Portugal

Resumo da temporada – Parte I

Na coluna passada, foi dado início à série de “reviews” da temporada recém-findada do futebol em Portugal, com a eleição da seleção do campeonato. Agora, é a vez de iniciar a análise geral da competição, olhando time por time para se tentar explicar o que foi a época 2010/11 da bola na terrinha. Para começar, falar-se-á sobre a metade de baixo da tabela final de classificação, contando a trajetória dos times situados entre o 9º e o 16º lugares.

 

Naval

Colocação final: 16º, com 23 pontos
Técnicos: Victor Zvunka (até 6ª rodada), Rogério Gonçalves (até 14ª rodada) e Mozer
Maiores vitórias: 3×1 Acadêmica (19ª rodada) e 3×1 Olhanense (25ª rodada)
Maior derrota: 4×0 Benfica (11ª rodada)
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Godemeche
Decepção: Previtali
Artilheiro: Fábio Júnior (4 gols)
Nota da temporada: 3,5

Dona da pior média de público do campeonato, a Naval é o time que, por aqui, dir-se-ia: “não fará falta”. E os figueirenses fizeram por onde. Salvo exceções, como o goleiro Salin, o volante Godemeche e os esforçados (ainda que pouco eficientes à frente) atacantes Edivaldo “Bolívia” (que defenderá Los Verdes na Copa América) e Fábio Júnior, a equipe de Figueira da Foz, de quem se esperava uma posição intermediária, decepcionou. Previtali, que chegou no começo da temporada com perspectivas de goleador, marcou somente duas vezes e pouco antes do segundo turno, perdeu o posto de titular. Passou 23 rodadas consecutivas na zona de rebaixamento, além de ter ficado, nas quatro anteriores, no antepenúltimo lugar.

A pífia defesa, que levou 51 gols. As coisas estavam muito difíceis, mas esboçou-se uma reação quando Mozer chegou. Com muitas dificuldades (técnicas e financeiras), mas motivados pela vinda do novo treinador, os figueirenses chegaram a emplacar seis partidas invictos, entre a 17ª e a 22ª rodadas, além de mais três partidas sem derrota da 24ª a 26ª jornadas. No entanto, nessas nove partidas, foram somente três vitórias. Pouco para uma equipe que sonhava com a permanência. As quatro derrotas consecutivas na reta final decidiram a queda.

 

Portimonense

Colocação final: 15º, com 25 pontos
Técnicos: Litos (até 14ª rodada) e Carlos Azenha
Maior vitória: 3×1 Rio Ave (4ª rodada)
Maior derrota: 3×0 Braga (16ª rodada)
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Ventura
Decepção: Candeias
Artilheiro: Pires (4 gols)
Nota da temporada: 4

Um clube que passa 22 das 30 rodadas da competição na zona de rebaixamento e que teve como melhor momento o 10º lugar na 4ª jornada não podia ter outro destino que não o rebaixamento. Apesar de a presença da torcida ter quase dobrado em relação a 2009/10, o time não correspondeu em campo. Jogadores de quem se esperava bastante, como o atacante Candeias, o meia André Villas Boas e mesmo o armador Jumisse, que começou bem a época, não mostraram regularidade e sucumbiram juntamente da equipe. Após uma fase pífia que se estendeu principalmente até a 20ª rodada, com apenas duas vitórias obtidas, os alvinegros do Algarve esboçaram uma reação após baterem o Beira-Mar fora de casa.

Chegaram a emplacar quatro jogos de invencibilidade, mas derrotas para Acadêmica e Porto frearam a motivação da equipe, que teve a queda decretada com duas rodadas de antecipação. Curiosamente, o grande destaque da equipe foi mesmo o goleiro Ventura, cedido pelo Porto e que se sobressaiu de tal forma que virou o terceiro arqueiro da seleção nacional. Além disso, o Portimonense registrou nenhuma derrota por três gols de diferença, que pudesse ser enquadrada como goleada. Resultado insuficiente, porém, para salvar o destino da equipe.

 

Acadêmica

Colocação final: 14º, com 30 pontos
Técnicos: Jorge Costa (até 14ª rodada), José Guilherme (até 20ª rodada) e Ulisses Morais
Maior vitória: 3×0 Naval (4ª rodada)
Maior derrota: 5×0 Braga (14ª rodada)
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Diogo Melo
Decepção: Sougou
Artilheiro: Miguel Fidalgo (9 gols)
Nota da temporada: 4,5

Nas primeiras rodadas do campeonato, esta coluna escreveu sobre o bom início da Acadêmica, e com razão. A equipe, então comandada por Jorge Costa, apresentava um futebol interessante, com boa marcação no meio-campo, comandada por Nuno Coelho e Diogo Melo pelo meio, e bastante movimentação ofensiva, com Sougou, Laionel ou Miguel Fidalgo. A estreia não podia ser melhor: vitória sobre o Benfica, atual campeão, em pleno estádio da Luz, com um gol quase do meio campo nos acréscimos do segundo tempo. A boa fase, porém, degringolou já na 8ª rodada, e se acentuou com as duas goleadas sofridas para Marítimo e Braga. De candidato a vagas europeias, os Estudantes passaram a fugir do rebaixamento.

