Portugal

Qual a culpa?

Ninguém sabe (nem ele próprio, inclusive) qual será o futuro de Melgarejo no futebol. O jovem paraguaio, de 22 anos de idade, poderá se transformar num grande ídolo e vencer competições importantes, poderá ser apenas um jogador regular ou ainda não conseguir nunca se firmar como titular de um time importante. Mas todos já sabem (principalmente ele próprio) como foi sua estreia com a camisa do Benfica, a mais importante que já vestiu até agora na carreira.

Ocorreu no sábado, 18 de agosto. Abertura do Campeonato Português 2012/13, Benfica x Braga no estádio da Luz, principal jogo da rodada. Melgarejo é improvisado na lateral esquerda pelo técnico Jorge Jesus, que assume o preço de uma aposta arriscada. Apesar de jogar pelo setor esquerdo, o paraguaio é originalmente mais ala do que lateral e sabidamente tem deficiências defensivas.

A aposta do treinador ganharia um superlativo e viria a se tornar arriscadíssima aos oito minutos do segundo tempo. Melgarejo veio em desabalada carreira, correndo em direção ao seu próprio gol na tentativa de cortar cruzamento da esquerda. Não conseguiu parar e tocou a bola para as próprias redes, marcando o primeiro gol do Braga no campeonato.

Exatos oito minutos depois, ele seria o responsável pelo início da jogada que resultou na virada dos minhotos. Livre na linha de fundo de sua grande área, o paraguaio se afobou com a bola e, ao invés de tocar para lateral ou tentar o passe para um companheiro, inventou um chutão para a frente. A bola foi direto nos pés de Alan, que tocou para Mossoró marcar o gol.

Os encarnados ainda conseguiram chegar ao empate e no fim das contas o 2 a 2 acabou sendo um placar menos desastroso do que o andamento da partida sugeria.

Melgarejo não deu declarações públicas após o jogo. Mas deve ter conversado muito com Jorge Jesus e com companheiros mais experientes e, principalmente, deve ter lido e ouvido tudo o que se falou sobre ele na imprensa portuguesa: de críticas contundentes a gente achando que a culpa maior não é dele.

E de fato não é. A fragilidade do setor defensivo esquerdo do Benfica é fato concreto desde a saída de Coentrão. Se o problema não foi resolvido durante toda a temporada passada, dificilmente o seria agora, numa única partida e com um jogador improvisado e estreante.

Mais do que as graves falhas de Melgarejo, o que deve preocupar os torcedores é que nem Jorge Jesus e nem o presidente Luís Filipe Vieira fazem menção de resolver a situação da maneira mais lógica possível: contratando um bom jogador para a posição e deixando as improvisações somente para os momentos em que elas são realmente necessárias.

Para se ter uma ideia, 15 laterais esquerdos passaram pelos encarnados na gestão de Filipe Vieira. E Jorge Jesus já disse que o paraguaio será titular na próxima partida (contra o Vitória de Setúbal, fora de casa), pois está aprendendo a jogar na posição. Sim, aprendendo em jogos que valem três pontos. Ele só não estará em campo se sua amigdalite aguda e estado febril, divulgados nesta quinta-feira (quando o time treinou às portas fechadas) não sararem.

O Benfica vive um dos inícios de temporada mais conturbados dos últimos tempos. O próprio presidente foi punido por causa de incidentes no dérbi contra o Sporting no campeonato passado – nesta semana, a suspensão de Filipe Vieira caiu de 45 dias para um mês.

E o zagueiro Luisão poderá ser suspenso por ter agredido um árbitro num amistoso de pré-temporada contra o Fortuna Düsseldorf, na Alemanha. Christian Fischer, o juiz em questão, disse que foi atingido pelo brasileiro, caiu e bateu com a cabeça no chão. Por causa disso, garante, teve “indisposição geral e fortes dores de cabeça e tonturas”. É provável que haja um certo exagero no relatório de Fischer, mas de qualquer forma Luisão pode pagar caro pelo que fez.

Melgarejo é a bola da vez num clube que vive em constante tensão e parece não saber exatamente que rumo tomar.

Só empates

Seis empates em oito partidas: assim foi a primeira rodada do Campeonato Português 2012/13. Se tamanho equilíbrio é uma tendência para o restante da competição ou se foi apenas uma coincidência, só será possível saber futuramente. Mas é fato que o giro inaugural da competição ficará marcado pelo alto número de igualdades no placar, o que faz com que Olhanense e Marítimo, os únicos vencedores, ocupem a liderança.

A última vez que tantos empates haviam sido registrados numa rodada do Português ocorreu em 2009/10. Naquela temporada, tanto a primeira quanto a 19ª rodadas tiveram sete empates cada, ou seja, apenas um jogo terminou com ganhador.

Aquele foi, também, o campeonato recente com maior índice de partidas terminadas em igualdade: 68, equivalente a 28,33% do total.

De lá para cá, o número de empates por temporada vem caindo em Portugal: 66 (27,5%) em 2010/11 e 53 (22,08%) em 2011/12.

É também por isso que as seis igualdades da primeira rodada chamam a atenção. Elas significam que, somente no primeiro giro, a atual temporada já registrou 11,32% do total de empates do campeonato passado.

CURTAS

– De todos os empates, o mais espetacular foi Beira-Mar 3 x 3 Acadêmica, no jogo que encerrou a rodada. Jogando com um a menos desde os sete minutos (João Real foi expulso) e perdendo por 3 a 0, a Acadêmica conseguiu marcar três gols nos 20 minutos finais da partida e garantiu o heróico resultado.

– Chamou a atenção o fraco futebol apresentado pelo Porto no 0 a 0 com o Gil Vicente, fora de casa. A apatia do time provocou, na entrevista de Vítor Pereira, a declaração de que os jogadores precisam atuar como campeões.

– Sporting B 2 x 1 Covilhã, pela Segunda Liga, terminou com uma discussão entre os técnicos Oceano Cruz e Filipe Moreira. A troca de acusações entre eles teve início no gramado, ainda sob o clima quente da partida, e prosseguiu nas entrevistas coletivas de ambos.

– Passadas três rodadas, o Belenenses lidera isoladamente a segunda divisão, com nove pontos ganhos: 100% de aproveitamento.

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