Portugal

O primeiro a debutar

Portugal vai estrear nesta quinta-feira na temporada europeia 2011/12. Quem carregará as cores verde e rubra é o Nacional da Madeira, que debutará na segunda fase classificatória da Liga Europa contra o FH Hafnarfjordur, da Islândia, fazendo o primeiro jogo do embate na Escandinávia. O favoritismo é dos madeirenses, até por alguma lógica (é oriundo de uma liga mais competitiva, possui uma equipe melhor…). O objetivo é ir além do feito de 2009/10, quando os alvinegros surpreenderam ninguém menos que o Zenit São Petesburgo, campeão da Copa da UEFA 2007/08, e chegaram à fase de grupos. Pode parecer uma meta pequena, tendo em vista o que o Braga fez na época recém-findada, atingindo a decisão da Liga Europa. No entanto, a realidade nacionalista é bem distinta daquela vivida pelos bracarenses, e sim: alcançar a fase de grupos há duas temporadas foi um feito.

Apesar dos bons resultados das últimas épocas, firmando-se na parte de cima das classificações do Campeonato Português e brigando por vagas europeias ano após ano, o Nacional é um clube pequeno do ponto de vista estrutural e até histórico. É uma equipe centenária, mas que debutou na elite lusa somente na temporada 1988/89. Permaneceu por duas épocas até ser rebaixado à Liga de Honra (da qual cairia em 1996/97). Voltou à Liga Portuguesa em 2002/03 e desde então nunca mais desceu. Pelo contrário: notabilizou-se pelas campanhas regulares. E surpreendeu o país pela primeira vez em 2003/04, terminando a temporada em 4º lugar, com um grupo que promoveu nomes como o atacante Adriano Lousada e o meia Paulo Assunção (então um desconhecido volante revelado, sem sucesso, pelo Palmeiras e que hoje é um dos nomes confiáveis do Atlético de Madrid).

De lá para cá, somente em 2004/05 o Nacional não ficou entre os 10 primeiros. Nas seis temporadas seguintes, em três campanhas oportunidades a equipe esteve nas cinco principais colocações. Ao longo desse período, equilíbrio na contratação de reforços e investimentos em estrutura pautaram o caminhar nacionalista, que já ameaçam o posto do rival Marítimo, em tese o mais tradicional da Madeira, de referência futebolística da Ilha. Os maritimistas ainda superam no total de sócios (10 mil contra cerca de 3.500) e na média de público (3.439 do Marítimo contra 2.083 do Nacional). Todavia, de 2001 para cá, o Nacional superou o Marítimo em cinco das nove temporadas que ambos disputaram juntos e computou mais presenças internacionais que o concorrente. Dados que incentivam o presidente Rui Alves a bradar, aos quatro ventos, que o Nacional é o “clube madeirense do século 21”.

Parte do sucesso dos últimos anos passa, justamente, pelas mãos do polêmico mandatário. No cargo há 16 anos, Rui Alves conseguiu conduzir o Nacional aos feitos em solo português e europeu, além de ter conseguido erguer o Estádio da Madeira, de propriedade dos alvinegros. O local, aliás, merece uma atenção. Foi construído em 2000, inicialmente com capacidade para 2.500 pessoas. Em 2007, com investimentos de 20 milhões de euros, o estádio foi ampliado para 5.000 lugares. Pequeno, não? Sim. Mas com uma estrutura interna que coloca no chinelo muitos estádios com o dobro de capacidade por aí. E anexo ao campo está um CT voltado às equipes jovens, o Cristiano Ronaldo Campus Futebol – em alusão ao atacante do Real Madrid, que esteve nas categorias de formação do clube antes de rumar ao Sporting – parte do que se configurou como “Cidade Desportiva do CD Nacional”.

Do atual Nacional, poucos são os remanescentes da campanha de 2009/10. Apenas sete, na verdade, sendo três titulares: o zagueiro Felipe Lopes e os meias Luís Alberto e João Aurélio. Também fizeram parte do grupo os zagueiros Nuno Pinto e Zarko Tomasevic e os atacantes Matues e Anselmo. O grande nome daquele time, porém, era mesmo Ruben Micael. Foi dele o histórico gol de empate com o Zenit, marcado já no final da partida em São Petesburgo. De seus pés saíam também as principais jogadas de ataque nacionalistas. Seu destino, bem se sabe, foi além da Madeira, mas dificilmente seu nome não estará desvinculado do maior feito, até o momento, dos 100 anos de vida dos alvinegros. Também se destacaram nomes como o meia Leandro Salino (hoje no Braga) e o lateral direito Patacas, segundo jogador com mais partidas pelo Nacional, aposentado ao fim da última temporada.

O grupo que irá a campo nesta quinta perdeu nomes importantes. O principal deles, em relação à época 2010/11, é certamente o goleiro Rafael Bracalli, que rumou para o Porto. Apesar disso, foram mantidos jogadores como os defensores Felipe Lopes – agora capitão da equipe -, Claudemir e Danielson, os meias Dejan Skolnik e Rene Mihelic e o atacante Candeias (que tem alguma lenha para queimar, mesmo ainda sendo uma promessa, aos 23 anos). Atletas que, assegurados para o desenrolar da temporada, devem colocar o Nacional, mais uma vez, em posição de destaque na liga portuguesa. Pelo menos para encarar o FH, não há dúvidas de que os alvinegros têm grande favoritismo, mesmo sem ter efetivamente vivido uma pré-temporada. Se terão cacife para avançar mais duas etapas e repetir o feito do time de Ruben Micael, isso o tempo dirá.

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