Portugal

Braga tira a poeira da sala de troféus e festeja bastante

É sempre muito bom quando um time tradicional, que não ganha uma competição importante há bastante tempo, consegue levantar um troféu. O clube volta a ser notícia positivamente, tem a chance de arrecadar mais, proporciona uma grande alegria aos torcedores ora desacostumados a conquistas, inicia a formação de novos torcedores e ainda areja o futebol de sua localidade, que ganha mais um concorrente a novos triunfos.

Foi o que aconteceu em Portugal com o Braga conquistando a Taça da Liga. Se por um lado é verdade que este é apenas o terceiro torneio em importância no país (fica atrás do Campeonato Português e da Taça de Portugal), por outro lado é tão verdade também que trata-se de uma conquista histórica, capaz de proporcionar tudo o que foi citado no parágrafo acima. Por vários fatores.

O primeiro deles é que o Braga, fundado em 1921, carecia muito de um título importante. A última conquista nacional dos minhotos havia ocorrido na temporada de 1976/77. E foi de um campeonato que teve somente uma edição: a Taça Federação Portuguesa de Futebol da 1ª Divisão. Antes disso, o maior título havia sido a Taça de Portugal de 1965/66.

É verdade que a torcida bracarense, embora carente de conquistas, vinha tendo bons momentos nos últimos tempos. Em 2008, o time foi considerado o campeão da última edição da extinta Taça Intertoto, por ter sido, dentre os classificados para Copa da Uefa, aquele que conseguiu ir mais longe na competição continental. Aliás, desde 2004/05, o Braga sempre disputa um campeonato europeu e chegou a ser finalista da Liga Europa em 2010/11.

Mas realizar boas campanhas é uma coisa e soltar o grito de campeão é outra. Faltava ao clube a chance de erguer o troféu, dar a volta olímpica, fazer uma festa capaz de parar a cidade. Pois foi isso o que aconteceu depois da vitória por 1 a 0 sobre o Porto, que valeu aos minhotos da Taça da Liga.

E está justamente no adversário o segundo fator para que o título seja considerado tão importante. Afinal, o Braga não bateu um adversário qualquer, mas o maior vencedor do futebol português nos últimos tempos. Sem exageros, pode-se dizer que o gol de pênalti marcado por Alan, nos acréscimos do primeiro tempo da partida disputada em Coimbra, fez cair – ao menos neste campeonato – um gigante do futebol lusitano.

Por tudo isso é que milhares de pessoas foram às ruas de Braga recepcionar os campeões em plena madrugada. Jogadores, comissão técnica e diretoria foram tratados como heróis e fizeram discursos empolgados. Entre os mais emocionados, estava Antonio Salvador, considerado agora o melhor presidente da história do clube. A honraria é justificada em números: desde que assumiu o comando arsenalista, Salvador levou o Braga a mais classificações para competições europeias (nove) do que todos os seus antecessores juntos (seis). Mas faltava um troféu para coroar o bom trabalho.

Um dos méritos do presidente na trajetória desta temporada é o de ter mantido no cargo o técnico José Peseiro. Contestado pela torcida – que chegou a acenar lenços brancos nas arquibancadas, pedindo sua saída –, o treinador conseguiu demonstrar sua capacidade.

Comemorações à parte, o Braga tem agora um novo desafio: em cinco rodadas, descontar os três pontos que o separam do Paços de Ferreira para terminar o campeonato nacional em terceiro lugar e garantir presença na Liga dos Campeões da próxima temporada. Tarefa, embora difícil, que já virou prioridade no clube.

Decadência?

O outro lado da final da Taça da Liga mostra que os dragões têm motivos para preocupação. Depois de um começo de temporada arrasador, o Porto começou a patinar e corre sério risco de não levantar nenhum troféu sequer (exceção feita à Supertaça) e ainda ver a coroação do seu rival Benfica.

A panela de pressão está começando a ferver e a irritação do técnico Vítor Pereira com perguntas dos jornalistas é um claro sintoma disso. Nos últimos dias, ele reclamou que as mesmas pessoas que há pouco tempo comparavam seu time com o Barcelona (o que ele próprio considera um exagero) agora querem fazer do Porto “uma equipe de desgraçados”.

Irritado ou não, o certo é que o técnico, assim como todos os portistas, vai torcer muito pelo Sporting neste domingo (21). Os leões fazem o dérbi contra o Benfica e, embora o jogo seja na Luz, o clássico é uma grande esperança do Porto para que o time de Jorge Jesus tropece e a diferença de quatro pontos possa ser reduzida. Isso, claro, se os dragões fizerem o básico, que é derrotar o penúltimo colocado Moreirense, no dia anterior, fora de casa.

CURTAS

– A primeira partida do Braga depois da conquista da Taça da Liga será nesta sexta-feira (19), em casa, contra a Acadêmica, na abertura da 36ª rodada do Campeonato Português. O clube anunciou que os torcedores poderão entrar gratuitamente no estádio Axa e ainda terão a chance de ver de perto o troféu recém-conquistado.

– A Taça da Liga foi o primeiro título importante da carreira do técnico José Peseiro. Até então, ele só havia levantado troféus em campeonatos de divisões inferiores.

– A situação financeira do Sporting é tão delicada que o presidente Bruno de Carvalho ordenou redução drástica no consumo de água e energia elétrica no clube. Com medidas como diminuir o tempo de uso das torneiras e do ar-condicionado, por exemplo, ele espera economizar € 1,6 milhão em um ano.

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