Eliminatórias da EurocopaPortugal

De Abel Xavier a João Moutinho, Portugal vai a fases finais nove vezes seguidas

Em 9 de outubro de 1999, Portugal e Hungria se enfrentavam no estádio da Luz, pelas eliminatórias da Eurocopa do ano seguinte. Para se classificar, os portugueses precisavam da vitória por pelo menos três gols de diferença. Os 2 a 0 abertos no primeiro tempo (gols de Rui Costa e João Pinto) davam a impressão que o resultado seria conseguido sem grandes dificuldades. A expulsão de Pauleta, nos instantes finais da primeira etapa, porém, trouxe certa dramaticidade ao duelo, que foi resolvido numa cabeçada de Abel Xavier, aos 12’ do segundo tempo.

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Em 8 de outubro de 2015, Portugal recebe a Dinamarca em Braga. Se vencer o jogo, estará classificado para a próxima Eurocopa com uma rodada de antecedência, algo raro na história da seleção. Aos 20 minutos do segundo tempo, João Moutinho faz bela jogada individual, driblando o marcador e batendo colocado para fazer o único gol do jogo e garantir a vitória lusitana.

Por um capricho do calendário, os jogos citados só não aconteceram com exatos 16 anos de diferença por causa de um dia. Mas há outra grande coincidência entre eles, esta bem mais importante do que uma mera curiosidade de datas. A partida de 1999 iniciou um ciclo que a de 2015 não deixou terminar: o da classificação portuguesa para todas as fases finais das grandes competições.

Com a presença garantida na Euro 2016, Portugal chegou à sua nona fase final consecutiva (Eurocopas de 2000, 2004, 2008, 2012 e 2016 e Copas do Mundo de 2002, 2006, 2010 e 2014). Apenas Alemanha, Espanha, Itália e França possuem séries superiores.

Pode até não parecer grande coisa, afinal as eliminatórias europeias costumam distribuir muitas vagas e, contando com um pouco de sorte na formação dos grupos, é possível enfrentar adversários fracos. Mas países como Inglaterra e Holanda, por exemplo, não têm tal marca.

Quando Abel Xavier cabeceou a bola para o gol, em 1999, apenas um jogador da atual seleção portuguesa já era profissional: Ricardo Carvalho. Todos os outros, incluindo Cristiano Ronaldo, ainda jogavam em categorias de base ou, dependendo da idade, nem sequer sonhavam com futebol. Estrela maior da atual companhia, CR7 disputou sua primeira temporada como profissional dois anos depois – e participou de sete das nove classificações portuguesas.

O feito de 2015 não foi dos mais difíceis, o que o torna ainda melhor para os portugueses. Afinal, nas últimas três eliminatórias, a equipe das quinas teve de disputar a vaga no playoff de repescagem. Poder jogar a última rodada como se fosse um amistoso é um alívio para a torcida, que havia se acostumado a sofrer com a calculadora nas mãos.

Há um mérito inegável do técnico Fernando Santos nisso. Ao assumir a seleção após o fiasco promovido por Paulo Bento na Copa do Mundo de 2014, ele conseguiu mesclar experiência e juventude. Mesmo sem fazer uma renovação explícita, promoveu a estreia de 14 jogadores que nunca tinham vestido a camisa da seleção. Ao mesmo tempo, recuperou e valorizou quem já estava desgastado, como Ricardo Quaresma, Danny e Ricardo Carvalho.

Fernando Santos também trabalhou bem no vestiário. O que se vê hoje é uma seleção unida, que parece entender bem a importância do coletivo. Com menos vaidades e preocupações individuais, o futebol flui melhor e todos saem ganhando.

Embora se consolide como uma potência na competição, como o Leonardo de Escudeiro bem escreve aqui, soa como otimismo exagerado imaginar que Portugal possa brigar pelo título no ano que vem. Mas os lusitanos têm direito a sonhar. Para isso, basta seguir com o bom trabalho, dentro e fora do campo.

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