A péssima campanha de Naval e Portimonense salvava a irregularidade apresentada pelo time de Coimbra, que venceu somente dois jogos no segundo turno. Do promissor início de temporada, poucos “sobreviveram”. Peças-chave da equipe, Sougou caiu de produção e Nuno Coelho sofreu com lesões. Restou a Fidalgo, Diogo Melo e ao goleiro Peiser serem os poucos destaques de um time de dois momentos totalmente distintos. Temor para a torcida de sexta maior média de público na época.

 

Beira-Mar

Colocação final: 13º, com 33 pontos
Técnicos: Leonardo Jardim (até 21ª rodada) e Rui Bento
Maior vitória: 3×0 União de Leiria (16ª rodada)
Maior derrota: 3×0 Porto (2ª rodada)
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Wilson Eduardo
Decepção: Sérgio Oliveira
Artilheiro: Leandro Tatu (10 gols)
Nota da temporada: 5,5

Outra equipe que viveu dois momentos distintos, ainda que não tenha sofrido ameaça de rebaixamento, visto que a sólida campanha feita até a 19ª rodada – quando a equipe tinha somente quatro derrotas e vinha em 8ª lugar -, tutelada pelo promissor treinador Leonardo Jardim, evitou problemas. A manutenção na elite pode ser vista como um grande lucro, tendo em vista a delicada situação financeira vivida pelos aurinegros. Na altura da 12ª rodada, pouco antes do embate contra o Benfica, a equipe estava ameaçada, inclusive, de fechar as portas, devido às várias dívidas. Durante esse período, o clube chegou até a ficar sem presidente, tendo ainda a bilheteria de jogos do clube em Aveiro penhorada para o custeio dos débitos.

A torcida fez sua parte, e quase triplicou o total de espectadores que acompanharam o acesso à elite em 2009/10, superando, por exemplo, a média do Vitória de Setúbal. A partir do último terço da temporada, porém, a resistência aveirense caiu e a equipe, que chegou a sonhar com uma pouco provável vaga europeia, desceu a serra, com sete derrotas nos dez últimos jogos. Apesar do final irregular, alguns nomes chamaram atenção, como o atacante Wilson Eduardo e o goleiro Rui Rego.

 

Vitória de Setúbal

Colocação final: 12º, com 34 pontos
Técnicos: Manuel Fernandes (até 21ª rodada) e Bruno Ribeiro
Maior vitória: 4×1 União de Leiria (26ª rodada)
Maior derrota: 4×0 Porto (28ª rodada)
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Diego
Decepção: Hugo Leal
Artilheiro: Cláudio Pitbull (10 gols)
Nota da temporada: 5

Quarto principal clube português no século passado e centenário desde 2010, o Vitória de Setúbal segue, a cada temporada, mais adepto da parte de baixo da tabela em Portugal. O mediano começo de temporada, com um razoável 8º lugar até a 8ª rodada, deu lugar a uma brusca queda de rendimento que durou até quase a 24ª rodada. Não fossem os pontinhos somados pelos empates que começaram a brotar após a 18ª jornada, muitos deles garantidos por atuações marcantes do goleiro Diego (ex-Fluminense e Atlético-PR), os sadinos estariam ainda mais arriscados de rebaixamento do que estiveram.

A pífia campanha de Portimonense e Naval manteve a equipe respirando na elite, e a reação esboçada nas rodadas finais, com quatro vitórias nos últimos sete jogos, já com o time sob comando de Bruno Ribeiro, asseguraram mais uma permanência dos setubalenses. A equipe, no entanto, apesar do esforço de Claudio Pitbull – atacante de origem, mas que, por vezes, atuou até como meia-armador e ainda assim fez 10 gols na temporada -, pecou justamente pela ausência de gols. Eterna promessa portuguesa, Hugo Leal foi uma das grandes decepções do time, ao lado do atacante Henrique. Por outro lado, o bom e jovem meia Zeca foi uma grata revelação.

