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Portugal ainda sofre, mas novo técnico começa a mostrar serviço

Enquanto Portugal e Armênia se enfrentavam pelas eliminatórias da Eurocopa, nesta sexta-feira (14), o treinador da seleção portuguesa, Fernando Santos, caminhava nervosamente por sua área técnica, no estádio do Algarve. Entre uma instrução e outra aos jogadores, voltava-se para o banco de reservas, conversava com colegas da comissão técnica, coçava a cabeça como que tentando entender onde estaria a chave para a vitória num jogo tão duro quanto importante.

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As senhas para o resultado positivo estavam bem perto do treinador. No segundo tempo, ele tirou Éder e Quaresma do banco (substituindo a Hélder Postiga e Danny, respectivamente). Em poucos minutos, a dupla foi fundamental para furar o bloqueio armênio e fazer a bola sobrar para Cristiano Ronaldo marcar o gol da vitória e de mais um recorde pessoal – ele é agora o maior artilheiro da Euro, considerando tanto as Eliminatórias quanto a fase final, com 23 gols.

Depois do jogo, Fernando Santos declarou que sentia que a vitória sairia a qualquer momento. De fato, a superioridade imposta pelo time das quinas dava essa impressão – mais pelo controle da partida do que por jogadas de perigo, é bom que se diga. Para se ter uma ideia, os lusos tiveram 64% de posse de bola ao longo dos 90 minutos. Mas, mesmo com a confiança em alta, o nervosismo demonstrado pelo treinador durante seu primeiro jogo em casa faz sentido.

O técnico português, que tem menos de dois meses no cargo, está naquele momento de “trocar o pneu com o carro andando”. Ele precisa consertar o time da bagunça (tática e disciplinar) deixada por Paulo Bento, obter a classificação para a Euro 2016 (de preferência sem jogar os playoffs) e ainda renovar a seleção.

Não é tarefa fácil, mas, pelo menos até agora, o técnico vem trabalhando corretamente. Se é verdade que Portugal sofreu para ganhar da fraquíssima Armênia (51ª colocada entra as 54 seleções que compõem o ranking da Uefa), também é verdade que se viu um time mais organizado taticamente, sem se abater psicologicamente com momentos difíceis na partida e utilizando todos os melhores jogadores à disposição – ao contrário do que fazia Paulo Bento, que sistematicamente deixava de convocar atletas por quem não tinha simpatia pessoal.

Durante o primeiro tempo, Portugal utilizou Nani e Cristiano Ronaldo abertos pelas pontas, com Hélder Postiga centralizado no ataque. Na segunda etapa, a entrada de Quaresma fez com que ele próprio fosse para a ponta direita, recuando Nani e dando liberdade a Éder. Os três, mais CR7, mostraram que podem formar um quarteto capaz de dar dor de cabeça às zagas rivais.

Outro ponto positivo foi a estreia do garoto Raphael Guerreiro, de 20 anos de idade, que fez seu primeiro jogo na seleção principal. Ele substituiu ao lesionado Fábio Coentrão como titular da lateral esquerda e mostrou personalidade.

Por sua vez, Cristiano Ronaldo não esteve nos melhores dias, mas ainda assim posicionou-se no lugar certo para marcar o gol da vitória e quebrar mais um recorde pessoal. Depois da partida, ele reclamou que a Armênia havia “estacionado dois ônibus” na área, dificultando os ataques portugueses. De fato, o time visitante se fechou como pôde, o que é legítimo. Mais um mérito para a seleção lusitana, que teve a paciência necessária para furar o bloqueio.

Quem também já viveu momentos mais brilhantes é a torcida portuguesa. Mesmo com a seleção atuando em casa, com 21 mil pessoas no estádio, por várias vezes ouvia-se mais o grito dos empolgados (e poucos) torcedores armênios que dos lusitanos. Foi somente depois do gol salvador de CR7, aos 27 minutos do segundo tempo, que finalmente as arquibancadas passaram a entoar cânticos de apoio ao time das quinas.

O comportamento do torcedor que foi ao Algarve e o nervosismo de Fernando Santos à beira do campo são exemplos que, somados, retratam bem o momento atual vivido pela seleção portuguesa: um time que está em reconstrução e que não empolga, mas que é capaz de criar boa expectativa para o futuro. Por enquanto, o 1 a 0 sofrido contra a Armênia e o segundo lugar no grupo (dentro da zona de classificação direta para a Euro) já estão de bom tamanho. É pouco, mas é o que Portugal tem para agora.

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