O Frosinone era favoritíssimo a subir à Serie A. Entrou na zona de acesso direto em meados do primeiro turno e permaneceu por lá por 19 rodadas, inclusive ocupando a liderança em parte do período. Sofreu uma queda decisiva em meados de abril, superado por Spal e Verona, mas nem tudo estava perdido. Caso não conseguisse ultrapassar os concorrentes, poderia assegurar uma vaga direta mesmo em terceiro, desde que abrisse 10 pontos de vantagem sobre o quarto colocado. Fechou a fase de classificação com nove. E, nos playoffs, deu uma refugada imensa nesta segunda. Com dois jogadores a mais, dentro de casa, frustrou sua torcida com a eliminação para o Carpi.

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Obviamente, há méritos do Carpi nessa história. Os alvirrubros terminaram a temporada regular em sétimo, derrubaram a Cittadella fora de casa na etapa anterior dos playoffs de acesso e foram encarar os favoritos. De qualquer maneira, o fracasso retumbante do Frosinone parece pesar mais. Depois do empate sem gols na ida, bastava confirmar a supremacia diante de sua torcida. Não aconteceu. E mesmo quando tudo conspirava a favor, quando o resultado parecia pronto para vir por inércia.

Parando em ótimas defesas do goleiro Vid Belec, o caminho se abriu para o Frosinone aos 45 do primeiro tempo, quando Aljaz Struna recebeu o segundo cartão amarelo. Melhorou ainda mais aos 36 da segunda etapa, em novo segundo amarelo para Riccardo Gagliolo, logo após um pênalti claro não assinalado para o Carpi – que, aliás, viu o árbitro ser um tanto quanto caseiro, mostrando cartões para oito de seus jogadores. E quando os visitantes precisavam se agarrar na fé para superar o quadro dificílimo, Gaetano Letizia acertou um chutaço de longe. O do milagre, que puniu a incompetência dos anfitriões e colocou os alvirrubros na fase final dos playoffs.

O apito final foi seguido por minutos de tensão no Estádio Matusa. Parte da torcida se exaltou e bombas de gás foram atiradas na saída do local. A situação, ao menos, se apaziguou. Pior será para o Frosinone seguir em frente. O técnico Pasquale Marino se demitiu logo na entrevista coletiva, enquanto alguns jogadores falavam sobre as dificuldades de seguir em frente, depois de tamanha frustração. Nas manchetes dos jornais, chegaram mesmo a estampar o “suicídio esportivo” da equipe.

Já ao Carpi, resta seguir em frente com uma dose cavalar de empolgação. Os alvirrubros pegarão o Benevento, que também surpreendeu ao eliminar o Perugia nesta terça. Mas não com tais contornos épicos, superando tantos obstáculos. Se o acesso vier, será para se comemorar por uma semana inteira.