Portugal

Panfletos anônimos mostram lado ruim da política e prejudicam Sporting

Situação x oposição. Acusações, brigas, discussões. Um clima que foge da tensão natural que o ambiente político proporciona e chega a se tornar perigoso, assustador – causando preocupação a quem se pergunta até onde isso pode chegar. Engana-se quem pensa que o texto é sobre o cenário atual da política brasileira. É, na verdade, sobre o conturbado ambiente político do Sporting, que nos últimos dias ganhou mais um ingrediente digno de ser classificado como “lenha na fogueira”.

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Guardadas as devidas – e gigantescas – proporções, o clube português vive internamente a mesma divisão protagonizada atualmente pela nação brasileira. Quem está do lado do presidente Bruno de Carvalho, o defende até a alma, esquecendo-se até de suas falhas. Quem é da oposição, o ataca de todas as formas, deixando de lado suas qualidades.

Um desses ataques foi o último (mas não derradeiro) capítulo desta história. Boa parte das ruas de Lisboa amanheceu tomada por panfletos anônimos que difamavam o presidente, com mandato até o fim deste ano. Sob o título “porque é que Bruno de Carvalho é perigoso?”, os autores enumeram problemas na administração e até na vida particular do mandatário alviverde.

A justificativa do anonimato está numa eventual censura ou perseguição proporcionada pela atual diretoria. “Preferíamos exprimir-nos de outra forma, mas infelizmente hoje o Sporting não é um clube livre”, escreveram os autores do panfleto, que ainda justificam a ação por verem que “o Sporting está em risco”.

“Tem uma boa oratória, o que o leva a ser conquistador num primeiro momento. Tem uma incapacidade patológica em assumir responsabilidade pelos seus atos. Mente para adiar os problemas, para conseguir benefícios ou justificar a sua conduta. Manipula, ameaça, insulta. O problema é sempre dos outros. Só ele fala a verdade…”, são alguns dos pontos abordados pelos opositores.

panfleto

O panfleto traz ainda outras acusações, como as de que Bruno de Carvalho “não sente remorsos ou culpa de nada. Age descontroladamente, adora ser o centro mundo. Primeiro ele, segundo ele, terceiro ele.Todas as empresas que abriu, faliu. Abriu tudo, faliu tudo. É um padrão. Ficou com dívidas ao Fisco, mas o Fisco é o culpado. Acha que o Sporting começa e acaba nele. É uma espécie de Rei Sol em Alvalade”.

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É possível (provável, até) que parte das acusações seja verdadeira. O problema não está em fazê-las – o que, de fato, é papel da oposição –, mas na forma como isso ocorre. Por mais que o presidente tenha defeitos (e esta mesma coluna já os enumerou diversas vezes), ser vítima de panfletos anônimos significa também ser vítima de uma covardia. Algo semelhante já havia acontecido em dezembro, quando outdoors de contestação ao mandatário foram espalhados por Lisboa.

É evidente que Bruno de Carvalho, apesar de vítima, também tem culpa no cartório. Sua personalidade e a maneira como trata quem discorda de suas opiniões deixam claro que ele não é homem de fazer muitos amigos. Basta lembrar que o Sindicato dos Jornalistas de Portugal acaba de se manifestar publicamente reclamando da maneira como o presidente se dirige aos profissionais de imprensa.

De qualquer forma, a atitude tomada por quem espalhou os panfletos não está certa e repete, de certo modo, omodus operandi tão criticado pelos próprios opositores. No fundo, quem mais perde com essa maneira de fazer política não é a situação, nem a oposição, mas o próprio clube.

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