Portugal

Agora técnico, Costinha já vive sob pressão

Equipe sensação do Campeonato Português na temporada passada, quando terminou em terceiro lugar e sofreu derrotas apenas para Porto e Benfica, o Paços de Ferreira certamente não conseguirá repetir a façanha em 2013/14. Mas, muito pior do que isso, o time aparece como candidato a ser protagonista de um grande vexame.

Com a licença do inevitável trocadilho, a maior parte do peso da pífia campanha realizada pelos castores até agora cai nas costas de Costinha (sim, aquele). O inexperiente treinador chegou para substituir Paulo Fonseca, que ganhou a contratação pelo Porto como prêmio pelo ótimo trabalho em 2012/13.

Costinha estreou como treinador profissional na temporada passada, quando foi contratado pelo Beira-Mar para tentar escapar do rebaixamento. Não conseguiu o feito. Muito pelo contrário, aliás: em 11 jogos, foram apenas duas vitórias, além de outros dois empates e sete derrotas. Uma campanha que certamente não valeria o passaporte para assumir o comando da então terceira força do futebol português.

Nesta temporada, o Paços de Ferreira conquistou apenas uma vitória até agora. Foi na rodada passada do campeonato nacional, um emocionante 4 a 3 de virada sobre o Marítimo, fora de casa. Até então, o time vinha de sete derrotas seguidas (quatro pelo campeonato, duas pelas eliminatórias da Liga dos Campeões e uma pela Liga Europa) e um empate. Depois do triunfo na Madeira, novo empate foi conquistado: 1 a 1 com o Pandurii, da Romênia, pela Liga Europa, em jogo disputado no estádio D. Afonso Henriques, do Vitória de Guimarães (o Capital do Móvel não tem capacidade para sediar jogos de competições da Uefa).

Para se ter uma ideia de como as coisas andam ruins para os castores, o time só havia marcado dois gols no campeonato nacional antes de fazer os quatro diante do Marítimo. E passadas seis rodadas da competição, vai mantendo lugar cativo na zona de rebaixamento, à frente apenas do Belenenses.

O fato de Costinha ter poupado uma série de titulares contra o Pandurii mostra bem como a prioridade é, desde já, fugir do vexame de cair para a segunda divisão. E planejamento inicial do Paços de Ferreira previa ao menos uma classificação para a próxima Liga Europa. Algo que, pelo menos por enquanto, está bem longe de acontecer.

Contra o time romeno, Costinha abriu mão do volante André Leão, do zagueiro Ricardo (ambos nem sequer foram relacionados), do lateral-direito Tony, dos meias Rúben Ribeiro e Sérgio Oliveira e do atacante Hurtado (que ficaram no banco de reservas). Até por isso, neste caso específico, o empate pode ser considerado um resultado até razoável – embora deixe o time em situação complicada na classificação, com apenas um ponto ganho e em último lugar no grupo.

Liga Europa à parte (a eliminação para o Zenit na Liga dos Campeões pode ser considerada normal), o que não se esperava era um início tão ruim da equipe no Campeonato Português – apesar de ter enfrentado Porto e Benfica logo na 3ª e 4ª rodadas.

O curioso é que o futebol apresentado pelo Paços de Ferreira passa longe de ser classificado como desastroso ou de time que vai cair para a segunda divisão. Embora tenha deficiências técnicas e uma defesa que várias vezes deixa a desejar, a equipe sabe trabalhar com a bola nos pés. Sempre prefere o toque ao chutão e, quando tem paciência, é capaz de construir boas jogadas – o próprio gol de empate contra o Pandurii foi assim.

Costinha não é o único culpado pela crise, mas é o principal. E ele sabe bem disso. Após o empate com o Vitória de Setúbal, no jogo em que o Paços de Ferreira ganhou seu primeiro ponto no campeonato, o treinador admitiu que provavelmente perderia o emprego se o time somasse mais uma derrota (seria a oitava consecutiva). “Se o pênalti tivesse sido concretizado, talvez eu não estivesse falando aqui”, disse, na entrevista coletiva, referindo-se à penalidade que Dani desperdiçou para o Vitória.

A fase menos ruim do Paços de Ferreira começou justamente nesta partida. De lá para cá, são três jogos sem perder, somando dois empates e uma vitória. O que ainda é muito pouco, mas serve de alento, principalmente se compararmos com a campanha terrível de até então.

Mesmo com essa pequena respirada, Costinha ainda segue como alvo preferido dos críticos. Embora seja sempre bom lembrar que, além do treinador Paulo Fonseca, o Paços perdeu jogadores importantes como os meio-campistas Josué e Luiz Carlos e o defensor Diogo Figueiras. É evidente que o treinador tem sua grande parcela de culpa, mas a diretoria não pode ficar isenta, já que parece ter apequenado o clube de uma temporada para outra.

Por enquanto, o técnico fica. “Tenho as costinhas largas”, afirma ele, sem perder a chance do trocadilho. Resta saber até quando as costas de Costinha aguentarão a pressão.

Mostrar mais

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo