Portugal

Eliminações de Porto e Benfica na Taça fazem bem ao futebol português

Um dos grandes baratos dos torneios eliminatórios, como as copas nacionais, é o fato de que nem sempre os grandes clubes, naturalmente favoritos, conseguem chegar a fases importantes. A Taça de Portugal desta temporada tornou-se um grande exemplo disso, ainda mais por ser disputada em eliminatória de jogo único (exceção feita somente às semifinais) e com todos os confrontos definidos por sorteio.

Numa terra dominada por Porto e Benfica há muito tempo, é no mínimo curioso verificarmos que nenhum dos dois conseguiu chegar nem mesmo às quartas de final da segunda competição mais importante do país. As derrotas de ambos não podem ser consideradas zebras, mas abriram espaço a times em que quase ninguém apostaria inicialmente.

O Porto caiu logo em sua estreia, no clássico perante o Sporting. Aliás, vale ressaltar que está justamente nos clássicos o Calcanhar de Aquiles dos dragões nesta temporada. O time só perdeu duas vezes: a citada acima e para o Benfica no Campeonato Português. Já os encarnados foram eliminados pelo Braga, nas oitavas de final, em pleno estádio da Luz.

O sorteio das quartas de final, marcado para 22 de dezembro, terá bolinhas com nomes de equipes que, certamente, muitos não apostariam chegar até este momento. Entre os classificados, sete são da primeira divisão: Sporting, Marítimo, Gil Vicente, Nacional, Rio Ave, Belenenses e Braga.

A lista é completada pela grande surpresa, o Famalicão, que joga o Campeonato Nacional de Seniores (espécie de terceira divisão, semi-amadora). A própria presença do Gil Vicente, que faz campanha pífia na Liga Nacional (está na última posição, sem nenhuma vitória sequer em 13 partidas) também não deixa de ser inesperada.

É claro que o fato de existirem zebras nas quartas de final não garante que uma delas levantará o troféu ao final do campeonato. Nas últimas 10 edições, a Taça de Portugal teve sete títulos conquistados pelo trio de ferro do país: foram quatro do Porto, dois do Sporting e um do Benfica.

Se para quem não tem uma predileção especial por qualquer clube ver um campeonato cheio de surpresas é bem divertido, o mesmo não vale, claro, para os torcedores dos grandes times que ficaram pelo caminho.

Os portistas, por exemplo, sabem que a temporada ainda pode ser espetacular, mas se ressentem de terem perdido para um grande rival. A crise só não se instalou porque o time fez ótima campanha na primeira fase da Liga dos Campeões. No campeonato nacional, os seis pontos que o separam do líder Benfica são um obstáculo considerável, mas não impossível de ser ultrapassado.

Entre os encarnados, porém, a situação é diferente. A liderança isolada do Campeonato Português (com direito a vitória sobre o Porto fora de casa, na rodada passada), parece um oásis no deserto. Como a liga nacional é a única coisa que restou para o clube, toda a prioridade deverá ser dada à competição, até para salvar a temporada – há ainda a Taça da Liga, porém com importância menor e que só começará em janeiro.

A queda por 2 a 1 para o Braga não significou somente a eliminação das águias na Taça de Portugal. Representou também a quebra de dois importantes tabus: o time não perdia um jogo doméstico em casa há dois anos e oito meses e nunca havia sido derrotado pelo Braga na Luz.

A eliminação na Taça de Portugal se junta ao fiasco benfiquista na Liga dos Campeões, em que ficou em último lugar no seu grupo e não conseguiu nem ao menos a vaga para a Liga Europa.

Com Porto e Benfica fora do caminho, as atenções e o favoritismo na Taça de Portugal se voltam ao Sporting. Mas, independentemente de quem conquistar o título, a competição desta temporada já prestou um grande serviço, que é o de diminuir o monopólio da dupla que, com méritos, domina o cenário português. Independente dos problemas que dragões e águias possam sofrer, ver outros times se destacando é muito bom para o futebol português.

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