 

Olhanense

Colocação final: 11º, com 34 pontos
Técnico: Daúto Fáquira
Maior vitória: 3×1 Vitória de Setúbal (7ª rodada)
Maior derrota: 4×0 Marítimo (24ª rodada)
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Ismaily
Decepção: Lulinha
Artilheiro: Djalmir (5 gols)
Nota da temporada: 6

A experiência na Liga Portuguesa na temporada passada deu mais confiança ao Olhanense, que até iniciou bem a época recém-findada. Com menos empréstimos que nas últimas ocasiões e um time mais forte, os rubro-negros permaneceram boa parte do torneio entre os 10 primeiros, tendo navegado bastante entre o 7º e o 3º lugar durante o primeiro terço do campeonato, mostrando um futebol firme e até mesmo corajoso No entanto, apesar de contar até com bons jogadores de frente, como Yontcha e Djalmir, o Olhanense teve o pior ataque da competição, com apenas 24 gols em 30 jogos.

A queda de produção no segundo turno, quando a equipe chegou a ficar 10 jogos sem vencer, entre a 19ª e a 28ª rodadas, passa muito pela saída dos dois principais destaques da equipe até o meio da temporada: o volante Vinícius e o zagueiro Jardel, que fazia segura dupla com Maurício. Pelo meio, nomes com Jorge Gonçalves, Nuno Piloto e o brasileiro Ismaily, lateral esquerdo de origem mas que fez ótimo campeonato como meia pela canhota, até chamaram atenção. Mas difícil não destacar mais uma má impressão deixada por Lulinha, eterna promessa corintiana, que pouco atuou pelos algárvios e que, quando teve chance, quase nada produziu.

 

União de Leiria

Colocação final: 10º, com 35 pontos
Técnico: Pedro Caixinha
Maior vitória: 3×0 Naval (14ª rodada)
Maior derrota: 5×1 Porto (8ª rodada)
Competição continental: nenhuma
Principal jogador: Ruben Brígido
Decepção: N'Gal
Artilheiro: Carlão (9 gols)
Nota da temporada: 6

No começo da temporada, a coluna apontou o União de Leiria como sério candidato ao rebaixamento, muito em virtude dos problemas de bastidores que vivia, tendo quase “deixado” a cidade em que está sediado pela falta de acerto com a empresa que administra o estádio municipal. A equipe, porém, mostrou-se alheia a qualquer polêmica e fez um belo primeiro turno, emplacando, à 14ª rodada, uma sequência de quatro vitórias consecutivas e um inesperado quarto lugar geral. O time, então, vinha comandado pelos gols do atacante Carlão – que deixou o clube no final de dezembro e ainda encerrou o campeonato como artilheiro dos Lis.

Com a venda do brasileiro para o Kashiwa Antlers, os leirienses caíram bastante de produção, sofrendo 9 derrotas em 13 jogos do segundo turno. Zhang e N'Gal, de quem se esperava encontrar o substituto de Carlão, pouco fez. Tanto que o time terminou a época com o segundo pior ataque, superando somente o Olhanense. Nos últimos jogos, o jovem João Silva, então reserva, assumiu a titularidade e com bem menos tempo em campo, foi às redes mais vezes que a dupla supracitada. Pelo contexto geral da obra, uma boa temporada dos leirienses. Mas a julgar pelo primeiro turno, a decepção certamente existe.

 

Marítimo

Colocação final: 9º, com 33 pontos
Técnicos: Mitchell Van der Gaag (até 4ª rodada) e Pedro Martins
Maior vitória: 5×1 Acadêmica (13ª rodada)
Maior derrota: 4×1 Porto (15ª rodada)
Competição continental: Liga Europa (eliminado na terceira fase eliminatória)
Principal jogador: Baba Diawara
Decepção: Cherrad
Artilheiro: Baba Diawara (11 gols)
Nota da temporada: 5,5

O Marítimo começou a temporada voando. Fez uma pré-época interessante, avançou nos dois primeiros estágios da Liga Europa (com direito a um 8 a 3 histórico sobre o Bangor City) e despontava com força para o certame em Portugal. A cabeça madeirense estava tão focada na aventura europeia que o time “abandonou” o começo da Liga, e de candidato às primeiras posições, o time de Funchal iniciou o Português com apenas uma vitória nos 11 primeiros jogos, no que culminou na demissão do treinador Mitchell Van der Gaag. Eliminado da Liga Europa e com foco total no campeonato nacional, o Marítimo evidenciou que o momento ruim era temporário e logo deixou as últimas colocações.

A reação, porém, acabou não tendo sequência, e embora os rubro-verdes tenham até se aproximado matematicamente da briga por vagas europeias, o sonho logo adormeceu. A equipe até mostrou alguma resistência defensiva, fechando o torneio com a terceira baliza menos vazada (32 tentos contra), no que levou os maritimistas a ser um dos únicos seis times a terminar o campeonato com saldo positivo de gols. No ataque, Baba e Djalma foram novamente importante, mas o time sentiu a ausência (fisica e mental) de Kleber, de saída para o Porto.

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Equipe Trivela

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