Portugal

Negócio da Índia

Se você estudou em escola pública na década de 1980, certamente “aprendeu” a lorota de que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil por acaso, pois o destino original dele era, na verdade, a Índia.

Pois agora, mais de 500 anos depois, é um clube de futebol português quem está disposto a realmente atravessar os 9,8 mil quilômetros que separam Lisboa e Nova Delhi, as capitais dos dois países, para desembarcar em terras indianas.

O Benfica anunciou uma parceria com um investidor indiano para abrir seis escolinhas de futebol chanceladas pelo clube no país asiático. Os valores do investimento não foram revelados, mas os portugueses dizem que, neste primeiro momento, não pensam em compensação financeira, e sim em divulgar própria a marca.

A pompa com que o negócio foi anunciado chamou a atenção. A assinatura do acordo, realizada na Índia, teve até a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas. “O esporte, o futebol, os clubes e a seleção dão visibilidade à imagem de Portugal, dão popularidade à marca Portugal, dão prestígio num mundo globalizado”, disse ele.

Faz sentido a empolgação do ministro. Num momento de crise econômica que afeta a maior parte dos países europeus e que faz Portugal temer pelo futuro de sua economia, qualquer investimento feito no exterior, ainda que pequeno, revela um suspiro de alívio. Neste caso específico, há ainda mais o que comemorar, já que a Índia faz parte do grupo de países emergentes que virou a menina-dos-olhos da economia mundial, os Brics: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

O acordo entre encarnados e indianos prevê a abertura de seis escolinhas de futebol, por meio de um investidor de Mumbai chamado Gaurav Modwell. “Serão escolas que vão ter a marca Benfica e o clube, além de ceder a marca, vai ceder a sua capacidade técnica, o seu conhecimento de formação e capacitação técnica, envolvendo recursos locais, mas também fazendo a formação de treinadores indianos para que isto seja sustentável em longo prazo dentro do mercado indiano”, explicou o vice-presidente dos encarnados, Nuno Gaioso Ribeiro, que acompanhou o ministro na visita à Ásia.

O objetivo principal, segundo Gaioso, é tornar os encarnados conhecidos no mercado indiano. O que não impede, claro, que haja uma ambição econômica: “O retorno financeiro do projeto aparecerá mais tarde dentro da Índia. Vamos ter de ser pacientes. Isto não é um processo rápido, mas é um processo em que, se a marca Benfica tiver dez a vinte por cento no mercado indiano pode ser muito significativo para o clube.”

Talvez seja este investimento em países emergentes um bom passo para, pelo menos, amenizar a crise nos clubes lusitanos. E diferentemente da “história” de Cabral que várias gerações de brasileiros conheceram, os “desbravadores” portugueses da atualidade sabem exatamente onde querem chegar.

CURTAS

– O brasileiro Liedson, do Porto, passou por um grande susto nesta quinta-feira (07). Ele envolveu-se em um acidente e viu seu carro pegar fogo. Apesar do susto, Liedson não se machucou e ainda foi treinar normalmente.

– Franky Vercauteren, técnico demitido do Sporting em janeiro, revelou que ainda não recebeu o que o clube lhe deve. “Estou envolvido numa batalha de advogados e pretendo resolver as coisas o mais rapidamente possível, mas não a qualquer preço”, disse.

– Um dos principais jogadores do Braga, o zagueiro francês Sasso sofreu uma lesão abdominal e está fora do restante da temporada.

– Na Segunda Liga, o Belenenses segue nadando de braçada, 19 pontos à frente do Arouca, vice-líder.

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