Portugal

Em Portugal, dirigentes se odeiam, mas clássicos têm sempre duas torcidas

Neste domingo (8), uma hora depois que a bola tiver começado a rolar no Allianz Parque, para o clássico Palmeiras x Corinthians, terá início em Portugal um jogo eletrizante: o dérbi Sporting x Benfica, em Alvalade, casa sportinguista. Tanto lá como cá, as torcidas de ambos os times estarão presentes nos respectivos estádios. Mas, diferentemente de cá, lá não existe polêmica ou discussão a respeito do assunto.

Portugal é um país em que as relações institucionais entre os clubes não são nada diplomáticas. Os presidentes dos três grandes – Porto, Benfica e Sporting – quase não se falam e acusações públicas são comuns. Tanto que a coluna já ressaltou por diversas vezes que essa desunião e a inabilidade em pensar grande, em prol de todos, são alguns dos fatores que impedem o futebol português de crescer e tornar-se, ainda que em médio prazo, uma das ligas fortes da Europa.

A rivalidade não é exclusiva entre os dirigentes. Profissionais da bola também costumam trocar farpas (e não são aquelas provocações saudáveis). Até alguns jornalistas entram no clima e, por vezes, deixam o lado torcedor falar mais alto. E, claro, as próprias torcidas provocam e são provocadas. Algumas facções ameaçam e são ameaçadas, agridem e são agredidas.

Para se ter uma ideia do clima nada amistoso entre as agremiações, o local destinado às torcidas visitantes nos estádios é costumeiramente chamado de Caixa de Segurança. Em geral, são mesmo como uma redoma, cercada de proteção e muito policiamento.

O jogo deste domingo deverá bater o recorde de público num dérbi em Alvalade. São esperados 47 mil torcedores, dos quais 2,6 mil benfiquistas. E, ao contrário do dérbi paulistano, não houve qualquer tipo de discussão entre presidentes de clubes, Ministério Público e federação. Assim como todos os times fazem rotineiramente, o Sporting enviou os ingressos ao Benfica, que os vendeu em apenas três horas.

Não se trata de cordialidade entre os clubes. A relação entre eles, aliás, é bastante estremecida. Tanto que virou notícia o fato de o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, admitir a possibilidade de assistir à partida do camarote reservado a ele no estádio. Geralmente, em situações assim, ele prefere ficar no vestiário e ver pela TV.

A própria polícia considera a partida “de risco elevado”, até porque haverá dérbi entre os clubes também no sábado (7), mas pelo futsal. Ou seja, será um final de semana tenso. Por questão estratégica, o número de agentes de segurança que trabalharão no clássico não é revelado. Mas, como de praxe, a torcida do Benfica deverá caminhar pelas ruas de Lisboa sob um forte aparato de policiais, até ser acomodada na Caixa de Segurança – procedimento que se repetirá na saída do estádio.

Trata-se, sim, de uma questão de bom senso. Por mais que os dirigentes portugueses se engalfinhem desnecessariamente muitas vezes (e isso prejudica muito o futebol doméstico do país), nesse ponto eles sabem o que todos deveriam saber: clássico que é clássico tem de ter duas torcidas.

Mostrar mais

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo

Bloqueador de anúncios? Aí é falta desleal =/

A Trivela é um site independente, que precisa das receitas dos anúncios. Desligue o seu bloqueador para podermos continuar oferecendo conteúdo de qualidade de graça e mantendo nossas receitas. Considere também nos apoiar pelo link "Apoie" no menu superior. Muito obrigado!