Portugal

Balanço do Campeonato Português – 1ª parte

Nesta metade inicial do balanço do Portuguesão 2014/15, abordamos o campeão Benfica – que levantou o troféu pela 34ª vez na história – e o rebaixado Gil Vicente. Destaques também para o Boavista, que retornou à primeira divisão após uma longa batalha judicial e fez campanha digna e para o Estoril, que vive momentos de apreensão com o escândalo de corrupção na Fifa, no qual a Traffic, dona do clube, está envolvida.

VEJA TAMBÉM: Balanço do Italiano – Parte 1 e parte 2

ACADÊMICA

Colocação final: 15º lugar, com 29 pontos (4v, 17e, 13d; 26gp, 46gc)
Treinador: José Viterbo (antes, Paulo Sérgio até 21ª rodada)
Maior vitória: 2×0 Moreirense (fora), 08/03/2015
Maior derrota: 1×5 Benfica (fora), 11/04/2015
Artilheiro: Rui Pedro, com 6 gols

Competições domésticas: Taça de Portugal (eliminado na 3ª fase), Taça da Liga (eliminado na 3ª fase)
Competições europeias: não disputou

A Acadêmica conseguiu o incrível feito de empatar metade dos seus jogos no Campeonato Português. Apesar disso, foram justamente os pontos somados nos 17 jogos terminados em igualdade que salvaram a equipe do rebaixamento, após uma campanha ruim. O time foi um dos que menos venceu na competição (somente quatro vezes e apenas uma delas em casa) e teve o terceiro pior ataque. O flerte com o perigo castigou a torcida, que viu a Briosa ficar 15 rodadas seguidas sem ganhar e flertar com o perigo ao longo do campeonato – algo bem diferente do tranquilo oitavo lugar obtido na temporada passada.

AROUCA

Colocação final: 16º lugar, com 28 pontos (7v, 7e, 20d; 26gp, 50gc)
Treinador: Pedro Emanuel
Maior vitória: 2×0 Penafiel (fora), 19/04/2015
Maior derrota: 0x5 Porto (em casa), 25/10/2014
Artilheiro: Roberto Rodrigo, com 6 gols

Competições domésticas: Taça de Portugal (eliminado na 3ª fase), Taça da Liga (eliminado na 3ª fase)
Competições europeias: não disputou

O Arouca tinha traçado como meta conquistar 31 pontos no campeonato. Não conseguiu chegar lá, o que deixou o time numa situação perigosa – foi o primeiro fora da zona de rebaixamento. A sorte do clube é que, para cair em Portugal, precisa ser incompetente ao extremo. Assim, apesar de ser a segunda equipe que mais vezes perdeu, o terceiro pior ataque e tendo uma sequência de oito jogos seguidos sem vencer, o Arouca escapou – mesmo brincando com fogo. O fim do campeonato marcou também o encerramento da era Pedro Emanuel, que não renovou seu contrato e deixa o clube após duas temporadas.

BELENENSES

Colocação final: 6º lugar, com 48 pontos (12v, 12e, 10d; 34gp, 35gc)
Treinador: Jorge Simão (antes, Lito Vidigal até 25ª rodada)
Maior vitória: 3×1 Penafiel (fora), 17/08/2014; 3×1 Nacional (em casa), 24/08/2014; 3×1 Boavista (em casa), 03/11/2014
Maior derrota: 0x3 Vitória de Guimarães (em casa), 30/08/2014; 0x3 Benfica (fora), 06/12/2014; 0x3 Porto (fora), 10/01/2014
Artilheiro: Deyverson, com 8 gols

Competições domésticas: Taça de Portugal (eliminado nas quartas de final), Taça da Liga (eliminado na 3ª fase)
Competições europeias: não disputou

Conquistar o sexto lugar e uma vaga na Liga Europa resultou num final de temporada muito feliz para o Belenenses, que passou por uma crise nove rodadas antes do término do Campeonato Português. Em conflito com a administração do clube, o técnico angolano Lito Vidigal deixou o time, que foi assumido por Jorge Simão. O novo treinador até teve um bom início, mas cinco jogos seguidos sem ganhar deixaram a equipe em situação delicada. O desafogo veio na última rodada, com o triunfo sobre o Gil Vicente. A campanha que primou pela regularidade teve seus méritos também logo no início da competição, quando os Azuis do Restelo ganharam seis de 10 partidas disputadas.

