Portugal

Belenenses na primeira divisão é retorno da tradição

Houve uma época, mais precisamente no início do século passado, em que o futebol português contava com quatro grandes clubes. Além dos conhecidos Porto, Sporting e Benfica, era o Belenenses o time que brigava pelos primeiros lugares e jogava de igual para igual com qualquer rival.

Mas esse período de ouro acabou – e faz tempo. Apesar de toda a tradição e de uma torcida extremamente fiel, os azuis foram ficando para trás e as glórias do passado, ao invés de serem apenas parte de uma história vitoriosa, se transformaram nas únicas boas lembranças. Mas o Belenenses continuou vivo e disposto a retomar o caminho das conquistas.

Pois foi no Sábado de Aleluia, dia 30 de março, que o time que carrega a Cruz de Cristo no peito pôde, novamente, soltar um grito de alegria. Era o retorno da equipe à primeira divisão do futebol português, após três temporadas disputando o segundo escalão.

O detalhe é que este não foi um acesso como qualquer outro. Foi “o” acesso, conquistado nove rodadas antes do término do campeonato. E com uma campanha irrepreensível: 24 vitórias, 6 empates e 3 derrotas, 59 gols marcados e 27 gols sofridos. Quer mais? O Belenenses é o melhor ataque, a melhor defesa, o time que mais aplicou goleadas, o que mais venceu, o que menos perdeu e o que ficou invicto pelo maior número de rodadas. Números e dados que mostram quanto a equipe foi superior aos seus rivais da Segunda Liga portuguesa.

Curiosamente, o acesso veio com uma derrota, algo que não ocorria na campanha dos azuis desde 6 de outubro do ano passado (e que encerrou a série de 23 jogos de invencibilidade). O time precisava de uma vitória contra o Penafiel, fora de casa, para garantir o retorno à primeira divisão, mas perdeu por 1 a 0. Porém, foi “ajudado” por dois resultados da rodada: Oliveirense 0 x 0 Trofense e Atlético 1 x 0 Santa Clara.

Foi no vestiário, ainda em Penafiel, que a festa começou – depois da derrota, os jogadores ficaram aguardando o desfecho das demais partidas. E foi no estádio do Restelo, no tradicional bairro de Belém, em Lisboa, que a comemoração tomou corpo. Depois de viajar 350 quilômetros, a delegação chegou “em casa” perto das 23h e encontrou cerca de 2 mil apaixonados torcedores, que há horas esperavam para festejar com seus heróis.

A conquista do Belenenses deve ser comemorada não só por sua própria torcida, mas por todos os que gostam do futebol e que cultivam as tradições do esporte. Afinal, trata-se de um time de verdade, com torcida de verdade e história de verdade. Só para se ter uma ideia, os azuis são até hoje a equipe que mais cedeu jogadores para a seleção portuguesa.

O retorno à primeira divisão parece já ter feitas suas primeiras consequências no Restelo. Uma delas é a intenção da diretoria em criar um time B para a próxima temporada – expediente utilizado por boa parte dos integrantes da elite. A ideia, aprovada pelo técnico Mitchell Van der Gaag, mostra que o clube está pensando alto em seu futuro.

Ao próprio treinador, aliás, devem ser creditados muitos méritos pela campanha irrepreensível nesta temporada. O holandês, de 41 anos de idade, faz sua primeira época pelo clube e soube transformar um elenco homogêneo, sem nenhuma grande estrela, num time vencedor. Agora, quer o título da Segunda Liga e a manutenção da invencibilidade em casa. Há ainda uma remota chance de classificação para a final da Taça de Portugal, mas a derrota por 2 a 0 para o Vitória de Guimarães, em casa, no jogo de ida da semifinal, tornou a missão bem complicada.

Para o bem do futebol, fica a torcida para que a permanência do time da Cruz de Cristo na primeira divisão durante muitos anos esteja longe de ser um milagre.

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