Portugal

Entre boas ações após incêndios em Portugal, jogadores do Rio Ave viram sócios dos Bombeiros

É relativamente comum que clubes de futebol promovam boas ações de seus jogadores, seja com o objetivo de se integrar à comunidade, de fazer marketing ou, o que não é nenhum pecado, ambas as coisas. Visitas a hospitais, campanhas de doação de sangue, entregas de cestas básicas e brinquedos, por exemplo, são situações até corriqueiras no mundo da bola.

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Mas, no caso do Rio Ave, em Portugal, a filantropia não partiu do clube e neEntre boas ações após incêndios em Portugal, jogadores do Rio Ave viram sócios dos Bombeirosm mesmo dos jogadores, mas sim das mulheres dos atletas. Elas se uniram e convenceram os maridos – sem precisar de grandes esforços – a se tornarem sócios do Corpo de Bombeiros (lá, chamado de Associação Humanitária dos Bombeiros) de Vila do Conde, depois dos incêndios de grandes proporções que assolaram Portugal.

Na prática, isso significa que cada um dos cerca de 20 jogadores que aderiram à causa aceitou doar o mínimo de € 12 por ano (o valor total não foi divulgado). Mas, bem mais que o dinheiro, o que valeu mesmo foi a repercussão causada pela ação dos atletas.

Eles foram até a sede da corporação, ouviram algumas explicações sobre o trabalho dos bombeiros e formalizaram a inscrição como sócios (algo que poderia ser feito via internet). “Quisemos dar o nosso pequeno contributo, mas sobretudo sensibilizar as pessoas que também podem ajudar os bombeiros, porque se eles dão a vida por nós, também há várias coisas que podemos fazer por eles”, afirmou o zagueiro Roderick. Foi a esposa dele quem teve a ideia da ação e mobilizou as outras mulheres.

Longe de Vila do Conde, a Ilha da Madeira foi a região mais atingida pelo fogo, que deixou três mortos, mais de 300 feridos e cerca de 1 mil desalojados. Por causa dele, o Nacional, que deveria receber o Desportivo Chaves na rodada de abertura do Campeonato Português, teve sua estreia adiada. A equipe só foi a campo neste domingo (21), pela segunda rodada, quando perdeu para o Arouca por 2 a 0, fora de casa.

Com sua bela sede praticamente encravada em meio à floresta e às montanhas (vale a pena pesquisar por Estádio da Madeira no Google Earth), o clube se viu seriamente ameaçado pelo fogo que consumia a ilha. As chamas chegaram muito perto dos campos de treinamento, que ficam vizinhos ao estádio e tiveram de ser socorridos pelos bombeiros, que fizeram o resfriamento do local.

O problema afetou o abastecimento de água do complexo esportivo, que também ficou sem seus sistemas de comunicação, isso sem contar o baixo nível da qualidade do ar. Em seu site oficial, o Nacional classificou o ocorrido como “catástrofe”. Alguns treinamentos tiveram de ser realizados em outros espaços, entre eles o CT do União da Madeira, que deixou a rivalidade de lado para oferecer ajuda.

Também da Ilha da Madeira, o Marítimo cancelou a festa de apresentação do elenco, que faria dias antes da abertura do campeonato. “Numa altura em que o Funchal (capital da ilha) e a Madeira se encontram numa situação delicada, o Marítimo não se sente confortável na organização de um evento que se quer de festa”, justificou o clube, em nota oficial.

O incêndio que marcou as últimas semanas em Portugal não atingiu somente a ilha onde nasceu Cristiano Ronaldo – que, inclusive, ofereceu ajuda financeira às vítimas.

Dentre os locais atingidos, está Arouca, que teve 58% de sua área florestal em chamas. Neste domingo (21), o clube aproveitou o jogo em que recebeu, curiosamente, o Nacional, para efetuar uma doação ao Corpo de Bombeiros da cidade, que evitou uma tragédia maior. O presidente do Arouca, Carlos Pinho (que teve a própria casa ameaçada pelas chamas) entregou um cheque de valor não revelado à corporação. Sabe-se que a equipe resolveu doar € 1 de cada ingresso vendido para a partida diante do Olympiacos, pela Liga Europa.

O drama causado pelos grandes incêndios em Portugal foram muito maiores do que o vivido pelos times (basta lembrar que vidas foram perdidas). Mas, ao menos, ficaram os bons exemplos que mostram existir, ainda, bom senso e espírito humanitário entre algumas das pessoas que dirigem clubes de futebol no país. Que os bons exemplos continuem existindo.

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