Portugal

Vale a pena acompanhar a emocionante reta final do Campeonato Português

O Campeonato Português não é dos que apresentam melhor nível técnico e nem uma organização de dar inveja. Não está nem mesmo na lista das principais ligas europeias, embora seja uma competição relevante do segundo escalão de campeonatos nacionais no velho continente. E ainda conta com o velho problema (comum também em ligas maiores) de ter quase sempre os mesmos times levantando o troféu de campeão. Mas, ao menos nesta temporada, sobram motivos para acompanhar de perto as emoções de sua reta final.

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Faltando duas rodadas para o término do campeonato, Benfica e Sporting estão separados por apenas dois pontos (82 a 80). Uma vantagem, aliás, que os encarnados conseguiram ao ganhar do rival por 1 a 0, fora de casa, sete rodadas atrás.

Somente este equilíbrio – entre dois rivais separados por apenas três quilômetros em Lisboa – já seria suficiente para dar um charme especial ao momento decisivo do campeonato nacional. Mas não é só isso. Afinal, como quase tudo que cerca o futebol português, há polêmicas, declarações fortes e provocações de todos os lados.

O principal ingrediente para tornar ainda mais saborosa esta decisão talvez esteja no banco de reservas dos leões. Jorge Jesus era treinador do Benfica até a temporada passada (ficou seis anos na Luz) e trocou o clube pelo rival numa transação surpreendente. Hábil com as palavras e sabedor de que precisa tentar tirar a estabilidade emocional do adversário, ele não se acanha em fazer parte do jogo das provocações. Depois de vencer o Porto por 3 a 1, em pleno estádio do Dragão, na antepenúltima rodada, sábado (30), Jesus “lembrou” na entrevista que seu time ganhou quase todos os clássicos que disputou na temporada, enquanto o Benfica perdeu cinco dos seis jogos contra os maiores rivais.

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A provocação de Jorge Jesus tinha por destino Rui Vitória, o emergente treinador encarnado. Via imprensa, os dois têm trocado farpas desde o início da temporada.

Dentro de campo, as campanhas das duas equipes mostram também um grande equilíbrio e um momento que pode ser classificado de único para ambas. O Benfica soma 10 vitórias consecutivas, arrancada que o fez alcançar o primeiro lugar e permanecer na liderança. O Sporting, por sua vez, venceu os últimos sete jogos que disputou – o último revés foi justamente diante dos encarnados.

Na vitória sobre o Porto, o time de Jorge Jesus mostrou força tanto do ponto de vista técnico quanto do mental. Ainda que os dragões não tenham mais qualquer ambição no campeonato, vencer um adversário deste porte e jogando fora de casa nunca é simples. O Sporting não só venceu, como foi muito superior na partida e soube ter equilíbrio emocional quando tomou o gol de empate.

No dia anterior, o Benfica – que parece estar sofrendo mais o desgaste físico e mental desta reta final – teve dificuldades para bater o Vitória de Guimarães por 1 a 0, em casa.

‘Jogo da mala’

Na próxima rodada, a penúltima do campeonato, os leões entrarão antes em campo e terão a chance de, ao menos temporariamente, roubar a liderança e jogar a pressão para cima do rival. O Sporting recebe o Vitória de Setúbal (atual 15º e com risco remoto de rebaixamento) no sábado (7), em Alvalade.

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O Benfica entra em campo no dia seguinte, quando faz o jogo de encerramento da rodada, fora de casa, diante do Marítimo. Uma partida que, somente para não perder o costume do futebol lusitano, já está causando polêmicas. Isso porque, na rodada recém-encerrada, o Marítimo poupou cinco de seis jogadores que estavam pendurados na derrota para o Estoril por 2 a 1.

A versão oficial do técnico Nelo Vingada é que, como já não corre mais qualquer risco de rebaixamento (o time é o 12º colocado), preferiu dar rodagem a jogadores mais jovens e pensar na preparação da equipe para a final da Taça da Liga. Para os benfiquistas, porém, a atitude sugeriu uma ajuda ao rival Sporting. O diretor de comunicação do clube encarnado, João Gabriel, escreveu em sua conta do Twitter que “o jogo da mala segue para a Madeira”, insinuando que o Marítimo esteja recebendo vantagens para dificultar a vida benfiquista.

Curiosamente, é pela própria Taça da Liga que o Benfica entra em campo nesta segunda-feira (2), quando recebe o Braga, em jogo válido pela semifinal da competição. Quem vencer jogará a final justamente contra o Marítimo, já classificado há bastante tempo. É praticamente certo, porém, que Rui Vitória colocará em campo um time alternativo.

Na rodada final do Portuguesão, em 15 de maio, o Sporting se desloca para encarar o Braga e o Benfica joga em casa, diante do Nacional. Daqui até lá, serão duas semanas intensas, em que valerá a pena acompanhar os acontecimentos de dentro – e de fora – do campo.

Quase rebaixados

Na briga contra o rebaixamento, abordada na semana passada pela coluna, o União da Madeira conseguiu uma vitória importantíssima: 3 a 1 sobre a Acadêmica, resultado que lhe dá cinco pontos de vantagem sobre a própria Briosa, time que abre o Z2. Assim, é quase certo que Acadêmica e Tondela estarão na segunda divisão da próxima temporada.

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