Portugal

‘Eterno presidente’, Pinto da Costa tem grande desafio em 13º mandato no Porto

Talvez você ainda nem tivesse nascido no dia 17 de abril de 1982. Talvez você fosse uma criança, um adolescente. Talvez até já fosse bem grandinho. O fato é que esse dia ficou para trás no calendário há bastante tempo – 34 anos, mais exatamente. Pois é exatamente esse o tempo em que Jorge Nunes Pinto da Costa senta-se na cadeira de presidente do Porto. De lá para cá, são 13 mandatos consecutivos, o último deles conquistado no domingo (17), no exato aniversário de sua primeira eleição.

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Pinto da Costa, agora com 78 anos de idade, é quase um “presidente eterno” do clube. Muitos torcedores dos dragões nem sequer viram outra pessoa ocupando o mesmo cargo desde que se entendem por gente. Com tanto tempo no posto, é natural que altos e baixos aconteçam (e não está em análise aqui o quanto a falta de uma alternância no poder é prejudicial ao clube). No sobe e desce de alegrias e tristezas no comando portista, o momento atual certamente é um dos mais baixos da gestão de Pinto da Costa. Não apenas pela crise vivida pelo time dentro de campo já há três temporadas, mas também pela força política que o mandatário parece começar a perder. Nesta eleição, por exemplo, apesar de concorrer em chapa única, teve a votação menos expressiva de todos os pleitos que disputou.

Há duas semanas, depois que o Porto conseguiu a proeza de perder em casa para o lanterna Tondela – praticamente dando adeus às poucas esperanças que ainda alimentava de brigar pelo título –, Pinto da Costa disse que o time havia batido “no fundo do poço”. Dias depois, uma nova derrota (dessa vez para o Paços de Ferreira) mostrou que o poço era ainda mais fundo. Para ser ter uma ideia, aquele revés consolidou a campanha atual como a segunda pior do time neste século no Campeonato Português.

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Naturalmente, num momento como esse, os olhares se voltam para o técnico. José Peseiro chegou ao clube com a missão de substituir Julen Lopetegui e conseguiu e, pelo menos até agora, tem aproveitamento pior do que o contestado treinador espanhol. Claro que Peseiro tem sua parcela de culpa, mas colocar todo o peso da crise nas costas dele não é justo. O próprio técnico deu pistas de como os tempos estão mudando nos dragões e de que o clube pode passar por uma renovação, ao menos dentro de campo. No jogo que marcou o reencontro com as vitórias (4 a 0 sobre o Nacional, no mesmo dia da eleição que manteve Pinto da Costa no poder), Peseiro escalou cinco jogadores portugueses no time titular, algo que não acontecia há cinco anos.

Se a conquista do Campeonato Português está fora de cogitação nesta temporada, pelo menos ainda há a Taça de Portugal, que pode vir como um prêmio de consolação. Ainda que isso aconteça, porém, não será suficiente para apagar a crise vivida pelo clube. Em seu 13º mandato, Pinto da Costa terá de se reinventar para superar um grande desafio: tirar o Porto do buraco e devolver o clube ao caminho dos títulos que ele próprio tanto se acostumou a ganhar.

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