Portugal

PC Gusmão é vítima da falta de convicção da diretoria do Marítimo

Uma vitória e quatro derrotas, sendo a última delas no dérbi local. Foi esta a campanha que vitimou o técnico brasileiro Paulo César Gusmão, demitido do comando do Marítimo após cinco rodadas do Campeonato Português. Em sua primeira experiência internacional, PC Gusmão, de 54 anos de idade, trabalhou apenas do início de junho a meados de setembro e nem sequer conseguiu se adaptar plenamente ao futebol português.

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A própria falta de adaptação certamente foi um dos motivos que levaram a diretoria do clube a optar pela rescisão de contrato – ainda que isso soe como um contrassenso, já que não houve tempo hábil para tanto. A derrota no clássico para o Nacional da Madeira e o fato de o time estar na penúltima colocação após cinco rodadas também pesaram.

Ainda que estivesse longe de fazer um grande trabalho, é impossível cravar que o treinador brasileiro não teria sucesso no clube da Ilha da Madeira. A decisão de demiti-lo após tão pouco tempo pareceu muito mais uma falta de convicção da diretoria em suas próprias escolhas do que propriamente incapacidade profissional de PC.

No comunicado oficial sobre o desligamento, o clube afirmou que “a administração reconhece a falha da sua aposta feita”. Como de praxe em situações assim, o treinador demitido recebeu elogios dos dirigentes. A rescisão, segundo o comunicado, foi feita de comum acordo, sem pagamento de multa.

Paralelamente aos problemas de adaptação, não se pode descartar também a possibilidade de PC Gusmão ter enfrentado dificuldades de relacionamento dentro e fora do elenco. Logo na primeira rodada, por exemplo, ele foi impedido de ficar no banco de reservas no jogo contra o Sporting por falta de equivalência de sua formação de treinador no Brasil com a que é exigida em Portugal. Após a partida, ele não poupou críticas e disse que os profissionais portugueses que chegavam ao Brasil eram mais bem tratados do que ele, especificamente neste caso, tinha sido em terras lusitanas.

Outra pista do eventual desgaste foi dada pelo seu substituto, Daniel Ramos. Após a estreia com vitória (2 a 0 sobre o Tondela), o novo técnico – então com apenas dois dias de trabalho – disse que havia “mudado o acreditar” dos jogadores. O que mudou, também, foi a reação da torcida, que passou a aplaudir o time ao invés de vaiar o treinador.

O novo técnico do Marítimo tem apenas 45 anos de idade e ganha sua primeira chance na elite do futebol português – veio do Santa Clara, da segunda divisão. É possível que ele faça uma campanha sólida e mantenha o time longe de qualquer grande risco na temporada.

Porém, ainda que a maioria dos torcedores não aprovasse o trabalho de PC Gusmão, a falta de convicção da diretoria ao contratar um técnico sem experiência alguma no futebol português e demiti-lo somente três meses e meio depois não pode ser ignorada. Apostas assim, no escuro, podem custar muito caro ao clube.

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