Portugal

Equilíbrio faz o Português 2012/13 tornar-se histórico

Se fosse dada ao mais criativo dos escritores a missão de criar o enredo de um emocionante campeonato de futebol, provavelmente ele não seria capaz de imaginar algo como a Liga Portuguesa desta temporada.

Benfica e Porto chegam à penúltima rodada invictos e separados por apenas dois pontos. E o melhor: se enfrentam neste sábado, no estádio do Dragão, no jogo que pode ser considerado a final do campeonato – marcado para as 16h30, no horário de Brasília.

Esta é a primeira vez que um equilíbrio tão grande é registrado na penúltima rodada desde a temporada 2004/05, quando o campeonato ainda era disputado por 18 times (atualmente são 16). Naquela oportunidade, quando restavam duas rodadas para o final do certame, Sporting e Benfica tinham 61 pontos cada. No fim, os leoninos vacilaram e terminaram em terceiro lugar – o Benfica foi campeão com 65, o Porto vice com 62 e o Sporting estacionou nos 61.

As múltiplas possibilidades que podem ocorrer neste sábado fazem com que sejam múltiplas, também, as emoções. O que, por consequência, geram um “outro jogo”, este fora do campo: o de palavras e provocações.

Se vencer o clássico, o Benfica será campeão na casa do rival. Se der Porto, os dragões assumirão a liderança com um ponto de vantagem e dependerão de uma vitória na rodada derradeira para alcançar o tricampeonato. E se houver empate, o emocionante enredo ganhará contornos de dramaticidade na rodada final, em que o Benfica só precisará ganhar do fraco Moreirense em casa, enquanto o Porto terá de derrotar o forte Paços de Ferreira fora de casa e torcer pelo tropeço do rival.

Vale lembrar que o primeiro critério de desempate no Campeonato Português é o confronto direto. E, dentro dele, o número de gols marcados no campo adversário. Assim, como o clássico do primeiro turno terminou em 2 a 2 na Luz, um eventual 0 a 0 ou 1 a 1 no Dragão favoreceria o Porto em caso de empate em pontos ao final do campeonato.

O que também faz desta uma temporada histórica é o fato de os dois postulantes ao título estarem invictos a duas rodadas do fim do campeonato. O que separa a pontuação de Benfica e Porto é que os encarnados empataram menos e venceram mais que os dragões (respectivamente, cinco empates e 23 vitórias, ante seis empates e 22 vitórias). A última vez que o Campeonato Português teve um campeão invicto foi com o Porto, na temporada 2010/11. Agora, não só o campeão, mas também o vice, pode terminar a competição sem conhecer nenhuma derrota sequer.

Favorito lógico à conquista, pela vantagem que possui, o Benfica é também o responsável direto pela dramaticidade desta reta final. O empate em casa com o Estoril por 1 a 1 na rodada passada fez com que o time do técnico Jorge Jesus desse ao grande rival a chance de depender somente de si para ser campeão. Tivesse derrotado o Estoril, o Benfica poderia até perder para o Porto, que levantaria o troféu em caso de vitória contra o Moreirense. Agora, uma derrota para os dragões pode significar uma tragédia.

E foi Vítor Pereira, o técnico portista, quem há muito tempo iniciou a guerra de palavras que tem por objetivo desestabilizar o adversário. Quando parecia fadado a terminar o campeonato em segundo lugar, ele cunhou a expressão que se tornaria hit na imprensa esportiva portuguesa, ao dizer que o Benfica seria campeão “sujinho, sujinho”. Referia-se a erros de arbitragem – assunto, aliás, que parece ser o preferido entre treinadores do futebol lusitano.

Com a proximidade do clássico decisivo (que será apitado por Pedro Proença), as declarações provocativas dos dois lados aumentaram. Os portistas seguem pela linha de que serão campeões porque dependem apenas de si e os encarnados afirmam com todas as letras que darão a volta olímpica em plena casa do rival – o que seria ótimo para o time poder se concentrar apenas na final da Liga Europa.

Portugal, assim como boa parte da Europa, está às voltas com uma complicada crise financeira – foi notícia em todo o mundo por protestos contra o desemprego realizados no feriado de 1º de Maio. Mas, pelos menos nestes últimos dias, o país respira futebol e vive um momento único, ao poder acompanhar o desfecho do mais emocionante campeonato dos últimos tempos. Que, tomara, seja decidido apenas na bola.

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