O futebol italiano retornou com um jogo de peso: Juventus e Milan faziam o duelo de volta pelas semifinais da Copa da Itália em Turim, após o empate por 1 a 1 em Milão. A tradição dos oponentes, porém, não significou que a partida foi boa. Os primeiros 15 minutos concentraram em si toda a dose de emoção, com um pênalti desperdiçado por Cristiano Ronaldo e a expulsão imediata de Ante Rebic por uma entrada violenta. Mas a superioridade numérica não fez os bianconeri apertarem tanto o ritmo, satisfeitos com a classificação pelo gol fora, enquanto os rossoneri pareciam mais preocupados em não tomar uma saraivada. Acabou um 0 a 0 sem graça, com a falta de fôlego dos times atrapalhando ainda os minutos finais.

A Juventus exerceu um domínio total durante os primeiros minutos. Mantinha o controle da bola e pressionava bastante o Milan, sitiando o campo de ataque. Os rossoneri mal conseguiam passar da linha central. Foram alguns arremates sem tanta direção, até que o duelo começasse a se definir aos 12 minutos. Após um cruzamento na área, Andrea Conti estava com o braço aberto e tocou na bola antes que Cristiano Ronaldo também usasse o braço. Com a revisão do VAR, a marcação foi confirmada, num lance parecido ao que valeu o empate da Juve na ida.

Cristiano Ronaldo pegou a bola e mirou o canto direito de Gianluigi Donnarumma. Mas exagerou na tentativa de tirar do goleiro, que triscou na bola antes que ela se chocasse contra o poste. O Milan, no entanto, mal pôde sentir alívio. Na sequência do lance, como um bom aprendiz de Nigel De Jong, Ante Rebic deu um golpe de artes marciais em Danilo numa disputa pelo alto e viu o vermelho direto, com justiça. Diante da maneira como os juventinos atuavam, o duelo ficaria ainda mais marcado pela superioridade dos anfitriões. Gianluigi Buffon poderia ter tirado um cochilo do outro lado.

Se o Milan tinha um “plano de jogo”, este era evitar o gol e buscar um contra-ataque fortuito. Contudo, os rossoneri não encaixavam suas transições, após perder a referência de seu ataque. A Juventus apertava, mas nem precisava sufocar os visitantes. Também não era uma atuação tão precisa da Velha Senhora, ainda sem apresentar sua melhor forma. Donnarumma foi exigido vez ou outra, mas manteve a segurança. Na principal defesa da primeira etapa, rebateu no susto um tiro frontal de Blaise Matuidi.

Na volta ao segundo tempo, o Milan finalmente assustou em cabeçada de Hakan Çalhanoglu que seguiu para fora. Mas não foi este o padrão da partida, com a Juventus ainda cadenciando as ações. Dybala bem que tentava, mas a pontaria dos bianconeri não estava das melhores. Além disso, a defesa milanista também merecia os créditos por travar os ataques. Mas era uma exibição longe de satisfazer, já que o gol necessário para a classificação não parecia prioridade ao time de Stefano Pioli.

Com as cinco substituições, os times trocaram suas peças. Maurizio Sarri tentou imprimir uma nova postura ao meio-campo da Juve, com três mudanças antes dos 20 minutos. Enquanto isso, o Milan até botou Rafael Leão, mas demorou a fazer outras trocas. O clássico caía de ritmo, pelas condições limitadas dos jogadores após meses parados. Ainda houve certa emoção por volta dos 30 minutos, com os milanistas jogando a bola na área. Simon Kjaer ameaçou numa cabeçada para fora. Mesmo assim, Donnarumma seria mais testado que Buffon, espalmando um arremate de Dybala e também evitando o tento de Alex Sandro no finalzinho.

Mesmo jogando pior que os mandantes no San Siro, a Juventus se valeu do gol fora de casa. O clube superou o Milan numa eliminatória da Copa da Itália pela nona vez consecutiva. São seis classificações em fases até as semifinais e três decisões vencidas pela Juve desde 1990. Os rossoneri não ganham uma partida sequer dos rivais pelo torneio desde 1985. E a Velha Senhora aguardará o vencedor do confronto entre Napoli x Internazionale, que acontecerá no San Paolo neste sábado, após o triunfo celeste por 1 a 0 em Milão. A decisão está marcada para a próxima quarta-feira.