BENFICA

benfica 1

Colocação final: campeão, com 85 pontos (27v, 4e, 3d; 86gp, 16gc)
Treinador: Jorge Jesus
Maior vitória: 6×0 Estoril (fora), 28/02/2015
Maior derrota: 1×2 Braga (fora), 26/10/214; 1×2 Rio Ave (fora), 21/3/2015
Artilheiro: Jonas, com 20 gols

Competições domésticas: Taça de Portugal (eliminado nas oitavas de final), Taça da Liga (campeão), Supertaça (campeão)
Competições europeias: Liga dos Campeões (eliminado na fase de grupos)

Maior campeão da história do futebol português, o Benfica conquistou seu 34º título nadando de braçada. A diferença de apenas três pontos para o vice-campeão Porto não refletiu a tranquilidade que os encarnados tiveram ao longo da competição que consagrou o primeiro bicampeonato do time nos últimos 31 anos. Melhor ataque, time que mais vitórias conquistou e invicto nos clássicos, o Benfica mereceu a conquista do Portuguesão. De quebra, ainda levantou o troféu da Taça da Liga. A temporada só não foi melhor por conta da péssima campanha na Liga dos Campeões, competição que precisa ser vista com mais carinho na próxima temporada – quando Jorge Jesus, que foi para o rival Sporting, não estará mais no banco de reservas.

BOAVISTA

Colocação final: 13º lugar, com 34 pontos (9v, 7e, 18d; 27gp, 50gc)
Treinador: Petit
Maior vitória: 3×1 Arouca (em casa), 04/01/2015; 3×1 Vitória de Guimarães (em casa), 08/03/2015; 3×1 Moreirense (em casa), 03/05/2015
Maior derrota: 0x4 Rio Ave (fora), 01/09/2014; 0x4 Marítimo (fora), 30/11/2014
Artilheiro: Zé Manuel, com 6 gols

Competições domésticas: Taça de Portugal (eliminado na terceira eliminatória), Taça da Liga (eliminado na terceira fase)
Competições europeias: não disputou

O Boavista conseguiu alcançar seu objetivo de permanecer na primeira divisão sem maiores dificuldades. Depois de sete anos afastado da elite, o tradicional clube retornou graças à uma decisão da Justiça, que o considerou inocente no caso do suborno a árbitros na temporada 2003/04 (o Boavista havia sido rebaixado por conta disso em 2007/08 e travava uma batalha judicial desde então). Com uma campanha bastante regular – apesar de só ter conseguido uma vitória fora de casa –, os axadrezados terminaram a competição 11 pontos acima da zona de rebaixamento. É pouco para o tamanho do clube, mas na situação atual isso foi motivo de merecida festa.

BRAGA

Colocação final: 4º lugar, com 58 pontos (17v, 7e, 10d; 55gp, 28gc)
Treinador: Sérgio Conceição
Maior vitória: 6×1 Penafiel (fora), 29/11/2014
Maior derrota: 1×4 Sporting (fora), 17/05/2015
Artilheiro: Éder, com 10 gols

Competições domésticas: Taça de Portugal (vice-campeão), Taça da Liga (eliminado na terceira fase)
Competições europeias: não disputou

A temporada terminou de maneira frustrante para os torcedores do Braga: depois de abrir 2 a 0 no Sporting na final da Taça de Portugal, o time permitiu o empate nos minutos finais e perdeu o título nos pênaltis. Mas a decepção não pode ser maior do que o orgulho retomado por um grande Campeonato Português feito pelos arsenalistas, que terminaram atrás apenas dos grandes clubes. Nada mal para quem, na temporada passada, havia feito sua pior campanha em 11 anos. Dono da terceira melhor defesa da competição e com boas sequências de resultados (chegou a ganhar cinco jogos seguidos), o técnico Sérgio Conceição mostrou seu valor – apesar de ter deixado o clube por desentendimentos com o presidente após a final da Taça de Portugal.

