Portugal

Para Portugal, vaga na Copa ultrapassa limites do futebol

Sabe quanto vale cada um dos quatro gols que Cristiano Ronaldo marcou contra a Suécia, nos jogos da repescagem das eliminatórias europeias para a Copa do Mundo? Mais de € 100 milhões (ou R$ 310,3 milhões, pela cotação atual).

O número dá a medida de quanto a classificação portuguesa para o Mundial foi importante para o país em aspectos que vão muito além do futebolístico. Vir ao Brasil significa também garantir mais dinheiro girando na economia de Portugal, muito necessitada de investimentos.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Português de Administração de Marketing (Ipam) aponta que, no pior cenário possível dentro da Copa – ou seja, a eliminação logo na fase de grupos –, a presença portuguesa no torneio gerará impacto de € 438 milhões (R$ 1,3 bilhão) na economia do país. A cifra equivale a 0,81% do astronômico valor previsto para o faturamento global que o torneio vai gerar, de € 53,6 bilhões (R$ 166,3 bilhões).

Se a equipe das Quinas avançar para as fases seguintes do Mundial, o retorno econômico, evidentemente, também crescerá. De acordo com o Ipam, uma eventual conquista do inédito título, por exemplo, renderia € 609 milhões (R$ 1,8 bilhão) à economia lusitana. Nesse caso, Portugal ficaria com 1,13% de todo o dinheiro movimentado em função da Copa.

Para calcular o impacto econômico causado pela participação lusitana, o instituto analisou fatores como aumento do consumo de produtos dentro de casa, reformas em prédios para atrair torcedores, publicidade dos mais variados tipos, venda de pacotes de TV por assinatura, venda de pacotes turísticos para o Brasil, apostas on-line, vendas de camisas e todo o tipo de material ligado ao torneio, crescimento da utilização dos mais variados meios de transporte, aumento da movimentação em cafés, bares e restaurantes e aquecimento da hotelaria, entre outros. O estudo leva em consideração inclusive o mês que antecede ao Mundial, quando a seleção estará treinando e os torcedores, se aquecendo.

É claro que a injeção de mais dinheiro na economia interna não é privilégio somente dos portugueses. Em maior ou menor grau, as seleções dos outros 31 países que disputarão a Copa também são responsáveis por aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) de suas nações durante 2014. Mas, no caso de Portugal, qualquer dinheiro extra é muito bem recebido – ainda mais se for acompanhado de um processo de resgate da autoestima da população, como é o caso de agora.

O país está envolto numa grande crise econômica. De acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), a riqueza interna caiu 3,2% no ano passado, índice que ficou abaixo somente do nanico San Marino (4%) e de Sudão (4,4%) e Grécia (6,4%).

Além disso, o país tem uma dívida pública na casa dos 122% de seu PIB – o que é muita coisa. Para este ano, a expectativa é de crescimento negativo da economia (-1,8%), enquanto para 2014 é de apenas 0,8%.

Com números tão ruins, a falta de emprego passou a ser um grande problema. Segundo os últimos índices divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, a taxa de desemprego em Portugal no terceiro trimestre desde ano foi de 15,6%, o que corresponde a 838,6 mil pessoas sem trabalho.

Para ajudar a contornar a situação, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira já liberou, desde 2011, € 24,8 bilhões a Portugal. A condição é que o dinheiro seja utilizado, principalmente, para a geração de empregos e a retomada da economia.

Não está fácil a vida em Portugal. E neste momento complicado, mais uma vez o futebol entra em ação e cumpre uma de suas maiores missões: a de proporcionar momentos de alegria às pessoas. Para os portugueses, comemorar os gols do “comandante Ronaldo” significa voltar a sentir orgulho do país, ainda que apenas por alguns instantes. Para muita gente, a vaga na Copa significará dinheiro no bolso.

Por isso, a narração histérica de Nunos Matos, da rádio Antena 1 (http://trivela.com.br/blog/trivela/toda-a-emocao-dos-portugueses-na-narracao-dos-gols-de-ronaldo/), faz sentido. A frase “podem embarcar no avião do orgulho nacional”, que ele disse após o segundo gol, representa o espírito português do momento.

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