Portugal

Com Eusébio no Panteão Nacional, Portugal dá exemplo e mostra que jamais vai esquecê-lo

Um país que deseja ser uma grande nação precisa respeitar sua própria história e preservar sua memória. Em Portugal, parte desse trabalho é feito no Panteão Nacional, onde estão os restos mortais de homens e mulheres que marcaram seu nome na história.

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São 12 pessoas que lá estão enterradas. Todas elas tiveram seus nomes aprovados pela Assembleia da República, pois se enquadram nos critérios impostos pela lei, segundo a qual as honras do Panteão são destinadas “a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao país, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade”.

Repousam no Panteão os escritores Almeida Garrett, Aquilino Ribeiro, Guerra Junqueiro e João de Deus, a escritora Sophia de Mello Breyner Andresen, a fadista Amália Rodrigues, o político Humberto Delgado e os ex-presidentes Manuel de Arriaga, Óscar Carmona, Sidónio Pais e Teófilo Braga.

O local também conta com cenotáfios (memoriais para pessoas cujos restos mortais estão entre local) de heróis lusitanos, como Nuno Álvares Pereira, Infante D. Henrique, Pedro Álvares Cabral e Afonso de Albuquerque.

A 12ª pessoa a ter os restos mortais trasladados para o Panteão não é um herói de guerra, um político ou um grande escritor, mas sim um mero jogador de futebol. Eusébio da Silva Ferreira, morto em 2014, recebeu na sexta-feira (3) as honras dignas de todos os personagens citados acima e entrou na galeria dos “imortais”.

Como não poderia deixar de ser, a cerimônia foi emocionante. O cortejo deixou o cemitério do Lumiar, parando para uma missa na região, e passou pelo estádio da Luz, pelo parque Eduardo VII (onde está a maior bandeira de Portugal em Lisboa) e pela sede da Federação Portuguesa de Futebol, até chegar ao Panteão. Pelas ruas, muita gente parou o que estava fazendo para saudar o King.

No local, o Hino Nacional Português foi entoado duas vezes – uma no início da cerimônia, pela fadista Dulce Pontes e a outra pela banda da Guarda Nacional Republicana, que deu o tom cerimonial. O cantor Rui Veloso entrou em cena com as músicas “Nunca me esqueci de ti” e “Mãe África”. Além da família de Eusébio, políticos importantes e altos dirigentes do futebol português, inclusive ligados a clubes rivais do Benfica, acompanharam tudo de perto.

A presença de Eusébio no Panteão Nacional vai muito além da homenagem ao maior jogador português de futebol de todos os tempos. Ela tem um significado muito claro: Portugal não quer esquecê-lo.

Ter Eusébio num local que recebe cerca de 80 mil visitas por ano é manter viva a memória de quem tanto fez pelo país e proporcionar que as próximas gerações conheçam sua história. É praticamente extinguir as chances de um dia, ainda que daqui dezenas ou centenas de anos, Eusébio seja esquecido. E é uma prova de que o futebol, mais do que um mero jogo, é algo capaz de elevar o sentido de nação para um país.

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