Portugal

A vez de Jesualdo

Apenas quatro técnicos tiveram a primazia de dirigir, ao longo da carreira, Porto, Benfica e Sporting, os três grandes clubes do futebol de Portugal. O novato da lista é o português Jesualdo Ferreira, 66 anos, que entrou para o seleto grupo nesta quarta-feira, 9 de janeiro, quando ficou à beira do campo na vitória do seu time sobre o Paços de Ferreira, por 1 a 0, em jogo válido apenas para cumprir tabela na Taça da Liga.

Jesualdo assumiu o time leonino 19 dias depois de ser contratado para o cargo de manager ou, como a própria imprensa portuguesa apelidou, “técnico do técnico”. Era dele a responsabilidade de supervisionar o trabalho de Franky Vercauteren, belga que não resistiu aos resultados ruins e foi demitido. Com o espaço aberto, o novo treinador passou a acumular as funções. Algo que, aliás, já estava bem claro que aconteceria desde que foi contratado para ser manager.

A troca de treinadores em Alvalade é mais um capítulo do enredo de novela mexicana escrito pela administração de Godinho Lopes, o presidente que pode entrar para a história como aquele responsável pela pior temporada do Sporting em todos os tempos. O time já foi eliminado da Taça de Portugal, da Taça da Liga e da Liga Europa. Está a apenas um ponto da zona de rebaixamento do Campeonato Português e, se não reagir imediatamente, corre riscos reais de disputar a segunda divisão na próxima temporada.

Na verdade, Godinho já entrou para a história. Quando promoveu Jesualdo ao cargo de treinador, ele igualou um recorde de 15 anos atrás. Desde 1997/98,o Sporting não tinha quatro técnicos na mesma temporada. Em 2012/13, já passaram pelo banco leonino Sá Pinto, Oceano Cruz (interino), Franky Vercauteren e, agora, Jesualdo Ferreira.

Se Sá Pinto tinha a queda anunciada após um terrível início de temporada (sua demissão era justificável, afinal precisava-se fazer alguma coisa) e Oceano apenas esquentou o banco para o sucessor, ficou claro que o mandatário sportinguista falhou feio ao apostar em Vercauteren.

Primeiro, manteve o interino por quase um mês, demorando demais para acertar com o novo profissional. E, quando o fez, anunciou um técnico que, embora seja vitorioso em seu país, não possuía identificação alguma com o futebol português. Era uma aposta muito alta para um clube de tamanha tradição.

A conta pela ousadia desmedida não demorou a aparecer. Vercauteren iniciou sua trajetória em Alvalade, acredite, sem trabalhar. Entre ter seu nome anunciado e dar o primeiro treino no campo, passou-se quase uma semana. Depois disso, foram duas vitórias, quatro empates e cinco derrotas no período de pouco mais de dois meses.

O discurso feito por Godinho Lopes quando anunciou Vercauteren é um bom termômetro para avaliar o quanto anda perdido o presidente. Na época, ele disse que “o Sporting não pode ser um viveiro de treinadores queimados” e que pretende “criar um projeto que não seja efêmero.” Onze jogos depois, tudo mudou.

Para o torcedor sportinguista, a esperança que fica é de que Godinho, apesar de tudo, esteja escrevendo certo por linhas tortas. Se Jesualdo Ferreira funcionar e tirar o time do lamaçal em que vem se afundando, a temporada será, pelo menos, um pouco menos caótica. Experiência e conhecimento para tanto o novo técnico tem – foi tricampeão nacional pelo Porto.

Os próximos capítulos dirão se ele conseguirá êxito na missão, seja melhorando o lado psicológico dos jogadores, seja aguentando as pressões internas, seja driblando as confusões causadas pelo presidente.

Em tempo: os demais técnicos que dirigiram o trio de grandes portugueses foram o brasileiro Otto Glória, o chileno Fernando Riera e o português Fernando Santos.

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