inter.

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