Portugal

Justiça recoloca Gil Vicente na 1ª divisão e cria problema para Liga Portuguesa

Em 2006, o Gil Vicente foi rebaixado para a segunda divisão de Portugal por ter, supostamente, utilizado um jogador amador em seu elenco. Era o angolano Mateus, contratado naquele mesmo ano e que só foi inscrito na competição porque o clube conseguiu reverter, na Justiça Comum, a decisão da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) de não aceitar sua presença em campo. No final daquela temporada, o então rebaixado Belenenses recorreu à Comissão Disciplinar da LPFP e ao Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Ambos os órgãos deram ganho de causa ao clube de Lisboa, que se manteve no elite, e determinaram o rebaixamento dos gilistas.

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Agora, 10 anos depois, o Tribunal Administrativo de Lisboa deu uma sentença favorável ao Gil Vicente. A determinação é de que o time seja incorporado novamente à primeira divisão e ainda receba uma indenização de € 20 milhões (não há penalidades previstas ao Belenenses). Tanto a Liga quanto a Federação ainda podem recorrer ao Tribunal Central Administrativo e ao Superior Tribunal Administrativo, mas a tendência é de que não haja reversão na decisão.

A vitória no chamado Caso Mateus causou, evidentemente, muita comemoração no Gil Vicente, que – ao menos por enquanto – se prepara para mais uma temporada na Segunda Liga. “O que fizeram nunca fariam a um clube grande. Quiseram usar uma bomba atômica contra uma formiga, que era o Gil Vicente, para deixar o Belenenses. Foi tudo premeditado”, desabafou o presidente do clube, Antônio Fiúza.

A decisão judicial traz consigo um problema para os homens que comandam o futebol português. Afinal, para incorporar o Gil Vicente à Primeira Liga, será necessário alargar o campeonato, que atualmente conta com 18 equipes. Algo que, claramente, foge do que havia sido planejado. “O problema existe, vai ser resolvido de uma forma ponderada, equilibrada e o queremos é o emagrecimento das competições, porque o modelo de negócio está definido e o futebol não quer dar um passo atrás. Teremos de dar execução a ordens judiciais, medindo todos os prós e contras, e tenho a certeza que as três partes (Liga, Federação e clube) irão encontrar um ponto de equilíbrio. Estamos adequando as nossas competições e não queremos cometer os mesmos erros que no passado”, disse Pedro Proença, presidente da LPFP.

Ou seja: ao mesmo tempo em que ele, ao menos publicamente, não se opõe a inserir os gilistas de volta na elite, não quer alterar o formato atual da competição. Outro problema para as entidades será o pagamento da multa, que deve ser negociada em parcelas.

Vale lembrar que o futebol português passou por algo semelhante recentemente, pulando de 16 para 18 times a partir da temporada 2014/15. Na época, a medida foi necessária porque o Boavista também havia ganho na Justiça o direito de retornar à primeira divisão (e mexeu-se no acesso e descendo de 2013/14 para o campeonato ter número par de clubes).

O que acontecerá desta vez é uma grande incógnita, uma pergunta que nem os próprios dirigentes sabem responder. “Não há uma decisão feita, todos os cenários estão em cima da mesa, temos de juntar todos os que fazem parte desta indústria do futebol. Nos próximos dias, iremos nos reunir. É incomportável neste momento termos o quadro competitivo que temos, numa competição que queremos tornar vendável e aliciante”, afirmou Pedro Proença.

O fato é que os dirigentes lusitanos têm uma batata quente, de novo, nas mãos. E, ainda que o Gil Vicente esteja apenas pleiteando seus próprios direitos, o futebol de Portugal segue sofrendo as consequências de ser disputado mais nos bastidores do que dentro de campo.

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