Portugal

Passos bem dados

Paolo Hurtado é um atacante peruano, de 22 anos de idade, que até a temporada passada defendia o Alianza Lima, do seu país. Em junho do ano passado, por indicação de Carrillo, do Sporting, foi negociado com o Paços de Ferreira e iniciou sua trajetória no futebol português.

A mudança de vida de Hurtado, porém, foi maior do que se pode imaginar. Além de adaptar-se a outro país (mais ainda, a outro continente), o que implica em novos costumes e cultura, outra língua e uma série de fatores, o jogador também viu seus treinamentos mudarem radicalmente. Uma das evoluções é algo difícil de acreditar que ainda ocorra no futebol profissional dos dias atuais: ele passou a treinar de caneleiras, algo que não acontecia no clube peruano.

O futebol de Hurtado evoluiu e ele tornou-se artilheiro e principal jogador da equipe comandada pelo técnico Paulo Fonseca. Dois dos seus sete gols saíram na vitória dos castores sobre o Braga por 3 a 2, fora de casa, na última rodada. Um resultado que consolidou o Paços de Ferreira como terceiro colocado no Campeonato Português (abriu quatro pontos de vantagem sobre o próprio Braga) e time sensação da competição.

Há um paralelo entre a história do jogador peruano e a da equipe que ele defende. Assim como Hurtado era visto como uma promessa, mas não se esperava que a adaptação e o sucesso viessem tão cedo, o Paços de Ferreira era cotado para ficar na metade de cima da tabela de classificação, mas certamente quase ninguém teria coragem de apontá-lo como um postulante à terceira força do futebol português.

E ser terceira força em Portugal, hoje em dia, é praticamente ser campeão de um campeonato à parte, que não envolve Porto e Benfica. Aliás, os castores podem se orgulhar de só terem perdido justamente para dragões e encarnados. Ou seja: tirando os duelos contra as duas potências que estão degraus acima dos demais, o time está “invicto”.

A vitória em Braga valeu mesmo muita festa pelos castores – tanto que centenas de torcedores foram recepcionar a delegação no retorno a Paços de Ferreira. Ainda é cedo para cravar que a equipe vai mesmo ficar em terceiro lugar, mas se isso de fato ocorrer, a classificação para o playoff da Liga dos Campeões renderá € 2,1 milhões (R$ 5,5 milhões), dinheiro que quase cobre o orçamento anual da equipe.

Boa parte dos méritos pela campanha surpreendente é do técnico Paulo Fonseca, que chegou ao clube nesta temporada e pela primeira vez dirige um time na primeira divisão portuguesa. Ele venceu desafios, como a própria desconfiança em torno do seu nome (por causa da inexperiência) e uma certa pressão por bons resultados, já que o 10º lugar do Paços na temporada passada foi considerado decepcionante.

Além disso, Paulo Fonseca teve de superar as saídas de jogadores importantes, como Melgarejo e Luisinho, ambos negociados com o Benfica. E precisou, até, “ensinar” o candidato a ídolo Paolo Hurtado. “Ele exige que eu não corra sempre em linha reta”, conta o peruano, que agora, além de treinar com caneleiras, faz várias jogadas correndo em diagonal.

Num campeonato em que dois times polarizam a briga pelo título e o nível técnico dos demais, convenhamos, não é dos melhores, uma briga emocionante pelo terceiro lugar é sempre bem-vinda. E o surpreendente Paços de Ferreira está colaborando bastante para tornar a temporada portuguesa um pouco mais animada.

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