O Mundial de Clubes seguirá o seu caminho itinerante em 2015. A competição completará o seu biênio no Marrocos com a certeza de que ainda há muitos países dispostos a dar um grande espetáculo. A forma como os marroquinos abraçaram o torneio em 2013 é simbólica, principalmente pela campanha do Raja Casablanca, e não deverá ser tão diferente assim na edição que começa nesta quarta. Depois disso, no entanto, o destino do Mundial é um grande enigma. A Fifa até mencionou o interesse de Índia e Japão (outra vez) em sediar a copa, mas não há nada de oficial ainda. E isso porque os comparsas de Sepp Blatter prometeram anunciar o destino em setembro, algo que ainda não aconteceu.

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Se todo o processo está atrasado mesmo, ainda temos tempo para iniciar uma campanha: Fifa, abre o olho e traga logo o Mundial de volta para a América do Sul. Os velhinhos reunidos na Suíça não precisam de muitos argumentos para a escolha. Afinal, não há melhor razão do que a Copa do Mundo de 2014. O Brasil sediou o torneio, mas o Mundial foi, de fato, de todos os sul-americanos. A competição não era disputada no continente desde 1978 e, por isso mesmo, não havia melhor oportunidade para se aproveitar. Não à toa, a invasão dos vizinhos em terras brasileiras foi notável – mesmo de bolivianos, paraguaios, peruanos e venezuelanos, que sequer se classificaram nas Eliminatórias.

O espetáculo dado a cada partida dos sudacas. A paixão de argentinos, chilenos, colombianos, equatorianos e uruguaios torou a Copa ainda mais grandiosa. Mesmo o comportamento da torcida brasileira impressionou, evoluindo do costumeiro “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. E, convenhamos, não há melhor maneira de valorizar um torneio como o Mundial de Clubes do que através da atmosfera da torcida.

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Os estádios podem não ser os melhores. Mas um Mundial com cara de Libertadores seria inesquecível. Os anfitriões dariam início à loucura nas arquibancadas logo no jogo inaugural, enquanto algumas centenas de quilômetros não seriam empecilho para a presença massiva dos campeões sul-americanos a partir das semifinais. Nos outros jogos, enfim, poderia se repetir a zoeira dos brasileiros que imperou nas partidas da Copa em que não havia torcidas tão evidentes. A chance de fazer o Mundial ser de todos os sul-americanos também.

O Brasil, que já se ofereceu para 2017-18, poderia inaugurar um tour sul-americano. Que se seguiria pelos outros países nos anos seguintes, com a Argentina se colocando à frente da concorrência, como também se especulou recentemente. A Fifa nem precisaria ser tão exigente assim com as estruturas de um torneio que está longe de ser a Copa, mas tem potencial para lotar as arquibancadas, especialmente com ingressos a preços acessíveis. Já imaginou o êxtase de uma vitória no Castelão? A pressão contra um visitante na Bombonera? A grandiosidade de uma final no Centenário? A recepção aos times no El Campín? A dificuldade em lidar com a altitude do Olímpico Atahualpa? Será que os estrelados times europeus aguentariam o tranco?

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Obviamente, imaginar que a Fifa aceitaria realizar o Mundial de Clubes nos dez países da América do Sul é devaneio. Porém, se Equador, Peru, Chile e Colômbia já receberam o Mundial Sub-17 ou o Sub-20, não há motivos para tirá-los do páreo. Segundo a própria entidade, as competições de base servem para estimular o futebol em países em desenvolvimento. Algo que também pode ser aplicado para o Mundial de Clubes. E a Copa de 2014 deixou bastante claro que a América do Sul não deve ficar tanto tempo sem receber torneios internacionais, ainda mais quando a paixão clubística está envolvida. Se a mensagem não foi captada, a gente faz questão de gritar, como em um bom jogo com estádio lotado.

E se alguém ainda não estiver convencido, é impossível ignorar essa galeria com imagens de 12 estádios de nossos vizinhos do continente: