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Não é o que parece

Porto classificado, Benfica a uma vitória da classificação, Braga eliminado. À primeira vista, pode parecer que, faltando uma rodada para o término da fase de grupos da Liga dos Campeões, a campanha dos times portugueses condiz com as expectativas criadas antes do início da competição.

Mas ao analisarmos mais detalhadamente a situação de cada um deles, vemos que não há tanta normalidade assim no desempenho demonstrado até agora.

Comecemos pelo Porto, a surpresa positiva – não por estar classificado com tanta antecedência (havia garantido a vaga desde a quarta rodada), mas pela brilhante campanha que vem fazendo. Afinal, num campeonato que conta com clubes do calibre de Real Madrid, Barcelona, Manchester United e Bayern Munique, por exemplo, quase ninguém apostaria que, passadas cinco rodadas, seria do Porto a melhor campanha da fase de grupos.

Os Dragões têm 87% de aproveitamento, fruto de quatro vitórias e um empate. Possuem ainda a melhor defesa do campeonato, com apenas dois gols sofridos. É do Porto, também, a marca de mais pontos conquistados no ranking da Uefa nesta temporada, incluindo os times que disputam a Liga Europa.

Os 3 a 0 sobre o Dinamo Zagreb fazem do elenco atual o segundo em toda a história do Porto que consegue três vitórias em casa na fase de grupos da Champions. E mostram que, cada vez mais, a ausência de Hulk deixa de ser uma preocupação. João Moutinho (autor de um golaço) vai comandando o meio de campo e abastecendo com maestria o ataque dos colombianos James Rodriguez e Jackson Martinez.

O triunfo ante os croatas também entrou para as estatísticas do técnico Vítor Pereira. Ele é, agora, o segundo treinador que mais pontos obteve dirigindo o Dragão na fase de grupos da Liga dos Campeões. Se vencer o Paris Saint-Germain na rodada final, na França, alcança a marca de Antonio Oliveira em 1996/97.

Tudo isso, porém, pode ir por água abaixo rapidamente se o Dragão vacilar. Uma derrota para o PSG, por exemplo, faria o time perder o primeiro lugar do grupo e provavelmente encarar um adversário mais difícil nas oitavas.

Luisão fez falta

Ao Benfica, seria bastante natural chegar à última rodada da fase de grupos precisando de uma vitória simples para avançar na Liga dos Campeões. O problema é que não se trata de uma vitória qualquer, mas sobre o Barcelona, no Camp Nou.

Não bastasse a campanha irregular que fez até agora, com duas vitórias, um empate e uma derrota (perdeu, por exemplo, para o já eliminado Spartak Moscou), os encarnados não contavam que o Celtic fosse inverter a “ordem natural das coisas”. A vitória dos escoceses sobre o Barça, na quarta rodada, deixou o time na briga de fato por uma vaga nas oitavas de final, o que não era de se esperar.

Como os catalães já estão classificados e com o primeiro lugar do grupo garantido, a esperança benfiquista é que Messi e sua turma sejam poupados. Na Luz, o discurso é de que o time, embalado pela vitória sobre o Celtic na última rodada, tem potencial para vencer o Barça, titular ou reserva. Claro que trata-se de um discurso padrão, pois, na prática, sabe-se que a situação, embora não chegue a ser dramática, é bastante complicada.

A partida contra os escoceses marcou o retorno do zagueiro brasileiro Luisão, que cumpriu suspensão de dois meses por ter agredido um árbitro durante amistoso de pré-temporada. Jogando um grande futebol, ele mostrou como fez falta à equipe nos quatro jogos anteriores e como, talvez, o Benfica estivesse numa situação mais confortável se ele não cometesse o ato impensado.

Braga podia ter feito melhor

Que o Braga dificilmente estaria no mata-mata da Liga dos Campeões já era algo bem previsível. Mas a campanha dos bracarenses, com apenas uma vitória em cinco jogos (foram quatro derrotas) decepciona.

Esperava-se que o time, pelo menos, brigasse pelo terceiro lugar do grupo e a consequente vaga na Liga Europa – o que já tornou-se impossível. Os 3 a 1 contra o Cluj, fora de casa, foram a pá de cal.

Embora não seja nenhuma grande tragédia, é de se lamentar, para os minhotos, a ausência no restante da temporada europeia, que representa prejuízo financeiro.

A boa notícia fica por conta da valorização do atacante Alan, que mesmo com a má campanha do time conseguiu marcar cinco vezes e divide a artilharia do campeonato com Burak (Galatasaray), Messi (Barcelona) e Cristiano Ronaldo (Real Madrid).

O técnico José Peseiro, que assumiu a culpa pela desclassificação precoce, precisa agora motivar seus jogadores, já que o time tem condições de seguir bem no Campeonato Português e voltar, mais experiente, à Liga dos Campeões na próxima temporada.

CURTAS

– Com o gol marcado perante o Dinamo Zagreb, o argentino Lucho González chegou à marca de 16 gols na Liga dos Campeões, somando suas duas passagens pelo Porto e o período em que esteve no Olympique de Marseille. O curioso é que ele nunca conseguiu balançar as redes a partir das oitavas de final da competição.

– O Supremo Tribunal de Justiça de Portugal recusou pela terceira vez o pedido de habeas corpus de João Vale e Azevedo, ex-presidente do Benfica. Acusado de desfalcar o clube em € 4 milhões, ele está preso em Portugal desde o último dia 12, quando foi extraditado da Inglaterra.

– Contra o Celtic, Luisão chegou à sua 38ª vitória vestindo a camisa do Benfica em competições europeias. Ele ultrapassou Eusébio e ficou a três triunfos do recordista, o ex-lateral-direito Veloso. O brasileiro, porém, atuou em mais partidas do que ambos: 85 jogos, ante 75 de Eusébio e 77 de Veloso.

– “Agora o treino é jogo e o jogo é jogo”. A frase do brasileiro Elias, dita em entrevista ao jornal do Sporting, parece deixar claro como Franky Vercauteren mudou a maneira de trabalhar dos jogadores do clube.

– O duelo entre Braga e Porto, em Braga, neste domingo (25) é a maior atração da rodada que marca a retomada do Campeonato Português. Os minhotos estão em terceiro lugar, com 17 pontos e o Dragão lidera, com 23 – mesma pontuação do Benfica, que está em segundo.

– Na Segunda Liga, o líder Sporting B joga fora de casa contra o vce-líder Belenenses, no sábado (24). A diferença entre eles é de apenas três pontos.

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