ESTORIL

Colocação final: 12º lugar, com 40 pontos (9v, 13e, 12d; 38gp, 56gc)
Treinador: Fabiano Soares (antes, José Couceiro até 23ª rodada)
Maior vitória: 2×0 Boavista (em casa), 23/05/2015
Maior derrota: 0x6 Benfica (fora), 28/02/2015
Artilheiro: Kléber, com 8 gols

Competições domésticas: Taça de Portugal (eliminado na terceira eliminatória), Taça da Liga (eliminado na terceira fase)
Competições europeias: Liga Europa (eliminado na fase de grupos)

A notícia do envolvimento da Traffic com o escândalo de corrupção na Fifa abalou o final da temporada do clube, que tem na empresa brasileira a dona da maior parte de suas ações. As investigações não respingaram nos canarinhos, mas é evidente que há preocupação com a origem do dinheiro utilizado nos negócios. Dentro de campo, o Estoril não apresentou a mesma pujança dos últimos dois campeonatos. Em processo de reformulação após a saída do técnico Marco Silva, chegou a ficar nove jogos sem vencer, incluindo cinco derrotas seguidas. A defesa foi um ponto falho – só tomou menos gols que os times rebaixados. O 12º lugar acabou sendo uma colocação justa, mas ruim para quem tinha se acostumado a ver o time na ponta de cima da tabela.

GIL VICENTE

Colocação final: 17º lugar, com 23 pontos (4v, 11e, 19d; 25gp, 60gc)
Treinador: José Mota (antes, João de Deus até 3ª rodada)
Maior vitória: 2×1 Penafiel (em casa), 11/01/2015; 2×1 Marítimo (fora), 08/02/2015; 2×1 Acadêmica (fora), 25/04/2015
Maior derrota: 0x5 Benfica (em casa), 02/05/2015
Artilheiro: Simy, com 9 gols

Competições domésticas: Taça de Portugal (eliminado nas quartas de final), Taça da Liga (eliminado na terceira fase)
Competições europeias: não disputou

Após quatro anos na elite, o Gil Vicente está de volta à segunda divisão. E o rebaixamento veio com méritos. Num campeonato de baixo nível técnico, o time conseguiu ser o penúltimo colocado, com o menor número de vitórias (apenas quatro, em 34 partidas disputadas). O objetivo inicial, que era de fazer uma campanha regular e permanecer no meio da tabela, foi caindo por terra no decorrer da competição. Para se ter uma ideia da deficiência técnica da equipe, a primeira vitória só aconteceu na 16ª rodada e ainda assim sobre o Penafiel, que acabaria em último. Os gilistas têm muito a repensar para colocar a casa em ordem e tentar voltar à Primeira Liga.

MARÍTIMO

Colocação final: 9º lugar, com 44 pontos (12v, 8e, 14d; 46gp, 45gc)
Treinador: Ivo Vieira (antes, Leonel Pontes até 23ª rodada)
Maior vitória: 4×0 Vitória de Guimarães (em casa), 28/09/2015; 4×0 Boavista (em casa), 30/11/2014; 4×0 Rio Ave (em casa), 17/05/2015
Maior derrota: 0x4 Benfica (em casa), 18/01/2015
Artilheiro: Moussa Maazou, com 9 gols

Competições domésticas: Taça de Portugal (eliminado nas quartas de final), Taça da Liga (vice-campeão)
Competições europeias: não disputou

O torcedor do Marítimo sonhou com um título até o fim da temporada. Não o do Campeonato Português, algo quase impossível de acontecer dada a disparidade econômica entre clubes grandes e pequenos no país. Mas o da Taça da Liga, que só não veio porque os Leões da Madeira enfrentaram o poderoso Benfica na final. Ainda assim, o vice-campeonato coroou um ano em que, mesmo tendo feito campanha inferior à da temporada passada (quando ficou em 6º lugar), o Marítimo passou sem sustos pelo campeonato e ainda terminou na metade de cima da classificação. Entre seus feitos, esteve, por exemplo, ganhar do Porto na abertura do segundo turno e permanecer oito rodadas invicto na reta final da competição.

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