Portugal

Sofrimento da torcida: Acadêmica luta contra o rebaixamento pela 12ª vez em 14 anos

A briga palmo a palmo entre Benfica e Sporting pelo título português está empolgante, mas não é a única disputa importante nesta reta final da temporada lusitana. A parte de baixo da tabela também reserva emoções fortes, na corrida contra o rebaixamento.

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Faltando três rodadas para o término do Campeonato Português, a matemática aponta seis times ainda lutando para escapar das duas últimas posições: Moreirense (32 pontos), Boavista (29), Vitória de Setúbal (29), União da Madeira (26), Acadêmica (24) e Tondela (23). Na prática, porém, a briga deve ficar mesmo entre os três últimos – apenas um deles se salvará.

Tondela e União da Madeira são equipes que subiram à primeira divisão na temporada passada, o que faz com que não haja surpresa no fato de estarem brigando para não cair. A mesma surpresa que, incrivelmente, também falta à má campanha da Acadêmica, apesar de toda a tradição do clube de Coimbra.

Nas últimas 13 temporadas, a Briosa só não brigou até as rodadas finais para escapar do rebaixamento em duas delas. Em 2015/16, a expectativa era de que as coisas pudessem melhorar um pouco e o time fizesse uma campanha que, se não fosse brilhante, ao menos poupasse o coração do torcedor de tanto sofrimento sempre nesta época do ano.

Mas não foi o que aconteceu. O técnico José Viterbo, que havia salvado a equipe do rebaixamento na temporada passada, só durou cinco rodadas (e cinco derrotas) no cargo. Pediu demissão e deu lugar a Filipe Gouveia, que melhorou um pouco as coisas, mas não o suficiente para evitar o sufoco.

As 64 participações da Acadêmica na elite do futebol português dão sustento à tradição do clube. É verdade que foram poucas as campanhas de arrancar suspiros dos torcedores (como o vice-campeonato em 1966/67), mas o fato de estar na primeira divisão tornou-se praxe em Coimbra.

Por outro lado, tamanha tradição não sustenta sucessivas campanhas ruins. A desta temporada, por exemplo, não tem nem sequer uma vitória fora de casa. A situação só não é pior porque o nível do futebol português, especialmente da metade para baixo da tabela de classificação, não é dos mais inspiradores.

E para se manter na Primeira Liga por mais uma temporada, a Briosa terá de fazer exatamente o que ainda não conseguiu: vencer longe de Coimbra. Dos três jogos que lhe restam, dois são como visitante (contra União da Madeira e Tondela) e um na condição de mandante (diante do Braga).

O duelo contra o União da Madeira, aliás, será o jogo mais interessante da próxima rodada (exceção feita ao clássico Porto x Sporting). Marcado para domingo (1º), na Ilha da Madeira, será o confronto direto entre dois dos três times que brigam ponto a ponto contra a degola. Quem vencer abrirá vantagem e ainda afundará o rival.

A Acadêmica ainda pode escapar do rebaixamento. Mas a pergunta que fica é: valerá a pena? Ou na próxima temporada o filme se repetirá, com o planejamento mal feito e o elenco fraco fazendo com que a Briosa, de novo, dispute as últimas posições?

É evidente que torcedor nenhum quer ver o time rebaixado. No caso da torcida de Coimbra, o desejo vai um pouco mais além: ela só quer uma equipe mais competitiva, que, ainda que não consiga brigar por grandes feitos, pelo menos pare de causar tanto sofrimento.

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