Portugal

No clássico Benfica x Porto, o maior vencedor foi o… Sporting

Jorge Jesus, técnico do Sporting, foi enfático em suas declarações dadas instantes antes do clássico entre Benfica e Porto, na Luz. “Tudo o que acontecer hoje é bom para nós”, disse, numa clara referência de que, quando o então líder enfrentava o terceiro colocado num jogo recheado da tensão típica dos clássicos, o seu time – então em segundo lugar – seria o favorecido, fosse qual fosse o placar.

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O melhor resultado para o Sporting, embora Jesus não tenha admitido publicamente, era a vitória do Porto. E foi exatamente o que aconteceu. Mesmo em pleno estádio da Luz, os dragões ganharam por 2 a 1, aumentando o jejum benfiquista nos clássicos e fazendo com que os encarnados estacionassem nos 52 pontos ganhos – o Porto foi a 49.

Era a vez, então, do próprio Sporting tirar proveito da situação. E isso ocorreu no dia seguinte, sem maiores dificuldades, na goleada por 4 a 0 sobre o Nacional, fora de casa. Assim, os leões foram a 55 pontos, assumiram mais uma vez a liderança isolada do campeonato e abriram três pontos de vantagem para o Benfica e seis para o Porto.

A prova da importância da rodada para o time alviverde – e talvez até para a definição do campeonato – esteve na recepção da delegação no retorno a Lisboa. Mesmo em plena madrugada, centenas de torcedores foram até o estádio de Alvalade para receber o ônibus da equipe e festejar a retomada do primeiro lugar. Mesmo faltando ainda 12 rodadas para o término da competição, não é exagero dizer que os comandados de Jorge Jesus assumiram, neste momento, o favoritismo à conquista do título.

Peseiro x Rui Vitória

De um lado, José Peseiro ganhando moral como técnico do Porto. Do outro, Rui Vitória sem conseguir fazer jus ao sobrenome quando o assunto é clássicos. Os reflexos do Benfica 1 x 2 Porto podem ser sentidos a partir do banco de reservas de cada equipe.

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José Peseiro talvez seja o treinador em posição mais confortável no futebol português atualmente. Como assumiu o Porto há pouco tempo e pegou quase uma terra arrasada, não se colocam grandes responsabilidades nas costas dele. Se eventualmente conseguir uma reviravolta e chegar ao topo da tabela, será herói. Se não, todos saberão que a culpa maior não foi dele.

Do outro lado, porém, Rui Vitória vive com um fantasma o assombrando. Depois de um começo ruim, em que chegou a ter sua demissão cogitada, o treinador conseguiu dar a volta por cima e conseguiu até levar o Benfica à liderança do campeonato.

Mas o fantasma voltou: Rui Vitória não ganha clássicos. Nesta temporada, sob seu comando, o Benfica perdeu os cinco jogos que disputou contra Porto e Sporting. A queda frente aos dragões, aliás, marcou um recorde negativo: ele é o primeiro técnico da história do clube a perder cinco vezes para os principais rivais numa mesma temporada – considerando todas as competições.

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Além disso, fazia 50 anos que o Benfica não sofria cinco gols dos maiores rivais, em casa, pelo Campeonato Português, na mesma temporada (na atual sofreu três do Sporting e dois do Porto).

Embora o favoritismo atual do Sporting ao título seja inegável, três pontos ainda são uma diferença possível de reverter para o Benfica. Mas, mesmo que consiga mudar a história no campeonato nacional, o técnico precisa – e muito – começar a vencer os duelos contra os grandes rivais. Se não, corre o risco de ficar com a fama de perdedor nesse tipo de confronto e colocar em risco até o futuro de sua carreira em Portugal.

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