A partir de meados do segundo turno, a confiança havia chegado às alturas. O Avaí pegou embalo na Série B e nada parecia capaz de derrubá-lo rumo à elite do Brasileirão. Depois da primeira rodada do returno, o Leão da Ilha emendou nove vitórias em dez rodadas. De virtual ameaçado pelo rebaixamento, o clube se tornou seríssimo candidato ao acesso, aproveitando-se do equilíbrio na tabela. E, apesar da derrota na visita ao Atlético Goianiense, a única desde então, a arrancada marcante terminou em comemoração neste sábado. A vitória fora de casa sobre o Londrina, por 1 a 0, carimbou o bilhete dos avaianos no retorno à primeira divisão.

VEJA TAMBÉM: Do medo do rebaixamento ao G-4, o Avaí protagoniza uma arrancada sensacional na Série B

É até estranho lembrar que, durante boa parte da década passada, o Avaí ficou lembrado como o time do “quase” na Segundona. De 1999 a 2007, o clube rondou as primeiras colocações da Série B, mas nunca conseguia confirmar o acesso. Em 2004, inclusive, a festa só não aconteceu por causa dos critérios de desempate contra o Fortaleza, em ano no qual subiam apenas duas equipes. A festa só veio a se romper em Florianópolis em 2008. Terceiro colocado na competição, o Leão disputaria a primeira divisão desde 1979. A partir de então, se firmaria como uma figurinha carimbada na elite.

Nas últimas nove temporadas, nenhum outro clube conquistou tantas vezes o acesso à Série A: três no total – o Vasco, caso faça sua parte no sábado, pode igualar a marca, mas como um tamanho e uma obrigação muito maiores para isso. Há um lado negativo no feito, considerando a falta de estabilidade para se manter no primeiro nível. De qualquer maneira, apenas o fato de aparecer com tamanha frequência na elite já vale bastante ao Avaí, um patamar do qual esteve distante por três décadas. Para uma equipe que, historicamente, quase sempre se limitou a uma amplitude regional, marcar presença nacional desta forma possui um grande significado.

Neste ano, boa parte da torcida não esperava o acesso. O Avaí vinha de uma campanha ruim no Catarinense e com um elenco que não prometia tanto, após diversas perdas com a queda no Brasileiro de 2015. Contudo, o Leão se encaixou durante campanha. Entre as mudanças no comando, a chegada de Claudinei Oliveira logo no início do returno se provou fundamental. Ele priorizou a defesa e iniciou a ascensão. Além disso, o time se encorpou, com a contratação de jogadores como Betão e João Filipe. Protagonizada pelo goleiro Renan (ex-Botafogo) e pelo veterano Marquinhos, a equipe passou 12 dos últimos 15 jogos sem ser vazada. Neste intervalo, a média de gols sofridos foi de apenas 0,33 por partida, um número espetacular – e que só não foi melhor por causa da derrota por 3 a 0 para o Atlético Goianiense.

Neste momento, o Avaí tem o direito de comemorar. Mas também precisa manter os pés no chão, em um planejamento que deve começar o quanto antes. A queda em 2015, um ano após subir, serve de lição, assim como há o exemplo do rival Figueirense em Florianópolis. Que o trabalho seja bom o suficiente para colocar o Leão sempre no páreo pelo acesso, a torcida na Ressacada deseja sofrer um pouco menos, se mantendo por algumas temporadas na elite. Um pouco de estabilidade vale mais do que ser o ‘rei do acesso’.