Portugal

Porto, o maior vendedor de jogadores da história

“Como sempre acontece, o FC Porto procurou reforçar o seu plantel de jogadores, tendo esta época adquirido ao Jaguares, do México, o ponta-de-lança colombiano Jackson Martínez. Mais uma vez ficou bem à vista a excelência do departamento de scouting do nosso clube, que descobriu, num mercado aparentemente marginal, um atleta que tem tido um excelente rendimento — sagrou-se o melhor marcador do campeonato nacional, com 26 gols — e até já desperta a atenção das maiores potências desportivas e econômicas da Europa.”

O texto acima foi extraído do documento Relatório e Contas Consolidado, preparado pelo Porto (está disponível no site oficial do clube) e referente ao terceiro trimestre da temporada 2012/13. E resume bem a habilidade do clube em comprar bons e baratos jogadores, que acabam dando alegrias múltiplas ao time: dentro de campo, com vitórias e títulos e fora dele, gerando lucros assombrosos em vendas.

Martínez foi comprado pelo Porto junto aos mexicanos do Jaguares por € 7,7 milhões. Sua multa rescisória está estimada em € 25 milhões. Como tem contrato até junho de 2016, é bem provável que os dragões ainda façam muito dinheiro com o colombiano, que está com 26 anos de idade e pode ser um dos grandes nomes da Copa do Mundo do ano que vem.

A competência do Porto nos negócios não é novidade para ninguém (lembre-se os casos clássicos de Hulk e Falcao García). Mas ela ficou ainda mais explicitada recentemente, quando a empresa brasileira Pluri Consultoria lançou um estudo sobre as cem maiores transferências do futebol mundial e concluiu que o clube português é o principal vendedor do mercado da bola.

Pelo estudo, o Porto faturou € 238,5 milhões pelas vendas de seis jogadores, o que representa média de € 39,8 milhões por atleta. A diferença do valor arrecadado pelo Porto para o faturado pelo Parma, o segundo colocado da lista, é de € 37 milhões. Já o Arsenal, única equipe que também aparece com seis transferências na lista das cem maiores, ocupa o quinto lugar no ranking, com € 191,4 milhões arrecadados. Inter de Milão (€ 197 milhões) e Lazio (€ 195,7 milhões) estão na terceira e na quarta colocações, respectivamente.

A maior negociação feita pelo Porto foi a venda de Hulk para o Zenit, no ano passado, por € 55 milhões. O negócio é o nono maior feito na história do futebol – que tem no topo do ranking a transferência de Cristiano Ronaldo do Manchester United para o Real Madrid, em 2009, por € 94 milhões.

Os dragões ainda faturaram pesado com Falcão García (€ 47 milhões na venda ao Atlético de Madrid em 2011), James Rodríguez (€ 45 milhões pagos pelo Monaco neste ano), Anderson (€ 31,7 milhões na transferência ao Manchester United, em 2007), Ricardo Carvalho (€ 30 milhões na venda ao Chelsea, em 2004) e Pepe (€ 30 milhões para ir ao Real Madrid em 2007).

Vale lembrar que os dragões não são o único clube lusitano na lista da Pluri Consultoria. O Benfica também aparece na relação dos que mais ganharam com as cem maiores transferências do futebol mundial. Está em nono lugar, com € 133 milhões faturados, frutos de quatro negociações: (Axel Witsel para o Zenit em 2012 por € 40 milhões, Angel Dí María para o Real Madrid em 2010 por € 33 milhões, David Luiz para o Chelsea em 2010 por € 30 milhões e Fábio Coentrão para o Real Madrid em 2011 por € 30 milhões).

Ainda que um concorrente caseiro apareça no top-10 da lista, é inegável a competência portista para fazer dinheiro com seus jogadores. O clube tem um exímio trabalho de olheiros espalhados pelos “mercados aparentemente marginais” (como citado no relatório) e consegue garimpar bons jogadores a preços módicos.

Um novo ciclo dessa história pode ter se iniciado com as recentes contratações dos mexicanos Héctor Herrera (Pachuca) e Diego Reyes (América). Eles custaram € 7 milhões e € 6,1 milhões, respectivamente. Dinheiro que, se a escrita permanecer, será reposto com muitas sobras nos cofres portistas daqui alguns anos.

Mas tamanha competência para comprar barato e vender caro não significa, necessariamente, o mesmo sucesso dentro de campo. Claro que ser tricampeão nacional é um feito relevante, mas está na hora de o Porto dar um passo além. O sonho da torcida é que, assim como faz nos negócios, o clube brigue de igual para igual com os gigantes europeus dentro das quatro linhas.

Mostrar mais

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo