Portugal

Boavista, por enquanto, está de volta à primeira divisão

Torcedores do Boavista se acostumaram, nos últimos tempos, a viver num turbilhão de emoções. Um dos clubes mais tradicionais do futebol português e integrante da seleta lista dos times que já conquistaram o campeonato nacional (que só tem outros quatro integrantes, Benfica, Porto, Sporting e Belenenses), os enxadrezados passam por um momento único em sua história.

A roda-viva de emoções teve um lado bom no sábado, dia 6 de abril. E não foi dentro de campo, muito menos com bola rolando. Ao invés de ir para as arquibancadas, parte da torcida dos panteras negras se dirigiu com faixas e bandeiras até a sede da Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Lá, seria debatido e resolvido o futuro do clube.

Vamos primeiro ao fato. Na citada reunião, a Assembleia Geral de Clubes aprovou o retorno do Boavista à primeira divisão do futebol lusitano na próxima temporada (o time joga atualmente a terceira divisão). E para não ficar com número ímpar de times, os dirigentes resolveram também criar mais uma vaga na elite, o que aumentará o campeonato de 16 para 18 times a partir de 2013/14.

Agora, a explicação sobre o que levou a isso. O Boavista foi rebaixado para a segunda divisão por uma decisão do Comitê de Disciplina da Liga na temporada 2007/08, naquele que ficou conhecido como o processo Apito Final. Nele, o clube foi acusado de tentar coagir e subornar árbitros durante o campeonato de 2003/04. O caso já havia sido investigado na época e fora arquivado, mas sua reabertura anos depois ocasionou a punição aos panteras. O Porto, outro clube acusado das práticas ilegais, foi punido com a perda de seis pontos no campeonato nacional.

A partir dali, o Boavista passou a definhar. Num passado recente, a equipe havia atingido o melhor momento de sua história, com o título português de 2000/01, o vice-campeonato na temporada seguinte e a chegada às semifinais da Copa da Uefa em 2002/03. Mas a queda no tapetão foi um golpe duro demais para quem já vinha com problemas financeiros.

Reflexo disso foi um novo rebaixamento, dessa vez dentro de campo, ao final da época de 2008/09. Desde então, o clube amarga participações na amadora terceira divisão – a maioria delas com campanhas boas, mas insuficientes para o acesso.

A luz no fim do túnel apareceu no ano passado, quando uma decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa declarou que a reunião do Conselho de Justiça que rebaixara o Boavista era considerada nula. Começava, então, uma guerra jurídica que teve um dos seus últimos capítulos no sábado, quando a Assembleia Geral aprovou o retorno do time à primeira divisão.

As coisas, porém, não são tão simples assim. Para efetivamente entrar em campo na elite na próxima temporada, o Boavista terá de saldar suas dívidas trabalhistas e com o fisco português. Algo que um time de terceira divisão não consegue fazer de uma hora para outra. Por isso, sua diretoria espera que a Liga pague uma espécie de indenização pelos prejuízos causados desde o rebaixamento decretado pela Justiça Desportiva.

E ainda que isso ocorra, o Boavista terá outro desafio gigante: também de uma hora para outra, montar um time que seja capaz, ao menos, de não passar vergonha no campeonato.

Independente disso, os torcedores dos panteras negras comemoraram muito a decisão. Alguns exageraram na dose e depredaram veículos de órgãos de imprensa que estavam estacionados nas proximidades da sede da Liga. Uma equipe da TV oficial do Porto teve de sair literalmente correndo, para não ser agredida.

O próprio Porto, aliás, começa a surgir como a grande pedra no sapato do Boavista neste momento. O clube, que votou contra o alargamento da Primeira Liga, estuda maneiras de impugnar a decisão.

O alargamento

Se tudo for mantido da maneira como foi aprovado (falta ainda a chancela da Federação Portuguesa de Futebol), o Campeonato Português passará a ser disputado por 18 times, ao invés dos atuais 16, a partir da próxima temporada. Serão, portanto, quatro datas a mais no calendário de cada clube.

Supondo que o Boavista pague suas dívidas e realmente seja o 17º integrante do campeonato, a última vaga será decidida numa liguilha a ser disputada entre os dois últimos colocados da primeira divisão e o terceiro e o quarto colocados da segunda divisão. Caso os axadrezados não consigam arcar com seus compromissos financeiros, a liguilha dará, então, duas vagas.

A princípio, mesmo com os protestos do Porto, parece ser improvável uma mudança nesse quadro. Mas com tantas idas e vindas que os tribunais portugueses têm proporcionado ao futebol nos últimos tempos, não é de se surpreender que a situação mude. Que venham os próximos capítulos dessa longa – e louca – novela.

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