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Seleção sub-21 reacende esperanças de renovação em Portugal

Há duas semanas, a coluna abordava a necessidade de renovação na seleção portuguesa e a maneira como seu novo técnico, Fernando Santos, pretende conduzir o processo. Ao assumir o cargo, ele foi logo dizendo que não gosta da palavra “renovação”, pois acha que a entrada de novos jogadores no time deve ser feita aos poucos, para que eles sejam mesclados com os mais experientes.

O que talvez pouca gente contasse era com a chance de Portugal ter uma ótima geração sub-21. Ainda é uma possibilidade, pois nem sempre garotos bons de bola se transformam em craques ou jogadores competitivos. Mas as apresentações do time nas eliminatórias para a Eurocopa da categoria mostram que é possível ter muita esperança num futuro promissor.

Portugal venceu todos os nove jogos que disputou até agora, incluindo a partida de ida do playoff decisivo (2 a 0 na Holanda, fora de casa). Se levarmos em conta também as partidas amistosas, já são 13 vitórias consecutivas – a última derrota aconteceu em março de 2013, contra a Suécia. Tamanho aproveitamento já faz até a equipe lembrar a geração de Rui Costa, Figo e João Pinto, que ficou invicta por 21 partidas, entre 1991 e 1994.

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O duelo contra a Holanda foi um grande exemplo do poder de fogo da atual geração sub-21 lusitana. Nem tanto por deixar Portugal muito perto da vaga para o torneio continental, que será disputado no ano que vem, na República Checa. Mas pela maneira como o time superou desfalques e um antecedente de derrotas para o mesmo adversário e praticamente não permitiu que os donos da casa respirassem em campo. Tanto que houve quem lamentasse a vitória “somente” por 2 a 0, já que a equipe produziu o suficiente para construir um placar mais elástico.

Dirigido pelo técnico Rui Jorge, Portugal entrou em campo sem William, João Mário e André Gomes, todos convocados por Fernando Santos para a seleção principal (olha a renovação aí). Entre titulares e reservas, havia ainda outros cinco jogadores contundidos. Ou seja: uma razoável lista de desfalques.

Com exceção da bola na trave logo nos minutos iniciais, Portugal não sofreu pressão do adversário. Jogando com a marcação adiantada e um losango bem definido no meio-campo, o time limitava os espaços da Holanda e ia construindo o resultado naturalmente. E Bernardo Silva, meia emprestado pelo Benfica ao Mônaco, ia se destacando. Ele sofreu o pênalti que Sérgio Oliveira bateu para abrir o marcador (Carlos Mané fez o segundo gol) e foi o melhor em campo. Tanto que virou Trending Topics no Twitter de Portugal, muito em função de benfiquistas pedindo seu retorno à Luz.

Depois da partida, Rui Jorge falou sobre um dos fatores que, acredita, explica o sucesso da equipe. “Se fizemos esta campanha até agora, é porque adotamos um estilo de jogo e o seguimos. Por isso, temos sido superiores aos adversários. Assim, não faz sentido mudar”, analisou o treinador. O estilo de jogo citado por ele tem como ingredientes principais a marcação na saída de bola do adversário e a mobilidade dos atacantes Ricardo Pereira e Ivan Cavaleiro, que são auxiliados por Bernardo Silva.

O jogo da volta entre Portugal e Holanda será disputado no dia 14 de outubro, em Paços de Ferreira. As chances de a seleção portuguesa se classificar para a Euro sub-21 (competição que não disputa desde 2007) são muito grandes. Mas, tanto quanto ou até mais importante do que isso, é o fato de que a geração atual é a que mais se aproxima daquela dos anos 90.

Fernando Santos pode até não gostar da palavra, mas a renovação se impõe – e talvez seja mais fácil do que ele imagina.

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