Portugal

Belenenses escancara briga interna, que prejudica time e torcida

É quase desnecessário discorrer sobre a tradição e a importância do Belenenses para o futebol português. Clube dos mais queridos, a caminho do seu centenário (completa 97 anos em setembro), de torcida fiel e – juntamente com o Boavista – um dos que conseguiram a façanha de ser campeão nacional fora do trio Benfica, Porto e Sporting.

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Mas este mesmo clube, que ocupa a zona intermediária da tabela de classificação e praticamente já se garantiu por mais uma temporada na elite, vive problemas de um time de oitava divisão. E a definição não vem de qualquer analista ou mesmo de torcedores, mas de alguém que vive (e sofre) de perto a realidade do Belenenses: o técnico Julio Velázquez.

Ele tem razão. A tradicional agremiação está em meio a uma espécie de guerrilha entre sua diretoria e a Sociedade Anônima Desportiva (SAD), que na prática é quem comanda o futebol. Uma briga política e administrativa, que cresceu de patamar e já interfere no dia a dia do elenco e atrapalha jogadores e comissão técnica.

Para se ter uma ideia, nos últimos dias houve corte de energia elétrica, de sinal de internet e até de água quente nos vestiários, o que obrigou o treinador a cancelar treinamentos. Por mais surreal que pareça, até cadeiras sumiram de um dos camarotes.

A briga gira em torno de questões econômicas. O clube acusa a SAD de lhe dever cerca de € 500 mil, valor referente a direitos de formação de ex-jogadores, prêmios pagos pela Uefa e contas de água e energia elétrica, entre outros. “Há um mar enorme a nos separar, que tem a ver com esta incapacidade financeira da SAD em cumprir com os seus compromissos. O clube não pode continuar financiando a atividade da SAD, esta não é nossa função. Enquanto isso não for alterado, é muito difícil haver um entendimento”, disse o presidente do Belenenses, Patrick Morais de Carvalho, numa entrevista coletiva dedicada exclusivamente ao assunto.

A estratégia de defesa do presidente da SAD, Rui Pedro Soares, foi de lamentar os episódios recentes envolvendo a briga entre as duas partes – sem entrar no mérito das dívidas. “Não sei porque é que isso acontece, mas não há nada que justifique deixar os jogadores tomarem banho de água fria ou o treinador ter de ir para casa porque não consegue trabalhar. Se não há entendimento, não é pela minha parte, acho que o presidente do clube não quer entendimento”, atacou.

As duas partes só “concordam” em um ponto: tanto o clube quanto a SAD negam ter participação no furto das cadeiras do camarote, situação que já se transformou em caso de polícia.

No futebol, quando esse tipo de desentendimento ocorre, raramente só uma parte tem razão. Por mais que cada lado tenha seus argumentos, é bem provável que ambos também tenham culpa no cartório. O maior problema, porém, é que quem mais perde com isso é justamente quem realmente não tem culpa de nada: o torcedor do Belensenses.

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