Portugal

Liga Portuguesa tem novo presidente e os velhos problemas de sempre

Quem acompanha a coluna rotineiramente já deve estar cansado de saber que um dos grandes problemas do futebol português (se não o principal) é a rusga entre os clubes, que rotineiramente deixa o campo da rivalidade esportiva e vai para as reuniões envolvendo dirigentes. Estes, por sua vez, parecem não se importar com o fato de que isso atrasa o desenvolvimento do esporte no país e causa reflexos – esportivos e financeiros – em seus próprios times e na seleção nacional.

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Uma notícia surgida esta semana, porém, parecia trazer um certo alento. Dos 36 clubes filiados à Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), 27 indicaram Luís Duque como candidato único à presidência da entidade, em eleição marcada para esta segunda-feira (27). Ou seja, 75% das agremiações apoiam o mesmo nome para assumir a entidade, após a conturbada saída de Mário Figueiredo, que teve sua reeleição anulada pela justiça.

Finalmente, então, a união entre os clubes prevalecerá, a Liga ganhará força e Portugal poderá sonhar com dias melhores para seu futebol doméstico, certo? Nem tanto.

A incerteza pelo futuro passa pelo nome escolhido pelo grupo dos 27 para gerir a LPFP pelos próximos anos. Luís Duque é um advogado com extensa carreira dividida entre a própria profissão, a administração de empresas, a política e o futebol. Tudo junto e misturado, como é bem comum no Brasil, por exemplo.

Duque é polêmico e tem um passado que, se não o condena peremptoriamente, também não ajuda a tornar seu currículo invejável. Foi membro da Câmara Municipal de Lisboa e presidente da Associação de Futebol de Lisboa nos anos 90 e teve idas e vindas como dirigente do Sporting que o fizeram ganhar inimigos. Não são poucas as notícias envolvendo ameaças e discussões, por exemplo.

O argumento dos clubes que estão colocando Duque no poder é que ele chega com uma missão bem específica: a de remodelar a Liga, especialmente encabeçando uma reforma estatutária que altere o modelo de governança da entidade. Ao invés da figura de um presidente, um conselho de clubes passaria a gerir a LPFP. Nos bastidores, corre a informação de que tal conselho seria formado, inicialmente, por Porto, Benfica, Braga e um time da segunda divsão.

Não é de se estranhar que o Sporting não esteja nesta lista. Pois é aí que entra a segunda parte da polêmica envolvendo o novo presidente. Acontece que a atual direção do clube é rompida com ele e até move processos, alegando que Duque teria feita uma “gestão danosa” quando foi administrador da Sociedade Anônima Desportiva sportinguista.

Os leões fazem parte do grupo dos 25% de clubes que não apoiam a candidatura – e são a voz mais forte entre eles. Como as notícias iniciais eram de que Duque teria o apoio irrestrito de todos os clubes, o Sporting logo emitiu um comunicado oficial, no qual faz duras críticas ao dirigente e diz desejar “alterações profundas” e não apenas troca de nomes no poder da LPFP.

No comunicado, o clube de Alvalade afirma que “este é mais um triste episódio do estado a que chegou o futebol português” e classifica a eleição de Duque como “a continuação da política do vale-tudo, que alguns persistem em seguir e manter, impedindo a urgente e necessária regeneração do futebol nacional”.

Pode ser que, daqui a algum tempo, os sportinguistas tenham de admitir que erraram na avaliação e que Luís Duque promoveu mudanças necessárias e trouxe evolução. Pode ser que ocorra exatamente o contrário, com o dirigente fazendo uma gestão infeliz.

A única certeza, por enquanto, é que os velhos problemas continuam reinando no futebol português.

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