Portugal

Eliminado do Mundial Sub-20, Portugal pode buscar lições

Terminou na derrota para Gana, 3 a 2 pelas oitavas de final, o sonho português de conquistar pela terceira vez o Campeonato Mundial Sub-20 – neste ano, a competição está sendo disputada na Turquia. A desclassificação precoce chega a ser decepcionante, principalmente pelas boas promessas da atual geração, mas não deve ser encarada como uma catástrofe.

O jogo diante dos ganenses foi exemplar no sentido de mostrar os principais aspectos negativos do time das quinas: o alto número de gols perdidos e as falhas na defesa. Não à toa, Portugal criou mais chances que o adversário ao longo da partida (em 12 minutos já havia desperdiçado duas boas oportunidades), mas falhou demais no sistema defensivo e em passes no meio-campo. O gol da vitória dos africanos foi marcado a cinco minutos do término do tempo regulamentar.

A campanha lusitana na Turquia começou com uma vitória por 3 a 2 sobre a Nigéria. Depois, veio um empate por 2 a 2 com a Coreia do Sul. A goleada por 5 a 0 sobre Cuba na rodada de encerramento da primeira fase – único jogo em que o time não sofreu gol – deu a falsa impressão de que tudo iria bem. Falsa impressão, porque, afinal de contas, a goleada foi sobre Cuba, o saco de pancadas da chave (apanhou de 2 a 1 da Coreia do Sul e de 3 a 0 da Nigéria). Então, apareceram os ganenses e a volta para casa aconteceu mais cedo do que o esperado.

O técnico da seleção sub-20, Edgar Borges, deu o tom de como o resultado e o campeonato devem ser encarados. Ele assumiu sozinho a culpa pela derrota, tirando o peso dos jogadores. “O único responsável sou eu. Respondo por isso e por estes jovens maravilhosos que fizeram tudo para serem campeões do mundo”, disse. Ao mesmo tempo, tentou mostrar como, apesar de importante, a briga pelo título não é primordial em competições das categorias de base. “Faz parte do jogo. Estamos desolados, mas saímos de cabeça levantada e fizemos tudo para dignificar o futebol português.”

Ainda durante a primeira fase do torneio, Edgar Borges já havia dado uma curiosa declaração, de que Portugal era penalizado “por não gostar de jogar feio”. Traduzindo, ele afirmou que os jogadores, por serem muito técnicos, às vezes exageravam em jogadas de habilidade e evitavam chutões para a frente para tirar a bola da própria área, por exemplo.

Se faltou maturidade para os garotos portugueses chegarem à segunda final de Mundial consecutiva (no campeonato passado, a seleção perdeu para o Brasil na decisão), ficou a sensação de que o time pode render bons frutos. Um deles é o já badalado atacante Bruma, destaque português no Mundial, com cinco gols.

O sucesso de Bruma, que pertence ao Sporting, fez com que durante todo o Mundial ele tivesse de conviver com especulações sobre sua saída dos leões. A principal oferta para contratar o atacante teria vindo do Chelsea.

Outra experiência que os meninos vão levar para o restante de suas carreiras é a convivência com o ex-jogador Pauleta, o maior artilheiro da história da seleção portuguesa, com 47 gols. Ele foi o chefe da delegação na Turquia e se entrosou de maneira tão grande com os garotos que chegou a participar de treinamentos junto com eles.

Pauleta é também o diretor de formação da Federação Portuguesa de Futebol. É por ele que passará a avaliação do que ocorreu de certo e de errado no Mundial e a decisão sobre os próximos passos do futebol de base no país. “Esperávamos mais, esta equipe tinha qualidade para fazer mais. O balanço não é mau, mas todos esperávamos mais”, resumiu, sobre a eliminação.

Campeão mundial sub-20 em 1989 e 1991 e vice em 2011, Portugal tem tradição no futebol da garotada. Também por isso, uma eliminação precoce como a ocorrida contra Gana é um tanto sofrida. Mas os calos criados nos jovens ao longo do caminho também são úteis para que, no futuro, a geração que hoje é promissora torne-se, aí sim, motivo de grandes alegrias para a torcida.

Curtas

– O Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol anunciou um alargamento no quadro principal de árbitros e assistentes para a próxima temporada. Assim, o número de juízes passa de 25 para 33 e o de bandeirinhas, de 44 para 70.

– A crise política/econômica que Portugal atravessa fez com que o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, desmarcasse uma entrevista que havia agendado para o canal TVI. “Infelizmente, parece que o país importa pouco para algumas pessoas. O país está a atravessar uma crise grave, não é tempo de falar de futebol. É tempo de esperar que haja bom senso dos nossos políticos”, justificou.

– O rebaixado Beira-Mar anunciou que Jorge Neves será o treinador da equipe na próxima temporada. Velho conhecido no clube, ele foi jogador e assistente técnico dos aveirenses.

– A seleção portuguesa caiu da sexta para a sétima colocação no ranking da Fifa divulgado nesta semana.

Mostrar mais

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo